O grande salão, mesmo não aparentando ter divisórias, parecia manter a câmara hibernária distante dos espectadores que ali estavam. Corr Sairy via os governantes de Phællans, Kelkzerr, Crisyen, Dharkyens, Thrarkus, Bhlokyonss, Prismus, Terra e Volos VI, além de seus amigos (e desafeto) dos Guerreiros Alados, os confederados (com exceções) e os representantes dos planetas-membros. O Confederado-mor Stahirr estava diante de um púlpito de cristal e, após Sharan o deixar diante da câmara hibernária, se juntou aos outros (Corr Sairy percebeu um brilho dourado em volta dela, ou seja, era uma divisória como de sua cela:
-
Corr Sairy de Crisyen. – Iniciou o Confederado-mor Stahirr. – Finalizado seu
julgamento, chegamos ao momento da condenação e, neste período, recebi várias
repreendas de governantes dos planetas-membros, bem como requerimentos de
suspensão da sentença de alguns confederados. Mas, uma vez decidido, deve ser
cumprida a sentença. Planetas-membros ameaçam retirar-se da Confederação, caso
prossigamos e, algo que tenho dito a cada uma destes planetas-membros é que uma
vez julgado e condenado, não temos como voltar atrás, nem do veredito e muito
menos da sentença. Lamentaremos caso algum planeta-membro saia, mas é assim e
sempre será assim que a Confederação Galaxial funciona, pois somente assim
poderemos manter essa funcionando.
-
Tenho direito a fala livre, Confederado-mor Stahirr? – Questionou Corr Sairy.
-
Sim, pode falar livremente, Corr Sairy de Crisyen. – Disse Stahirr.
-
Obrigado. Governantes e, por que não, amigos, sinceramente isso não pode ser
preparado, mas agradeço a todos vocês por tudo. Como foi dito anteriormente,
mesmo sendo uma formalidade, a Cerimônia de Titularidade é instituído para
todos os crisyenos, adotados ou crescidos em Crisyen ou nas Hiri Mugikorrak. A Erregina
Tyth Annis me nomeou Corr Sairy, mas eu não passei pela Cerimônia, então
ofereci meus préstimos, pois queria ajuda-los, mas deveria ter esperado.
Prestei serviços sem ser membro de um planeta-membro da Confederação Galaxial
e, por isso, fui julgado. Não acho que essa sentença seja motivo para
desfiliações da Confederação. Estão pensando em coisas micros, quando deveriam
pensar no macro. Se perguntem se terem entrado para a Confederação Galaxial não
ajudou aos seus planetas? Se a resposta for sim, por que sair? Se acreditam que
a Confederação Galaxial não os ajudou de alguma forma ou em algum momento um
planeta-membro não auxiliou, tudo bem, mas se sim, continuem. Sigam em frente.
“Minha
vida foi um exílio. No meio do caminho fiz amizades que perpetuam e, espero,
durem enquanto em ainda existir. Mas sempre fui um solitário, tendo somente
como companheiro, o S.E. Agradeço a todos pelo carinho, amor e atenção que
dedicam para mim, mas pensem no futuro de seus planetas, não no futuro deste
que vos fala”. – Todos olhavam com atenção para Corr Sairy, principalmente o
Confederado-mor Stahirr, que percebia a verdade em suas palavras:
-
A Confederação Galaxial e a minha pessoa, como Confederado-mor, agradecemos
suas palavras, Corr Sairy de Crisyen. Neste instante declaro a sentença.
“Pelo
crime de mercenarismo, que fere o Artigo 54 da Confederação Galaxial, eu,
Stahirr de Thrittan, como Confederado-mor da Confederação Galaxial, o sentencio
ao período de cinco k-rarrs em uma cadeia de meteoros pré-determinada. Na
câmara hibernária à sua frente, você terá suprimentos necessários para passar
este período no meteoro em que ela aterrissar. A pedido do Confederado Antares
de Mæsttra, a câmara hibernária contém um suprimento do Soro Amo-Kken que
precisará para passar o período da sentença na cadeia de meteoros. Dito e
determinada a sentença, peço que adentre na câmara hibernária”. – A tampa da
câmara hibernária se abriu e seu interior era todos dourado e de aparência
confortável. Ela flutuava a frente de Corr Sairy e, quando ele iniciou a entrada
nela, teve uma pequena inclinação:
-
Acho que deveria ter emagrecido mais. – Disse Corr Sairy, brincando e todos,
mesmo pesarosos, riram. Após deitar-se no interior da câmara ela se fechou.
Stahirr pressionou botões que cintilaram no púlpito a sua frente e a câmara
hibernária começou a flutuar para fora do grande salão. Uma abertura pela qual
a câmara passou se fechou e a divisória desapareceu, permitindo que todos
tivessem um vislumbre, por uma grande abertura que permitia ver o espaço. Todos
perceberam a câmara alcançando distância de Thrittan e viram um rastro
iluminado quando ocorreu o salto hiperespacial.
Momentos
antes disso ocorrer, Aryannin foi aos aposentos de Kotharyn para vê-lo:
-
Irá para ver Corr Sairy ser confinado a um meteoro?
-
Por que questiona? Não pretende comparecer?
-
Sei que tivemos um horrível princípio com Corr Sairy, mas ele o ajudou a me
salvar, Kotharyn. Aquele julgamento não foi justo com ele.
-
Aryannin, não compreendo direito essas leis, mas se disseram se houve
contravenção a elas não devemos respeitá-las?
-
Meu nobre amigo krarrashin, o testemunho da Erregina Tyth Annis foi claro.
Diferente de quem eu sou, Tyth Annis não possui dons extranormais. Sua realeza
vem de sua ancestralidade. O ato de abençoar alguém de seu povo como um nome e
uma função é algo meramente formal para ordem do planeta. Ela o estabeleceu, no
passado, para que pudesse dar algo àqueles prismusis que imigraram para seu
planeta. A Cerimônia de Titularidade era somente uma forma deles se sentirem
benquistos em Crisyen.
-
E o que pretendes fazer, Aryannin?
-
Sinceramente, não considerei fazer nada. Mas enquanto cercávamos Corr Sairy,
considerando um ultraje tudo que lhe ocorrera, reparei que ele ficou momentos
sem nada dizer. Depois, lembra quando cruzamos com a uthisha de Phællans, Pum
Riss, ela nos disse que Marcelle Menken ficaria com Corr Sairy em seu último
dia no andar de celas, não com ela.
-
Sim, algo que ela vinha fazendo ultimamente.
-
Mas o que mais Pum Riss disse?
-
Ela parecia triste ao dizer que Marcelle partiria com S.E., antes de Corr Sairy
ser lançado para o exílio.
-
Sim e, sinceramente, achei deveras conveniente isso. Creio que há muito mais
por trás disso, do que conveniência.
-
Acredita que Corr Sairy pretende algo a mais?
-
Exato, meu nobre krarrashin. E participaremos disso.
-
Mas não deveríamos denunciar neste caso, Aryannin? É uma afronta a Confederação
Galaxial e eles aceitaram meu povo, de bom grado.
-
Kotharyn, Volos faz parte da Confederação Galaxial há muitos ciclos e, mesmo
cientes que Migoto Akonyionn atentava contra minha vida, eles não intervieram.
Não somente isso, no passado recorri a Confederação para considerar Krarrash
como um planeta-membro, dando-lhes autonomia. O Confederado-mor Pan Rrar
colocou em Assembleia Extraordinária, na época, mas teve uma votação massiva
contrária. Pan Rrar considerou colocar, novamente, em outro momento, mas então
Stahirr se tornou Confederado-mor e a votação nunca mais ocorreu, até este
momento.
-
Então buscaste colocar-nos na Confederação em vosso passado?
-
Sim. Eu falei a vosso ancestral que cuidaria de vocês. Dar o planeta foi
somente o começo. Durante ciclos nos ajudamos, mas quando Akytiorr iniciou a
magistratura autoritária e hereditária, tudo lhes foi tirado e de mim, também.
A Confederação Galaxial se importa, neste momento, mas não se importou antes.
-
Não buscas me ludibriar somente para apoia-la no que pretendes fazer, não é?
-
Meu caro amigo, por que eu faria isso. És um ser livre. Krarrash vos espera...
-
Não desejo ir para Krarrash. Na verdade, não tenho ideia de onde ir.
-
Nem eu pretendo voltar a Volos VI.
-
Mas e o Migoto Akonyionn? Se nada fizerdes, ele permanecerá como Migoto.
-
Sei que isso parece descabido, principalmente por eles serem meus filhos, mas
meu desejo de vingança faz-me crer que é melhor mantê-lo como Migoto. Ele não
permanecerá muito no cargo, principalmente seu minha ajuda e apoio.
-
Então encontramo-nos sem destino certo.
-
Sim, temos um destino, acompanhar Marcelle Menken, seja lá o que Corr Sairy
planeja.
-
De certo já feri leis antes, pois não concordava com o que ocorria convosco. Se
algo será feito para ajudar Corr Sairy, acredito que desejo participar, sim.
Enquanto
Aryannin e Kotharyn decidiam seus destinos, no hangar da Confederação Galaxial
um grande ser cor de rubi chegava à S.E.:
-
Permita-me adentrar, Águia de Aço IV? – S.E. projetou a imagem de Antares para
Marcelle, que já estava em seu interior:
-
O que será que ele quer? – Disse S.E.
-
Não sei, mas não devemos levantar suspeitas desnecessárias. Acho melhor
permitir a entrada dele. – Concordando com Marcelle, S.E. abriu a comporta e
estendeu a passarela para a entrada de Antares. – O que deseja, Confederado
Antares?
-
O que ambos farão? – Antares questionou.
-
Sinceramente. – S.E. se pronunciou. – Acredito que devamos procurar um local
que possamos ficar sossegados. Marcelle precisa de uma estrela para se nutrir.
Eu também me abasteço da energia de estrelas. Então vagaremos de estrelas em
estrelas até podermos ter Corr Sairy de volta.
-
Não temos o que fazer, Confederado Antares. – Acrescentou Marcelle. – Corr
Sairy se entregou e aceitou o julgamento por achar ser o mais acertado. A
Confederação fez o que achou mais certo e o mandará para o exílio. Faremos o
que achamos correto e partiremos.
-
Acreditam mesmo nisso? – Disse Antares, olhando nos olhos de Marcelle, que
estava sentada na cadeira de piloto, no interior de S.E. – Acreditam que a
Confederação Galaxial agiu de forma confiável com Corr Sairy? Que ele teve a
justiça feita?
-
O que mais podemos achar, Confederado Antares? – Questionou S.E. – A Lei da
Confederação Galaxial não foi cumprida? – Antares olhava para todos os cantos
do interior de S.E, como se procurasse um rosto para olhar nos olhos, mas
sempre se deparava com o olhar de Marcelle:
-
Você acredita mesmo que a justiça fora feita, Marcelle Menken?
-
O que eu acho ou deixo de achar, Confederado Antares, não cabe aqui. Se a
Confederação Galaxial determinou a sentença, deixe que a executem. Nós
partiremos. – Naquele instante, Aryannin e Kotharyn adentraram em S.E. – Você
não suspendeu a passarela?
-
O que está acontecendo aqui? – Questionou Aryannin.
-
Megami Aryannin? Görkemli Kotharyn? O que fazem aqui? – Questionou Antares.
-
Acertou a pessoa, mas erraste o título, Confederado Antares. – Disse Kotharyn.
– E estamos aqui para acompanhar Marcelle Menken, para que não fique sozinha no
caminho que ela e S.E. pretendem trilhar.
-
Então nenhum de vocês nada fará para o socorro de Corr Sairy? – Era difícil
para os quatro entenderem onde Antares queria chegar, já que sua voz serena e
sua falta de expressividade facial não demonstravam seu sentimento de revolta.
– Se não pretendem fazer nada, eu pretendo e espero que Águia de Aço IV possa
me ajudar com isso.
-
Mas, Confederado Antares, e a Lei da Confederação Galaxial? – A voz de S.E.
soava preocupada.
-
Ela fora maculada e manipulada para favorecer alguém. Corr Sairy não foi
devidamente justiçado com a decisão. Fui seu acusador e sei bem que houve
equívoco na promulgação da sentença. E, por isso, peço que me ajude a recuperar
vosso amigo, Águia de Aço IV.
-
Primeiro, somente S.E. (eu prefiro assim!). – Disse S.E. – Depois, o que
poderemos fazer para ajudar Corr Sairy?
-
Existe a possibilidade de, em seu interior, bloquear nossos chips neurais, para
não serem detectados? Possui algum sistema de camuflagem? – Todos olhavam para
Antares enquanto ele questionava S.E.:
-
Sim, possuo um campo disruptor que me torna invisível aos sensores, bem como
qualquer sistema que estiver comigo, e sim possuo um sistema de camuflagem
yctométrico, o que não causa distorção na minha posição.
-
Então precisará ser ágil, - prosseguiu Antares com o plano – pois assim que a
câmara hibernária alcançar distância de Thrittan, ela fará o salto
hiperespacial. Quando ela estive em seu interior, você dará esse salto
hiperespacial...
-
Espere um momento. – Marcelle o interrompeu. – O Confederado pretende
“sequestrar” a câmara hibernária de Corr Sairy? Com qual propósito? E a
Confederação Galaxial, o que falará quando descobrir o que fez? Ou quando
descobrir que o Confederado-guerreiro desapareceu?
-
Pensarei nisso no momento acertado. – Respondeu Antares. – Neste instante,
penso em socorrer vosso pai. Corr Sairy é um ser nobre, que nunca pensara em
benefício próprio, somente, sempre dedicando-se a ajudar àqueles que se
aproximava. – Marcelle olhou concentradamente para Antares e então disse:
-
Vamos, S.E.
-
Mas Marcelle...
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