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sábado, 17 de agosto de 2024

A punição

O grande salão, mesmo não aparentando ter divisórias, parecia manter a câmara hibernária distante dos espectadores que ali estavam. Corr Sairy via os governantes de Phællans, Kelkzerr, Crisyen, Dharkyens, Thrarkus, Bhlokyonss, Prismus, Terra e Volos VI, além de seus amigos (e desafeto) dos Guerreiros Alados, os confederados (com exceções) e os representantes dos planetas-membros. O Confederado-mor Stahirr estava diante de um púlpito de cristal e, após Sharan o deixar diante da câmara hibernária, se juntou aos outros (Corr Sairy percebeu um brilho dourado em volta dela, ou seja, era uma divisória como de sua cela:

- Corr Sairy de Crisyen. – Iniciou o Confederado-mor Stahirr. – Finalizado seu julgamento, chegamos ao momento da condenação e, neste período, recebi várias repreendas de governantes dos planetas-membros, bem como requerimentos de suspensão da sentença de alguns confederados. Mas, uma vez decidido, deve ser cumprida a sentença. Planetas-membros ameaçam retirar-se da Confederação, caso prossigamos e, algo que tenho dito a cada uma destes planetas-membros é que uma vez julgado e condenado, não temos como voltar atrás, nem do veredito e muito menos da sentença. Lamentaremos caso algum planeta-membro saia, mas é assim e sempre será assim que a Confederação Galaxial funciona, pois somente assim poderemos manter essa funcionando.

- Tenho direito a fala livre, Confederado-mor Stahirr? – Questionou Corr Sairy.

- Sim, pode falar livremente, Corr Sairy de Crisyen. – Disse Stahirr.

- Obrigado. Governantes e, por que não, amigos, sinceramente isso não pode ser preparado, mas agradeço a todos vocês por tudo. Como foi dito anteriormente, mesmo sendo uma formalidade, a Cerimônia de Titularidade é instituído para todos os crisyenos, adotados ou crescidos em Crisyen ou nas Hiri Mugikorrak. A Erregina Tyth Annis me nomeou Corr Sairy, mas eu não passei pela Cerimônia, então ofereci meus préstimos, pois queria ajuda-los, mas deveria ter esperado. Prestei serviços sem ser membro de um planeta-membro da Confederação Galaxial e, por isso, fui julgado. Não acho que essa sentença seja motivo para desfiliações da Confederação. Estão pensando em coisas micros, quando deveriam pensar no macro. Se perguntem se terem entrado para a Confederação Galaxial não ajudou aos seus planetas? Se a resposta for sim, por que sair? Se acreditam que a Confederação Galaxial não os ajudou de alguma forma ou em algum momento um planeta-membro não auxiliou, tudo bem, mas se sim, continuem. Sigam em frente.

“Minha vida foi um exílio. No meio do caminho fiz amizades que perpetuam e, espero, durem enquanto em ainda existir. Mas sempre fui um solitário, tendo somente como companheiro, o S.E. Agradeço a todos pelo carinho, amor e atenção que dedicam para mim, mas pensem no futuro de seus planetas, não no futuro deste que vos fala”. – Todos olhavam com atenção para Corr Sairy, principalmente o Confederado-mor Stahirr, que percebia a verdade em suas palavras:

- A Confederação Galaxial e a minha pessoa, como Confederado-mor, agradecemos suas palavras, Corr Sairy de Crisyen. Neste instante declaro a sentença.

“Pelo crime de mercenarismo, que fere o Artigo 54 da Confederação Galaxial, eu, Stahirr de Thrittan, como Confederado-mor da Confederação Galaxial, o sentencio ao período de cinco k-rarrs em uma cadeia de meteoros pré-determinada. Na câmara hibernária à sua frente, você terá suprimentos necessários para passar este período no meteoro em que ela aterrissar. A pedido do Confederado Antares de Mæsttra, a câmara hibernária contém um suprimento do Soro Amo-Kken que precisará para passar o período da sentença na cadeia de meteoros. Dito e determinada a sentença, peço que adentre na câmara hibernária”. – A tampa da câmara hibernária se abriu e seu interior era todos dourado e de aparência confortável. Ela flutuava a frente de Corr Sairy e, quando ele iniciou a entrada nela, teve uma pequena inclinação:

- Acho que deveria ter emagrecido mais. – Disse Corr Sairy, brincando e todos, mesmo pesarosos, riram. Após deitar-se no interior da câmara ela se fechou. Stahirr pressionou botões que cintilaram no púlpito a sua frente e a câmara hibernária começou a flutuar para fora do grande salão. Uma abertura pela qual a câmara passou se fechou e a divisória desapareceu, permitindo que todos tivessem um vislumbre, por uma grande abertura que permitia ver o espaço. Todos perceberam a câmara alcançando distância de Thrittan e viram um rastro iluminado quando ocorreu o salto hiperespacial.

Momentos antes disso ocorrer, Aryannin foi aos aposentos de Kotharyn para vê-lo:

- Irá para ver Corr Sairy ser confinado a um meteoro?

- Por que questiona? Não pretende comparecer?

- Sei que tivemos um horrível princípio com Corr Sairy, mas ele o ajudou a me salvar, Kotharyn. Aquele julgamento não foi justo com ele.

- Aryannin, não compreendo direito essas leis, mas se disseram se houve contravenção a elas não devemos respeitá-las?

- Meu nobre amigo krarrashin, o testemunho da Erregina Tyth Annis foi claro. Diferente de quem eu sou, Tyth Annis não possui dons extranormais. Sua realeza vem de sua ancestralidade. O ato de abençoar alguém de seu povo como um nome e uma função é algo meramente formal para ordem do planeta. Ela o estabeleceu, no passado, para que pudesse dar algo àqueles prismusis que imigraram para seu planeta. A Cerimônia de Titularidade era somente uma forma deles se sentirem benquistos em Crisyen.

- E o que pretendes fazer, Aryannin?

- Sinceramente, não considerei fazer nada. Mas enquanto cercávamos Corr Sairy, considerando um ultraje tudo que lhe ocorrera, reparei que ele ficou momentos sem nada dizer. Depois, lembra quando cruzamos com a uthisha de Phællans, Pum Riss, ela nos disse que Marcelle Menken ficaria com Corr Sairy em seu último dia no andar de celas, não com ela.

- Sim, algo que ela vinha fazendo ultimamente.

- Mas o que mais Pum Riss disse?

- Ela parecia triste ao dizer que Marcelle partiria com S.E., antes de Corr Sairy ser lançado para o exílio.

- Sim e, sinceramente, achei deveras conveniente isso. Creio que há muito mais por trás disso, do que conveniência.

- Acredita que Corr Sairy pretende algo a mais?

- Exato, meu nobre krarrashin. E participaremos disso.

- Mas não deveríamos denunciar neste caso, Aryannin? É uma afronta a Confederação Galaxial e eles aceitaram meu povo, de bom grado.

- Kotharyn, Volos faz parte da Confederação Galaxial há muitos ciclos e, mesmo cientes que Migoto Akonyionn atentava contra minha vida, eles não intervieram. Não somente isso, no passado recorri a Confederação para considerar Krarrash como um planeta-membro, dando-lhes autonomia. O Confederado-mor Pan Rrar colocou em Assembleia Extraordinária, na época, mas teve uma votação massiva contrária. Pan Rrar considerou colocar, novamente, em outro momento, mas então Stahirr se tornou Confederado-mor e a votação nunca mais ocorreu, até este momento.

- Então buscaste colocar-nos na Confederação em vosso passado?

- Sim. Eu falei a vosso ancestral que cuidaria de vocês. Dar o planeta foi somente o começo. Durante ciclos nos ajudamos, mas quando Akytiorr iniciou a magistratura autoritária e hereditária, tudo lhes foi tirado e de mim, também. A Confederação Galaxial se importa, neste momento, mas não se importou antes.

- Não buscas me ludibriar somente para apoia-la no que pretendes fazer, não é?

- Meu caro amigo, por que eu faria isso. És um ser livre. Krarrash vos espera...

- Não desejo ir para Krarrash. Na verdade, não tenho ideia de onde ir.

- Nem eu pretendo voltar a Volos VI.

- Mas e o Migoto Akonyionn? Se nada fizerdes, ele permanecerá como Migoto.

- Sei que isso parece descabido, principalmente por eles serem meus filhos, mas meu desejo de vingança faz-me crer que é melhor mantê-lo como Migoto. Ele não permanecerá muito no cargo, principalmente seu minha ajuda e apoio.

- Então encontramo-nos sem destino certo.

- Sim, temos um destino, acompanhar Marcelle Menken, seja lá o que Corr Sairy planeja.

- De certo já feri leis antes, pois não concordava com o que ocorria convosco. Se algo será feito para ajudar Corr Sairy, acredito que desejo participar, sim.

Enquanto Aryannin e Kotharyn decidiam seus destinos, no hangar da Confederação Galaxial um grande ser cor de rubi chegava à S.E.:

- Permita-me adentrar, Águia de Aço IV? – S.E. projetou a imagem de Antares para Marcelle, que já estava em seu interior:

- O que será que ele quer? – Disse S.E.

- Não sei, mas não devemos levantar suspeitas desnecessárias. Acho melhor permitir a entrada dele. – Concordando com Marcelle, S.E. abriu a comporta e estendeu a passarela para a entrada de Antares. – O que deseja, Confederado Antares?

- O que ambos farão? – Antares questionou.

- Sinceramente. – S.E. se pronunciou. – Acredito que devamos procurar um local que possamos ficar sossegados. Marcelle precisa de uma estrela para se nutrir. Eu também me abasteço da energia de estrelas. Então vagaremos de estrelas em estrelas até podermos ter Corr Sairy de volta.

- Não temos o que fazer, Confederado Antares. – Acrescentou Marcelle. – Corr Sairy se entregou e aceitou o julgamento por achar ser o mais acertado. A Confederação fez o que achou mais certo e o mandará para o exílio. Faremos o que achamos correto e partiremos.

- Acreditam mesmo nisso? – Disse Antares, olhando nos olhos de Marcelle, que estava sentada na cadeira de piloto, no interior de S.E. – Acreditam que a Confederação Galaxial agiu de forma confiável com Corr Sairy? Que ele teve a justiça feita?

- O que mais podemos achar, Confederado Antares? – Questionou S.E. – A Lei da Confederação Galaxial não foi cumprida? – Antares olhava para todos os cantos do interior de S.E, como se procurasse um rosto para olhar nos olhos, mas sempre se deparava com o olhar de Marcelle:

- Você acredita mesmo que a justiça fora feita, Marcelle Menken?

- O que eu acho ou deixo de achar, Confederado Antares, não cabe aqui. Se a Confederação Galaxial determinou a sentença, deixe que a executem. Nós partiremos. – Naquele instante, Aryannin e Kotharyn adentraram em S.E. – Você não suspendeu a passarela?

- O que está acontecendo aqui? – Questionou Aryannin.

- Megami Aryannin? Görkemli Kotharyn? O que fazem aqui? – Questionou Antares.

- Acertou a pessoa, mas erraste o título, Confederado Antares. – Disse Kotharyn. – E estamos aqui para acompanhar Marcelle Menken, para que não fique sozinha no caminho que ela e S.E. pretendem trilhar.

- Então nenhum de vocês nada fará para o socorro de Corr Sairy? – Era difícil para os quatro entenderem onde Antares queria chegar, já que sua voz serena e sua falta de expressividade facial não demonstravam seu sentimento de revolta. – Se não pretendem fazer nada, eu pretendo e espero que Águia de Aço IV possa me ajudar com isso.

- Mas, Confederado Antares, e a Lei da Confederação Galaxial? – A voz de S.E. soava preocupada.

- Ela fora maculada e manipulada para favorecer alguém. Corr Sairy não foi devidamente justiçado com a decisão. Fui seu acusador e sei bem que houve equívoco na promulgação da sentença. E, por isso, peço que me ajude a recuperar vosso amigo, Águia de Aço IV.

- Primeiro, somente S.E. (eu prefiro assim!). – Disse S.E. – Depois, o que poderemos fazer para ajudar Corr Sairy?

- Existe a possibilidade de, em seu interior, bloquear nossos chips neurais, para não serem detectados? Possui algum sistema de camuflagem? – Todos olhavam para Antares enquanto ele questionava S.E.:

- Sim, possuo um campo disruptor que me torna invisível aos sensores, bem como qualquer sistema que estiver comigo, e sim possuo um sistema de camuflagem yctométrico, o que não causa distorção na minha posição.

- Então precisará ser ágil, - prosseguiu Antares com o plano – pois assim que a câmara hibernária alcançar distância de Thrittan, ela fará o salto hiperespacial. Quando ela estive em seu interior, você dará esse salto hiperespacial...

- Espere um momento. – Marcelle o interrompeu. – O Confederado pretende “sequestrar” a câmara hibernária de Corr Sairy? Com qual propósito? E a Confederação Galaxial, o que falará quando descobrir o que fez? Ou quando descobrir que o Confederado-guerreiro desapareceu?

- Pensarei nisso no momento acertado. – Respondeu Antares. – Neste instante, penso em socorrer vosso pai. Corr Sairy é um ser nobre, que nunca pensara em benefício próprio, somente, sempre dedicando-se a ajudar àqueles que se aproximava. – Marcelle olhou concentradamente para Antares e então disse:

- Vamos, S.E.

- Mas Marcelle...

- Vamos, pois estamos perdendo tempo. – Ela interrompeu S.E. que não disse mais nada, somente ergueu a passarela, fechou a comporta e levantou voo.

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