Em determinado momento, Antares surgiu no zellsektor e viu Corr Sairy sentando, no final do corredor, tentando meditar (por vezes ele tentou, mas as informações guardadas no chip neural sempre iluminavam sua mente):
-
O que está fazendo? – Disse Antares, fazendo Corr Sairy abrir os olhos, se
levantar e vir andando, calmamente:
-
Tentando algo que não acredito que um dia conseguirei. O que está fazendo aqui,
Confederado Antares? Veio me dar o alvará de soltura?
-
Não sei do que está falando. Vim lhe comunicar que sua defensora precisou se
retirar de Thrittan, pois o planeta dela precisa que seja intermediária de um
assunto entre Darkyan e Dharkyens. Aparentemente os dharkyensis atacaram uma
nave darkyani e K’thryn Swiss, plátto de K’Roll Swiss e adelfí da renegada
K’rynn Swiss – Corr Sairy pensou em falar algo, mas deixou-o prosseguir –
desapareceu. Mas os darkyanis também acusam as dharkyensis, pois um laileb,
chamado Ortsac Searamiug também foi dado como desaparecido. Com essa troca de
acusações, a Chefdiplomat Sharan foi tentar apaziguar a situação.
-
E isso significa o quê?
-
Significa que a Confederação Galaxial demorará um pouco mais para determinar
sua culpabilidade ou não nas acusações que persistem. Recorri ao
Confederado-mor Stahirr e seu suplente, o Confederado Goliath Hitarr que você
fosse, então, removido do zellsektor e transferido para o Beherber[1]...
-
Não. – Corr Sairy interrompeu Antares.
-
Não, o quê?
-
Independente do que o Confederado-mor Stahirr e seu suplente, o Confederado
Goliath Hitarr tenham dito, eu prefiro continuar aqui.
-
Eles não concordaram com meu pedido. – Corr Sairy olhou para o ser de rubi e
sorriu. – Eles disseram que isso seria sem precedentes, pois mesmo que as
provas estejam ao seu favor, ainda é necessária uma análise profunda, e colocar
um acusado no andar dos visitantes, seria o mesmo que admitir que você está
livre.
-
E se eu estou livre, poderia ir embora com S.E., sem problemas. Desculpe
Confederado Antares, mas você é inocente assim mesmo ou não quer entender as
coisas?
-
Do que está falando?
-
Eu não sairei livre daqui Confederado Antares. “Necessária uma análise
profunda”, quer dizer que eles vão procurar algo para que eu seja preso no
Satélite-prisão ou exilado no sistema de meteoros.
-
Você acredita que a Confederação Galaxial seria tão parcial assim?
-
Ela já está sendo Confederado Antares. Você mesmo admite que as provas
apresentadas pela minha defensora me soltariam?
-
Lógico!
-
Você acredita que não há nada que possa impedir minha soltura?
-
Sim.
-
Você acha que eu deveria ter sido solto no momento em que Maghnussy admitiu que
eu não era culpado do assassinato?
-
Quanto a isso. Acredito que aquilo foi o essencial para sua total liberdade,
mas o Confederado-mor...
-
O Confederado-mor Stahirr comanda uma associação de planetas que têm suas
próprias ideias de justiça. Se um planeta achar algo que acredite ser de valor
para uma punição a minha pessoa e todos concordarem, é isso que acontecerá. A
única coisa que o Confederado-mor Stahirr poderá fazer é determinar quanto
tempo serei punido e para onde eu irei. Abra esses olhos vermelhos para o que
ocorre a sua volta, Confederado Antares.
-
Você está errado. Mesmo que cada Confederado represente um planeta-membro,
todos estão aqui julgando baseados na Lei da Confederação Galaxial. Eles
somente podem leva-la como parâmetro para a justiça dentro da Confederação. Se
fizerem uso de seus próprios aspectos de Lei estarão indo contra a Confederação
Galaxial. – Corr Sairy não tinha mais nada a dizer, principalmente porque o
semblante de estátua de Antares era inabalável. – Dito isso, acredito que,
quando sua defensora retornar, virá para falar contigo.
-
O Secretário Geral da Terra já chegou?
-
Sim. Pensei que estivesse ciente disso.
-
E por que pensou isso?
-
Por causa de sua espaçonave. Ela não lhe avisou?
-
Primeiro, S.E. é mais do que uma espaçonave, não o diminua assim. Se não sabe
como se referir a ele, somente diga “seu amigo”. Segundo, desde que Darkyan tinha
chegado, ele não fala nada comigo. Está em silêncio, pois é o que a Chefdiplomat
Sharan quer.
-
Está bem... e sim, o Secretário Geral da Terra Al
Kashin Hakbar chegou há dois arrs. Estava em diálogo com o Confederado-mor
Stahirr e o Confederado Goliath Hitarr sobre o destino do Confederado Victor
Cambasi, após as acusações. Aparentemente a Terra elege o Secretário Geral de
tempos em tempos. Por que isso? Por que não o manter até determinado período de
vida e depois escolherem outro?
-
Porque os terranos se sentem mais seguros tendo o direito de escolher quem os
representa. Assim funciona um República democrática. Para poupar seu tempo de
buscar no Anima Mundi quando sair daqui, é um governo de união de estados, onde
quem determina seu governante é o povo. No caso da Terra, cada país possui um
governo parlamentarista, podendo ser uma república ou monarquia, o povo escolhe
os membros destes parlamentos, o parlamento escolhe o líder do governo do país,
e estes governantes, através de uma Organização Global, antes chamada de
Organização da Nações Unidas, hoje chamada de Ordem da Composição Solar,
escolhem entre os embaixadores que os representam na SCO quem será o Secretário
Geral da Terra.
-
Intrigante esta forma de governança.
-
Volos VI, Crisyen, Thrarkus e Darkyan têm algo bem semelhante.
-
Sim, há certa semelhança, como diz. – Antares pareceu refletir sobre algo e
então disse. – Sem mais nada a dizer, me retiro e o deixo aqui. Desejas que
algum de seus amigos venham visita-lo?
-
Eles ainda estão aí?
-
Todos ainda aguardam a decisão final. Não estava descendo, pois a princesa
H-Kik de Agufalgav e seu amigo, o major Skill Hawkesley, disseram para não o
fazer. A jovem Marcelle Menken aparenta apreensão por causa disso. – Corr Sairy
sorriu:
-
Sim, pode dizer que eles podem vir me visitar. Obrigado, Confederado Antares.
Começamos com o pé esquerdo, mas parece que estamos nos entendo.
-
Ainda não terminei meus estudos dessas terminologias terranas, mas tenho de
concordar com nos entendermos. Até mais, Corr Sairy. – E Antares saiu em
direção ao elevador.
A
visitas voltaram a ocorrer e as conversas eram frívolas e descontraídas.
Marcelle era quem mais passava tempo com Corr Sairy. A liberdade de visitação
permitia que a jovem permanecesse mais tempo com ele, mesmo com as idas e
vindas dos outros visitantes. Corr Sairy a via como uma filha e acreditava que
ela o visse como algo próximo de um pai. Quando Sharan voltou de seus serviços,
ela logo foi visitar Corr Sairy no zellsektor e lá se deparou com Aryannin,
Kotharyn e Marcelle Menken:
-
Que bom que o ânimo voltou a este andar. – Disse Sharan, saudando a todos. –
Como você está, Corr Sairy?
-
Preparado para o que vier.
-
Vim direto para vê-lo. Depois vou tomar os protocolos de Chefdiplomat com o Ratder
Ausbilder e depois procurarei o Confederado-mor para encerrarmos isso no
próximo arr, se for possível.
-
Acredita que ele sairá livre, Chefdiplomat Sharan? – Questionou Marcelle, mas
foi Corr Sairy que terminou respondendo:
-
Não podemos ter certeza de nada, Marcelle. Sharan fez tudo ao alcance dela para
que eu saia inocente, mas agora meu destino está nas mãos da Confederação
Galaxial.
-
Corr Sairy está certo, Marcelle. Apresentamos tudo que tínhamos, até mesmo o
que pensei que não seria necessário apresentar como o título de patente do chip
neural (o que virou um verdadeiro burburinho, pois muitos planetas se lembram
de você os visitando como criador). Agora é aguardar os confederados. Acredito
que eles já tenham analisado tudo e o parecer esteja pronto e, convenhamos (sem
falsa modéstia), se eles forem justos, Corr Sairy sairá daqui com S.E. e vocês.
-
Desculpe o questionamento, Chefdiplomat Sharan. – Disse Aryannin. – Mas percebi
que sua postura mudou do ambiente que está agora para o julgamento do Corr
Sairy. Já percebeste isso?
-
Sim, Megami Aryannin. Acredito que o próprio Corr Sairy percebeu também. Eu sou
um ser de energia. Meu nascimento foi pósmaturo e, com isso, vieram
consequências. Todos os Thrittanis têm a capacidade de enxergar a energia em
torno de todo ser, por isso somos capazes de identificar verdades e mentiras
com facilidade. Corr Sairy chamou a isso de “detector de mentiras”. Sem este
traje de contenção (feito em formato humanoide propositalmente), minha energia
dispersaria e eu poderia tomar toda essa sala. Seria tão forte que,
possivelmente, eu mataria Corr Sairy e, talvez, Marcelle Menken e Kotharyn (não
tenho tanta certeza disso!). Mas eu também, por ser pósmatura, capto a energia
do ambiente, que me influencia na forma de agir. Ou seja, com Corr Sairy me
sinto mais liberta (se assim posso chamar), enquanto na sala de Conferências da
Confederação Galaxial, sou mais sistemática. Mas senti a felicidade de vocês e
a tristeza quando expus alguns fatos. E, mesmo dentro e fora daquela cela, Corr
Sairy, senti que tudo que você sentiu. – Ele sabia que ela falava do julgamento
sigiloso. – Está bem, vou subir e fazer o que preciso. Dentro em breve eu desço
para dizer como tudo ocorrerá. Até mais para todos vocês.
Após
cumprir seus compromissos com o Ratder Ausbilder, Sharan se direcionou à sala
do Confederado-mor Stahirr:
-
Confederado-mor Stahirr, desculpe se atrapalho.
-
Chefdiplomat Sharan. Me agrada vosso retorno. Como foi a demanda com Darkyan e Dharkyens?
-
Consegui que eles mantenham um período de cessação das hostilidades, e que
Darkyan reconhecesse ter invadido o setor espacial de Dharkyens. A Mitir K’roll
Swiss ainda busca pela plátto dela. Disse que, quando tiver notícias, avisará a
Confederada B’trixx Tvokk. Não percebi esperanças em seu modo de falar.
-
Isso é muito triste. Este conflito constante entre darkyanis e dharkyensis por
setores espaciais é uma rotina desagradável. As vezes penso se é certo
mantermos os dois planetas na Confederação Galaxial.
-
Não tenho como opinar quanto a isso, Confederado-mor Stahirr, mas compareço
aqui, pois gostaria de saber se poderemos retomar a decisão de veredito de Corr
Sairy para o próximo arr? – Stahirr parecia perdido nos pensamentos, quando
retornou:
-
Sim, o veredito de Corr Sairy! Logicamente que, no próximo arr determinaremos
seu destino. Avisarei aos confederados que não estão restringidos.
-
Quanto a isso. O que ficou decidido do futuro do Confederado Victor Cambasi, se
me permiti questionar?
-
Como bem sabe, Chefdiplomat Sharan, existem determinados assuntos que são da
Confederação Galaxial e somente ela poderá decidir. Não posso falar sobre o
caso. Acredito que deseja avisar ao crisyeno Corr Sairy que a decisão do
veredito ficará para o próximo arr.
-
Sim. Fico extremamente grata, Confederado-mor Stahirr. Eu o avisarei. – A
frieza na forma de Stahirr falar sobre a Confederação era algo que Sharan já
estava acostumada, mas ela foi logo para o zellsektor e lá encontrou Corr Sairy
sentado nas cadeiras flutuantes do lado de fora da cela. Ela se aproximou dele,
que observava Marcelle deitada em sua cama, dormindo e, em um tom baixo de voz,
ele disse:
-
Essa menina deve ter passado eras naquele meteorito sem saber o que era sono. O
mínimo que posso deixar é que ela tenha isso agora.
-
Podemos falar? – Sharan usou o mesmo tom de voz dele. Corr Sairy se levantou e
ambos se dirigiram ao final do corredor:
-
Vamos usar o tom de voz baixo, pois o eco pode acordá-la. O que foi decidido?
-
No próximo arr, a decisão de seu veredito será anunciada.
-
Não guarde muita esperança nisso, Sharan.
-
Do que está falando?
-
Nada. Na verdade, eu quero lhe agradecer por tudo o que fez. Mesmo que ainda
não concorde com o que ocorreu quando ao julgamento do assassinato, você foi
além do que eu esperava.
-
Você acha que eu fiz algo para Maghnussy concordar com a revelação do que
ocorreu verdadeiramente?
-
Não, não acho. Mas eu lhe falei que era uma questão de promessa, honra...
-
Foi o Maghnussy que me procurou Corr Sairy. Ele queria falar. Você queria que
eu fizesse, o quê? Ignorar o fato que você é inocente e torcer que o benefício
da dúvida lhe desse a inocência neste caso. Se for isso, coloque os pés no
chão, meu caro crisyeno, pois você está delirando. – Corr Sairy olhou para
Sharan espantado. – É, estou aprendendo a usar essas terminologias que você
gosta de usar aleatoriamente. Corr Sairy, você me chamou para ajudá-lo a ser
inocentado, então se uma oportunidade como aquela apareceu, é lógico que a
usei. Mas percebo que não é nisso que você quer chegar. O que está escondendo?
-
É difícil esconder algo de você. Mas acho melhor somente ficar no agradecimento
por tudo que fez por mim. Eu reconheço. Possivelmente faria o mesmo por ti,
caso tivesse o Maghnussy me procurado para inocentá-la. Como eu disse há um
tempo atrás, comecei a confiar em você...
-
Mas perdeu um pouco da confiança depois do que ocorreu com o Maghnussy. Tá,
entendi e, sinceramente, não estou nem ligando. – Corr Sairy sorriu com aquilo.
– Pode sorrir o quanto desejar. O importante é que no próximo arr você será
inocentado. Tenho certeza. Agora vou deixa-lo com sua filha. Essa menina tem um
amor incondicional por você. Respeite isso!
Como
dito, quando chegou o momento, foram buscar Corr Sairy, mas desta vez não eram
os Thrittanis de costume, era o Confederado Antares:
-
Quando eu cheguei aqui, você me trouxe até este lugar. Agora que determinam o
veredito, você vem me buscar. É um ciclo que fecha. – Brincou Corr Sairy, mesmo
sabendo que era impossível tirar algum sorriso da aparência taciturna de
Antares:
-
Onde está a jovem que o fazia companhia?
-
Foi se arrumar para minha soltura, disse ela.
-
Você não acredita que sairá livre ainda?
-
Ficaremos sabendo daqui a pouco, não? – E ambos ficaram em silêncio, se
dirigindo até a Sala de Conferências da Confederação Galaxial. Quando entraram
estavam todos lá, ainda, e esperavam ansiosos a entrada de Corr Sairy. Antares
tomou sua posição costumeira, na bancada do acusador, mas quando Corr Sairy
pensou que se dirigiria ao púlpito que ficava sempre, Sharan o chamou:
-
Você ficará aqui, comigo. É a decisão final, o púlpito é somente para o
julgamento.
-
Tudo isso é novo para mim, você sabe. – E ela deu um sorriso. Quando os
confederados tomaram seus lugares, um silêncio sepulcral tomou conta da Sala de
Conferência. Corr Sairy e todos olhavam para o topo daquela pirâmide semioval,
esperando o pronunciamento do Confederado-mor Stahirr:
-
Antes de iniciar este pronunciamento, peço a todos os presentes, entre
governantes, representantes, membros e confederados dos planetas-membros que se
contenham em vossas emoções com o que for dito. Se houver pronunciamentos
exaltados, a Confederação Galaxial se dará ao direito de restringir o
julgamento. Caso não concordem com o que aqui for pronunciado, peço àqueles que
mencionei, que se retirem. Sendo assim, prossigo.
“Desde
seu princípio este foi um julgamento incomum. Vemos um acusado que é
extremamente conhecido e adorado por vários planetas-membros da Confederação
Galaxial. De alguns destes planetas, destacamos líderes que vieram a frente
para falar a seu favor. Vimos uma divisão de opiniões entre membros da
Confederação, pois temos aqueles que o defendem e aqueles que acreditam em sua
culpa. Terminamos, graças a este julgamento, descobrindo uma rede de comércio e
transportes ilegais afluir nos bastidores da Confederação Galaxial. Descobrimos
conspirações para assassinatos de governantes e membros dos planetas-membros.
E, fora de qualquer precedente na Confederação Galaxial, comprovamos a
inocuidade em um crime que acreditávamos ter um destino diferente.
“Corr
Sairy de Crisyen, ex-coronel Rodrigo Scandian da Terra, temos que reconhecer
que você é uma pessoa honesta e que respeita a todos aqueles na sua volta. Que
honra seus compromissos, mesmo que estes o levem a uma corte que pode
considera-lo culpado ou inocente. Você respeita as promessas que faz, quita os
acordos que firma e segue algum tipo de código que o mantém fiel a todos os
seus aliados, que testemunhamos serem vários.
“Com
isso pronunciado, temos o Parágrafo Único do Artigo 2 da Lei da Confederação
Galaxial. Nele lê-se ‘A Confederação Galaxial também, por sua vez deverá
respeitar e zelar pelas normas, leis e regras estabelecidas por seus
planetas-membros, somente tomando decisões contrárias em consulta direta ao
Confederado deste ou em Assembleia Extraordinária’. No crime do Artigo 52,
lê-se ‘Fica proibido qualquer negócio que acarrete em pagamentos e serviços que
caibam, especificamente, a membros ou representantes dos planetas-membros da
Confederação Galaxial’ e, como o crisyeno Corr Sairy assumiu um compromisso de
receber pagamentos de planetas-membros da Confederação Galaxial sem ter passado
pela Cerimônia de Titularidade...” – manifestações começaram a ocorrer entre os
telespectadores, Corr Sairy permanecia impassível. – Como disse, antes, caso
aja exaltação entre os que assistem a este julgamento, serão todos retirados da
Sala de Cerimônias. – Um silêncio fez-se, mesmo com todos revoltados. Marcelle
chorava. – Ótimo. Prosseguindo. Assumiste um compromisso de receber pagamentos
sem ter passado pela Cerimônia de Titularidade que, mesmo sendo uma
formalidade, como disse a Erregina Tyth Annis de Crisyen, é parte de regras
estabelecida pelo planeta-membro e a Confederação Galaxial visa respeitar esta
regra.
“É
triste chegar a esta conclusão, acredite, mas um Confederado viu isto e eu
comprovei, junto com meu suplente, o Confederado Goliath Hitarr, a veracidade.
“O
Artigo 54 da Confederação Galaxial não tem um tempo de detenção estipulado
quanto ao crime de mercenarismo, então fica a cargo de minha pessoa a
estipulação deste tempo. Em normal, quando comprovamos a culpabilidade de um
crime de cobrança de valores à planetas-membros por um não membro , o tempo seria
de 10 k-rarrs no Satélite-prisão, mas por tudo que comprovaste aqui, quanto a
sua índole e o quão respeitado é pelos seus pares e companheiros, determino o
prazo de 5 k-rarrs de exílio na cadeia de meteoros, com início a ocorrer no
próximo arr. Determinando assim, o fim e a conclusão deste julgamento”. –
Quando disse isso, a Sala de Conferências parecia que explodiria de revolta e
injuria. Sharan não sabia o que dizer ao lado de Corr Sairy. Antares se
aproximou do crisyeno e somente disse:
-
Você estava certo. Sinto muito por isso!
Corr
Sairy nada dizia. Pan Rrar, Pyr Khatann, Maghssu, a
Confederada Pennier de Kelkzerr desceram de suas bancadas, enquanto os
demais confederados saíam pela porta que entraram, e foram em direção à Corr
Sairy, que parecia fora dali, e estava.
No
momento em que o Confederado-mor Stahirr leu sua sentença, ele se conectou com
S.E.:
-
“Tá me ouvindo?”
-
“Não somente te ouvindo, como com saudades dessa sua voz irritante. Dá para
acreditar...”
-
“Tá, também te amo. Amanhã nós vamos sumir daqui”.
-
“Como assim? O que você está planejando? Adoro essas coisas loucas da tua
cabeça... às vezes! Outras são loucas demais...”
-
“Para de balbuciar e me ouve, S.E. A primeira coisa que você fará é chamar
Marcelle para embarcar em você. Peça para ela dizer aos outros que não quer me
ver ser exilado ou qualquer coisa assim. Depois você sairá do hangar e irá para
o mais longe de Thrittan, pois eles somente programarão o salto hiperespacial
da câmara hibernária quando eu estiver longe da órbita do planeta. Ative a
camuflagem e, após capturar minha cápsula, inicie o salto hiperespacial, pois
eles acharão que foi a câmara hibernária. Entendeu tudo?”
-
“Claro como um manto d’água phællansi”.
-
“Ótimo. Agora deixa eu acalmar essa galera que está desesperada aqui. Agora que
percebi Marcelle agarrada em mim”. – Ele se voltou para as pessoas ali. – Calma
todo mundo! – E olhou Marcelle abraçando-o. – Ei Estrelinha, não é o fim do
mundo.
-
Me desculpe, eu pensei... – Ele nunca pensou que veria Sharan daquela forma:
-
Ei, não é sua culpa. Não é culpa de ninguém. Foi um vacilo meu, deveria ter
prestado atenção melhor. Erregina Tyth Annis, obrigado pelo seu testemunho, mas
a Confederação tem razão, a Cerimônia de Titularidade, formalidade ou não, é
uma regra que vocês seguem. Na verdade, eu nunca passei pela Cerimônia, sou um
crisyeno somente no nome. Sei que todos estão totalmente revoltados com o que
ocorreu, mas foi decidido. O Confederado-mor Stahirr determinou. Cinco k-rarrs
em um exílio de um meteoro, vão ser férias para mim. Acredito que agora preciso
voltar ao andar de celas. Chefdiplomat Sharan, você me acompanha, pois parece
que os guardas Thrittanis não conseguirão passar por essa multidão. – E todos
abriram caminho para Corr Sairy e Sharan passarem, lamentando a situação.
Fora
da Sala de Conferências, Corr Sairy percebeu Sharan olhando para ele:
-
O que está olhando?
-
O que você está tramando? Você se comunicou com S.E., não foi? Por isso ficou
naquele silêncio, com todos gritando. Eu não percebi na hora, pois era uma
chuva de emoções, mas agora. O que você fez, Corr Sairy?
-
Falei para S.E. ir embora amanhã. Chamar Marcelle e partir daqui.
-
Está bem, você não está mentindo, mas está escondendo algo.
-
Sharan, eu já lhe agradeci por tudo que fez por mim?
-
Não tente me ludibriar, Corr Sairy. Você concordou muito facilmente com aquela
decisão. Me diga, o que está tramando?
-
Já falei o que disse ao S.E. No próximo arr serei colocado em uma câmara
hibernária e desaparecerei por cinco k-rarrs. Não queria perder o nascimento
dos gêmeos de Skill e H-Kik...
-
Você é bom! Mas, mesmo sabendo que está falando a verdade, sei que tem algo
mais por trás disso tudo. – Corr Sairy não disse mais nada e ambos entraram no
elevador e foram até ao andar de celas.
Naquele
momento, Marcelle ainda estava chorando muito e pensava em passar os últimos
momentos com Corr Sairy quando a voz metalizada e jovial de S.E. surgiu:
-
“E aí, Estrelinha!”
-
“S.E., não estou bem. Corr Sairy...”
-
“Pediu que você embarque em mim, no próximo arr, e nos mandarmos daqui”.
-
“Mas no próximo arr será quando ele será enviado... Espere aí, ele tem um
plano?”
-
“Sim, mas você precisa embarcar em mim, para nos mandarmos daqui antes dele ser
disparado no espaço. Só faça um teatrinho, pois ninguém pode saber disso, está
bem?”
-
“Pode deixar. Mas o que digo para Aryannin, Kotharyn, Rissie,...”
-
“Simplesmente diga que não pode se despedir dele assim. Tenho monitorado seu
chip neural e percebi que tem passado bastante tempo com ele, não é? Então faça
o seguinte, fique com ele e, quando o pegarem, venha direto para mim”.
-
“Está bem. Nossa, que emoção!”
-
“Pois é, estou que não me contenho dentro de mim. Até mais, Estrelinha”.
-
Você estava conversando com alguém? – Questionou Pum Riss ao perceber que
Marcelle estava aérea:
-
Sim, com S.E. Ele disse que ficou sabendo do resultado e irá embora amanhã.
-
E por que falou com você?
-
Ele me chamou para ir com ele. Acho que vou fazer isso.
-
Entendo. Bem, você poderia ir comigo de volta para Phællans, se quiser?
-
Obrigada, Rissie, eu amaria, mas acho que vou ficar com S.E., mesmo.
-
Está bem. E agora o que fará?
-
Vou para o zellsektor, ficar com Corr Sairy até ele ser levado. Depois embarco
em S.E.
-
Se cuida, uthando[2].
-
Você também, Rissie.
Depois
de deixar Corr Sairy no zellsektor, Sharan se dirigiu para esvaziar a sala que
usou como defensora, quando um Thrittanis chegou:
-
Chefdiplomat Sharan, conforme pediu, reconhecemos um pico do chip neural de
Corr Sairy. Ele se comunicou com a espaçonave dele. – Ela olhou para o Thrittanis:
-
Você despertou do spark a pouco tempo, não foi? Como se chama?
-
Ainda não ganhei meu nome, Chefdiplomat Sharan.
-
Sim, a Weihezeremonie. Sempre as cerimônias. – O jovem Thrittanis não entendeu.
– Obrigado pela comunicação. Corr Sairy me confessou ter entrado em contato com
o amigo dele, S.E., mas não importa mais. Pode apagar a informação. Comunicou a
mais alguém?
-
Sim, ao Confederado Antares de Mæsttra. Ele pediu que o comunicássemos também.
-
Lógico que pediu. Pode apagar a informação, ela é desnecessária agora. – O
jovem fez um gesto e saiu, deixando Sharan sozinha com seus pensamentos.
Quando
Marcelle chegou ao elevador, ela terminou encontrando com Antares e ambos
desceram ao zellsektor. Lá chegando, viram Corr Sairy sentado em um dos bancos
flutuantes:
-
Fiquei ciente que entrou em contato com sua... seu amigo. – Disse Antares, com
Marcelle olhando para ele, assustada. Ela correu para perto de Corr Sairy, que
respondeu:
-
E o que vai fazer, me mandar par o Satélite-prisão? A cadeia de meteoros não é
o suficiente?
-
Não, eu não farei isso, pois você não merece o exílio e muito menos a prisão.
Mas por que se comunicou com sua... seu amigo?
-
Mandei-o ir embora daqui e levar Marcelle com ele. Vou ser disparado no próximo
arr e ficarei sumido por cinco k-rarrs, o que ele faria aqui? E Marcelle seria
a companheira ideal para ele, não é Estrelinha? – Ela balançou a cabeça em
confirmação.
-
Eu não concordo com essa determinação do Confederado-mor Stahirr. A Erregina
Tyth Annis disse que, o que importa, é ela lhe dar um nome. O Confederado-mor
Stahirr foi incongruente com aquela decisão.
-
Nossa, eu vivi para ver o Confederado Antares discordando do Confederado-mor
Stahirr? Dentro de cinco k-rarrs terei o que contar para os outros, quando
voltar do exílio. Só espero me lembrar, pois cinco k-rarrs seria tempo demais
para um ex-terrano como eu.
-
Você está brincando com isso?
-
Não, Confederado Antares, estou sendo sincero. Se, mais ou menos, dez anos
terranos correspondem a um k-rarr, faça as contas e pense o que cinco k-rarrs
farão com este terrano que não contará com o soro da eternidade phællansi para
tomar?
-
Está falando do soro Amo-Kken?
-
Exato.
-
Você envelhecerá muito? – Corr Sairy olhou para Marcelle, que ria, e depois
respondeu:
-
Isso será o mínimo, Confederado Antares. Perdoe a menina, é o nervosismo.
-
Sim, já li que na Terra as pessoas tem as mais diversificadas reações diante da
perda. Vou deixá-los a sós. – E Antares se retirou. Quando o elevador se
fechou, Corr Sairy se voltou para Marcelle:
-
Quer estragar tudo, Estrelinha? – Disse Corr Sairy de forma brincalhona
-
Desculpa, - ela disse, finalizando o riso – mas eu não consegui me conter. S.E.
me contou tudo e disse que o ideal era eu ficar aqui com você.
-
S.E. é extremamente inteligente. Ele sabe que, aqui, as pessoas não vão ficar
te questionando. Mas não quer passar um tempo com Pum Riss?
-
Nos despedimos lá em cima. Sentirei falta dela, mas prefiro seguir o plano de
S.E.
-
Faz bem. – Corr Sairy disse, beijando-a na testa.
-
Você acha que Antares não desconfiará?
-
E me importa? Quando tudo estiver concluído, estaremos longe e irrastreáveis.
-
Eu também?
-
S.E. implantou seu chip neural, que ele fabricou seguindo parâmetros
específicos que criei e a mesma configuração que tenho no meu. Você só está
visível para a Confederação Galaxial porque queremos que esteja. Quando
desaparecermos e encontrarmos o Galaxya, não precisaremos no preocupar mais com
nada disso.
-
Galaxya?
-
Isso será uma conversa para outro momento. Agora vamos descansar, pois em
breve, teremos bastante emoções.
Corr
Sairy e Marcelle já estavam despertos quando Sharan chegou, trazendo uma caixa
nas mãos:
-
Eu pedi para trazer o traje que deverá usar na câmara hibernária. – Disse
Sharan. – Eu analisei tudo que apresentei. A Erregina Tyth Annis é a realeza de
Crisyen e a palavra dela...
-
Foi desconsiderada. – Completou Corr Sairy, como se soubesse o que Sharan
diria, e ela concordou com a cabeça. – Sei que não tem como recorrer, pois não
é assim que funciona na Confederação Galaxial. Uma vez que a decisão foi
tomada, é necessário o cumprimento da sentença.
-
O Confederado Antares fez uma exigência, por projeção, ao Confederado-mor
Stahirr, seu suplente, o Confederado Goliath Hitarr, e transmitiu para mim,
também, referente ao soro Amo-Kken. Você ainda faz uso do soro? – Corr Sairy
concordou. – Mas, mesmo depois de tantos k-rarrs, por que usa o soro?
-
Por não ser a pessoa mais disciplinada com ele. Somente uso o soro em momentos de
saltos hiperespaciais e, por isso uso ainda.
-
Bem, não recebi comunicado algum sobre a exigência do Confederado Antares. Ele
não é o ser mais expressivo da Confederação Galaxial (acho que é menos
expressivo até mesmo do que nós, Thrittanis), mas saberemos daqui a pouco. Como
bem sabe o traje que está usando é adequado para sua circulação. Será
necessário que entre em sua cela, que está harmonizada, para a troca de traje.
-
E este novo traje? Ele é escuro?
-
Ele tem as mesmas funções do traje que está usando, mas também serve para a
viagem que fará dentro da câmara hibernária. – Corr Sairy abanou a cabeça em
concordância e entrou em sua cela, enquanto Sharan e Marcelle esperavam do lado
de fora. Quando ele saiu, entregou o outro traje para Sharan, que guardou no
estojo. Os três, então, entraram no elevador e pararam no hangar:
-
Estamos no hangar? – Questionou Corr Sairy.
-
Sim. – respondeu Sharan. – Você me disse que Marcelle Menken iria embora com
S.E., então achei melhor a deixarmos aqui do que irmos direto a Sala de onde
você será lançado. – Corr Sairy agradeceu curvando a cabeça:
-
Bem, Estrelinha, se tudo correr bem no veremos de novo. – Disse Corr Sairy,
beijando a testa de Marcelle:
-
Esperarei por você. – Disse Marcelle com um sorriso. Uma lágrima correu por seu
rosto. Ela saiu e foi em direção de S.E. O elevador se fechou novamente:
-
Você é bom com as palavras. – Disse Sharan. – E ela está aprendendo com você.
-
Por que está dizendo isso? – Inquiriu Corr Sairy.
-
Porque, por mais que sinta verdades em suas palavras, sei que tem algo mais
imbuído nelas. Não se esqueça, eu sinto o ambiente a minha volta e sinto uma
grande apreensão e excitação.
-
Lógico. Estou apreensivo com o que acontecerá comigo e excitado. Serei colocado
em uma câmara hibernária que será disparada para um salto hiperespacial, sem
conhecer meu destino, somente sabendo que é uma cadeia de meteoros, que foi
dito, ficarei durante cinco k-rarrs.
-
Eu não vou julgá-lo, Corr Sairy, ou qualquer ação que tome. Me senti lisonjeada
e afortunada por ter sido sua defensora. Quando o vi, pela primeira vez em
Crisyen, pensei que era somente mais um entre milhares e, por isso, me passou
despercebido. Agora reconheço que tem muito mais por trás de você.
-
Obrigado pelas palavras, Chefdiplomat Sharan. – O elevador parou em um grande
salão, onde Corr Sairy viu vários rostos conhecidos, mas percebeu que alguns
não estavam ali. – Eu estou enganado ou está faltando pessoas aqui? – Sharan
olhou e percebeu o que ele falava:
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