Enquanto saía de Thrittan, novamente, seu corpo foi atingindo pela eletrostática do planeta. Ao sair dali, ativou sua camuflagem e ativou o campo disruptor e esperou. Quando a câmara hibernária ficou perto dele, S.E. usou retro jatos de sua lateral e abriu a comporta. A camuflagem era como um campo e mantinha a pressão dentro dele. Assim que a câmara hibernária estava em seu interior, ele deu um salto hiperespacial, desaparecendo do sistema Vertus.
Corr
Sairy despertou e olhou a sua volta, reconhecendo o interior de seu amigo.
Sabia que estava seguro:
-
Você fez o que eu disse para fazer? – Questionou Corr Sairy, quando S.E. deu
uma pigarreada. – O que é isso? Tá com vírus?
-
Acho melhor você vir aqui para a frente, pois temos uma surpresa e tanto para
você... e acredite, nem eu e nem Marcelle planejamos isso. – Quando Corr Sairy
se dirigiu para a frente da nave, sua surpresa foi tremenda ao ver além de
Marcelle, três convidados inesperados:
-
Mas o que está acontecendo aqui? – Corr Sairy questionou, indignado. – O que
vocês estão fazendo aqui?
-
Eles vieram conosco. – Disse Marcelle se aproximando de Corr Sairy e
abraçando-o. – Sua voz está diferente ainda.
-
É o gás Hélio das câmaras hibernarias (ou algo parecido com ele). – Respondeu
S.E. – Como eu disse, nem eu e nem Marcelle planejamos isso.
-
Não, fui eu que planejei. – Disse Antares, se levantando de onde estava
sentado. – Só não esperava a Megami Aryannin e o krarrashin Kotharyn. Eu não
podia permitir que você fosse exilado em um meteoro.
-
Eu não ia ser exilado em um meteoro. – Disse Corr Sairy, aborrecido.
-
Não ia? Então você tinha um plano? – Questionou Antares.
-
Lógico que eu tinha um plano. Você acha que eu permitiria que a Confederação
Galaxial me mantivesse cinco k-rarrs em um meteoro, depois de Sharan provar que
sou inocente? Nunca ia concordar com aquele embuste. E por que vocês dois estão
aqui?
-
Porque a Megami percebeu que você pretendia isso. – Disse Kotharyn, se
levantando e mostrando ser o mais alto de todos, quase atingindo a cabeça no
teto do interior de S.E. – E como não pretendíamos voltar aos nossos planetas,
embarcamos em S.E. – Corr Sairy olhou para o gigante consternado, mas ignorou
aquilo tudo e foi para um compartimento no lado esquerdo de S.E. e retirou um
casaco longo e sem mangas, colocando-o. Sentou-se no cockpit de S.E. e o
questionou:
-
Aonde estamos no momento?
-
Comecei o rastreamento da arca dos Gêmeos. Recebi uma resposta do canto escuro
do satélite natural de Phrostarr, Akkunok, no sistema Ativakk.
-
Ainda estamos em salto hiperespacial?
-
Sim, e devemos chegar em breve em Akkunok.
-
Ótimo. – Corr Sairy se virou para todos. – Não era para vocês estarem aqui, com
exceção de Marcelle, mas já que estão, por favor, fiquem quietinhos e não me
atrapalhem.
-
Você me prometeu falar sobre o Galaxya? – Questionou Marcelle.
-
Você está atrás do Galaxya? – Indagou Aryannin.
-
O que é o Galaxya? – Perguntou Kotharyn. Corr Sairy estava para perder a calma,
mas olhou para Marcelle e percebeu que não deveria:
-
Calma todo mundo. Sim, Megami Aryannin, estou atrás do Galaxya, e sim, eu sei
que todos acreditam que seja um mito, mas encontrei dois dommæns que afirmam o
contrário...
-
Você conheceu dois dommæns? – Rebateu Antares. – Mas eu pensei que era uma raça
extinta.
-
Não, Antares, eles estão longe de estarem extintos, mas creio que Glulg e Blulb
são os últimos remanescentes. Para todos entenderem sobre isso (com exceção da Megami
Aryannin, que acredito conhecer bem a história) – Aryannin consentiu com a
cabeça – preciso que prestem atenção e não me atrapalhem. Acredito que dará
tempo de contar antes de chegarmos, não é S.E.?
-
Acredito que sim. Manda ver!
-
Está bem. Para falar sobre Galaxya, precisamos partir do princípio de tudo. Alguns
aqui conhecem o próprio princípio de suas histórias e da formação de seus
planetas, mas estou falando do começo de todo esse infinito que navegamos, que
na Terra é chamado de Universo.
“Outro
nome que na Terra se usa muito é Big Bang, a falta de algo para referenciar, é
o Grande Princípio. Quando tudo começou a surgir, duas raças foram as
primeiras, os dommæns e os suppærs. Um tinha uma forma que, na melhor forma
para me referir, pareciam cérebros gigantes em pé que rastejam como lesmas,
enquanto a outra raça era pura energia.
“Os
dommæns eram uma raça catalogadora, ou seja, andavam pelos sistemas estelares
em formação e identificavam o que nascia ou crescia em um planeta, ou mesmo
como se formavam os planetas, as estrelas, nebulosas, satélites, cometas,
asteroides, meteoros, meteoritos, e por aí vai. Já os suppærs somente
observavam, sem muita intervenção.
“Os
dommæns e os suppærs, na medida que achassem necessários, se automutiplicavam,
como seres unicelulares. Se vissem algo interessante em determinado sistema
estelar que precisassem catalogar ou observar, se dividiam e seu “outro” seguia
em frente.
“As
coisas ocorriam rápido demais e eram muitas informações para os dommæns
guardarem entre si, mesmo que trocassem informações telepaticamente. Então, um
grupo deles criou um gigantesco satélite onisciente para onde poderiam enviar
as informações que colhessem, este eles chamaram de Galaxya.
“À
medida que o Universo crescia, se expandindo e desenvolvendo, Galaxya foi
fazendo o mesmo consigo. Sua capacidade cognitiva o possibilitava total
autonomia, sem depender de ninguém para continuar a operar. Ele vagava pelo Cosmo,
catalogando seu desenvolvimento. Quando uma nova vida surgia ou mesmo uma nova
galáxia ou uma nova nebulosa, Galaxya estava lá para acompanhar. Além disso,
sua capacidade tecnológica é tão avançada que parte do que temos foi algo que
Galaxya já possuía há muito tempo.
“Quando
os dommæns começaram a não enviar mais informações para o Galaxya, outros foram
perdendo contato com ele. Quando conheci os Gêmeos (como os chamo) Glulg e
Blulb, eles que me contaram essa história e falaram que, mesmo não tendo mais
contato com o Galaxya, eles tinham uma forma de encontra-lo, mas temiam
fazê-lo, pois não sabe como o tecnoplaneta vivo (nome que eles me falaram)
reagiria a presença deles. Então é isso que faremos. Encontraremos Glulg e
Blulb e iremos atrás do Galaxya”.
-
Você não teme encontra-lo? – Questionou Kotharyn, deixando Corr Sairy
espantado. – O que lhe ocorre?
-
Nada demais. Sempre que narro o que os Gêmeos me contaram, todos dizem que são
mitos ou delírios de outras espécies.
-
Eu poderia dizer o mesmo. – Revelou Aryannin. – Mas vale a lembrança que sou a Megami
volosi e consigo, agora, me recordar de todas as minhas vidas anteriores, e
parte de seu relato tem cabimento. Da minha lembrança mais antiga me originei
da união de um ser sem forma distinta e um ser de luz. A única recordação desta
época é a palavra vida.
-
Eu não posso julgá-lo, pois nunca soube deste Galaxya. – Pontuou Antares. – Só
me surpreende que tinhas um plano de fuga desde o começo.
-
Vai voltar a tocar nesse assunto? – retorquiu Corr Sairy. – Pois bem, eu não
pretendia ser encarcerado de forma nenhuma. Permiti o julgamento, pois não
queria a Confederação Galaxial no meu calcanhar o tempo todo. Mas consegui uma
excelente defensora, que soube usar muito bem as provas que eu tinha e até
mesmo as que eu não tinha. Sinceramente, durante os argumentos de vocês quanto
ao crime de mercenarismo, pensei em intervir e pedir o direito de fala, mas
Sharan foi fantástica. Quando fui inocentado do assassinato (sem querer que
ocorresse daquela forma), sabia que não sairia dali facilmente, pois era a
única coisa que tinham contra mim, de verdade. Mas, de alguma forma, daria um
jeito de escapar, pois Galaxya é meu objetivo.
-
E se fosse mandado para o Satélite-prisão? – Replicou Antares. – Como faria
para escapar.
-
Confederado Antares, quantas vezes já esteve naquele Satélite-prisão? Mesmo com
todo o sistema dele automatizado, é fácil ludibria-lo. Antes mesmo de
identificarem minha fuga do local, eu já estaria distante. Agora, com vocês
aqui, as coisas se complicam. Principalmente com o Confederado-guerreiro. –
Corr Sairy enfatizou aquelas últimas palavras. – O que acha que ocorrera agora?
Os seus chips neurais não são iguais ao meu e de Marcelle. Possuem
configurações rastreáveis. Por mais que S.E. possa manter um campo disruptor,
isso gasta muito energia dele e ficamos longe de estrelas uma boa parte do
caminho. Terá um jeito, mas mesmo assim correremos riscos de sermos
rastreados...
-
Antes disso, chegamos. – Disse S.E. Podiam ver a arca a distância, mas sua
iluminação estava mais discreta do que da última vez. – Parece que os Gêmeos
pretendem se manter pouco detectáveis. – S.E. pousou e, novamente, um cabo se
interligou ao seu corpo, fazendo-o suspirar. Uma projeção surgiu no interior de
S.E.:
-
Corr Sairy, que bom vê-lo novamente. E trouxe companhia.
-
Percebi que estão mais discretos. – Corr Sairy falou com a projeção.
-
Sim, depois de deixarmos Gottakk de presente no Satélite-prisão da Confederação
Galaxial, não desejamos chamar muita atenção. Como bem sabe, para chegar até o
bar é necessário que vista seu traje de sobrevivência. Lá dentro, após a
harmonização atmosférica que lhe será proporcionada, poderá retirar o traje. Venham
até nós para conversarmos. – Quando a projeção se encerrou, todos estavam
estupefatos:
-
Eu vi o Confederado-mor Stahirr. – Disse Antares.
-
Eu vi uma linda krarrashin. – Exprimiu Kotharyn.
-
Eu vi um volosi, na verdade meu mais recente progenitor. – Percebeu Aryannin.
-
E eu vi Rissie. Como isso é possível? – Inquiriu Marcelle.
-
As projeções se ligam ao nosso córtex. Elas pegam alguma lembrança recente ou
alguém com quem nos importamos. As palavras faladas são as mesmas para todos,
mas vemos o que desejamos ver. – Finalizou Corr Sairy, pegando seus braceletes,
colocando o capacete e gerando o traje espacial. – Acredito que nenhum de vocês
precisem disso, então vamos lá. – A comporta lateral se abriu e a passarela se
estendeu para todos descerem.
Ao
chegarem na arca, a iluminação dourada, iluminando tudo, deixou todos
surpresos. Todos receberam os objetos minúsculos sobre eles, mas Antares
questionou:
-
O que são essas coisas sobre nós?
-
São dispositivos harmonizadores. Eles geram uma harmonização respirável a sua
volta, permitindo que você não morra. Vocês podem não precisar, mas todos devem
usar para entrar na arca dos Gêmeos. – Respondeu Corr Sairy.
-
Reparei que S.E. parecia satisfeito. – Disse Kotharyn.
-
Sim, ele adora isso aqui, pois os Gêmeos o tratam como qualquer um. Antes de
continuarmos, preciso deixar algo claro, os Gêmeos (como eu os chamo) não se
comunicam verbalmente entre eles, então a sua forma de falar é como um eco.
Eles repetem partes da fala um do outro para se expressar. Então não fiquem
surpresos, é normal. – Todos balançaram a cabeça em afirmação e se aproximaram
da bancada.
A
arca, em seu interior, estava com poucos visitantes. Alguns fumavam um cigarro
que deixava um olor inebriante no ar. O cheiro das bebidas adocicadas e
destiladas, também davam um aspecto de ambiente acolhedor. Todos se sentaram em
pequenos bancos flutuantes na bancada, mas foi Corr Sairy que falou o bartender
androide:
-
Ei, você é novidade, aonde estão Glulg e Blulb? – Foi quando as duas massas
encefálicas acinzentadas surgiram. Seu corpo delgado se rastejava pelo chão:
-
E então, Corr Sairy, você voltou? – Disse Glulg.
-
É, você voltou? O que você quer? – Disse Blulb.
-
É, você quer?
-
Vocês sabem muito bem o que eu quero. Vocês falaram que quando eu voltasse me
dariam o dispositivo.
-
Sim, também te falamos que o dispositivo não serve para nada. – Disse Blulb.
-
É, para nada. Faz eras que ele está inerte e não dá resposta. – Disse Glulg.
-
É, dá resposta. O que te faz achar que dará com você.
-
É, com você. O que pretende fazer para ele te responder.
-
É, te responder.
-
Eu pretendo procura-lo, algo que vocês não fazem há mais tempo do que o Galaxya
desapareceu. – Os Gêmeos não disseram nada por um tempo, até que Glulg começou:
-
Venha conosco. Está em nosso alojamento.
-
É, nosso alojamento. – Quando os outros se levantaram para acompanha-lo, Blulb
continuou. – Mas somente você deve vir, seus amigos devem ficar.
-
É, devem ficar. Aproveitem e experimentem alguns drinques.
-
É, alguns drinques. Perceberão que eles são feitos especialmente para vocês.
-
É, para vocês. – Corr Sairy lhes sinalizou para ficarem e falou para Marcelle,
especificamente:
-
Eu vou ficar bem. As bebidas deles são fantásticas. Experimente. Já volto. – E
se retirou com os Gêmeos, deixando seus companheiros para trás.
O
alojamento dos dommæns ficava acima do bar, na arca deles, e era um enorme
galpão com gavetas pequenas e gigantescas, com nada fora do lugar. O mais
interessante é que o piso também pareciam ser gavetas, pois haviam formatos dos
mais variados:
-
Isso aqui não é um alojamento, mas sim um depósito. – Disse Corr Sairy.
-
Sim, um depósito. Durante o período de existência do nosso predecessor e o
nosso, várias coisas são armazenadas aqui. – Disse Blulb.
-
É, armazenadas aqui. Tudo que ele juntou e o que conseguimos coletar estão
nesses compartimentos. – Completou Glulg.
-
É, nesses compartimentos.
-
O chão também? – Questionou Corr Sairy. – Pois as placas têm tamanhos bem
diferenciados.
-
Todo espaço é aproveitado, Corr Sairy. Este vão espaçoso é porque temos objetos
bem grandes guardados. – Começou Glulg.
-
É, grandes guardados. No geral, são objetos coletados dos satélites, meteoros
ou planetas mortos que pousamos. Queremos entender suas origens. – Disse Blulb.
-
É suas origens. Nosso predecessor e seu geminae também armazenaram muitas
coisas, bem como os antecessores deles.
-
É, antecessores deles. Aqui estão todas as coletas feitas, plantas, fósseis e
isto. – Disse Blulb tocando em um pequeno compartimento do lado esquerdo, que
flutuou na frente dos dois dommæns. – O Galaxya.
-
É, o Galaxya. – Concluiu Glulg.
-
Mas não tem nada aí! – Disse Corr Sairy, tentado visualizar alguma com seu olho
bom.
-
Ele está camuflado no momento. Ele usa o mesmo sistema de camuflagem que
fornecemos para o S.E. – Disse Blulb.
-
É, o S.E. Para ver o espectro dele quando estiver assim, precisará das lentes
que lhe demos. Você ainda as tem? – Questionou Glulg.
-
É, as têm? Pois com elas poderá vê-lo de qualquer forma, pois o espectro do
Galaxya possui uma frequência própria, como ocorre com S.E. quando está
camuflado.
-
É, camuflado. Vale deixar claro, também, que assim que se aproximar dele, com
ou sem camuflagem, a intensidade do espectro crescerá, como se fosse uma
estrela brilhando.
-
É, estrela brilhando.
-
Está certo, mas eu só tenho um par de lentes. Precisarei de mais, assim todos
que me acompanham poderão vigiar a detecção do Galaxya. Sem contar que eu
preciso neste momento, pois preciso leva-lo daqui. E S.E., ele possui essa
capacidade?
-
No momento que estamos conversando aqui, está sendo instalado nos olhos de S.E.
– Respondeu Glulg.
-
É, de S.E. – Continuou Blulb, indo na direção de outro ponto, menor ainda que o
anterior. Ao tocar, se desacoplou, com uma fumaça saindo. – Aqui estão mais
dois pares.
-
É, dois pares.
-
Mas somos em mais. – Disse Corr Sairy, pegando os dois estojos nas mãos, um
maior que o outro.
-
As lentes são feitas sob medida. Um destes pares é para você. – Iniciou Blulb.
-
É, para você. – Continuou Glulg. – O segundo é para o krarrashin.
-
É, o krarrashin. A terrana que lhe acompanha, ela absorve energia de estrelas e
conseguiria ver Galaxya a olho nu.
-
É, olho nu. O ser vermelho é irradiado por uma estrela vermelha, ele também
conseguiria ver Galaxya, com facilidade.
-
É, com facilidade. E a Megami volosi tem capacidades que lhe permitem encontrar
o Galaxya sem dificuldades.
-
É, sem dificuldades. Não precisará se preocupar com eles verem o Galaxya, mas
sim você e o krarrashin.
-
É, o krarrashin. – Concluiu Blulb. Corr Sairy abriu o estojo menor e viu dois
pequenos pontos no interior. Colocou seus dedos polegar sobre um os pontos e
direcionou ao seu olho esquerdo, aonde o ponto se ampliou cobrindo todo o olho.
Naquele instante Corr Sairy enxergou um brilho fosco e tímido em torno de um
globo e dirigiu sua mão para cima dele, que fugiu do seu contato:
-
Eu não consigo pegá-lo, por quê?
-
Não é necessário tocar nele. O Galaxya o seguirá, assim que sairmos daqui. –
disse Glulg.
-
É, sairmos daqui. O orientamos a ir com você.
-
É, com você.
-
Tá certo, Gêmeos. Então vamos descer, pois quero partir logo na busca.
-
Não esqueça, Galaxya pode lhe ser hostil. – Disse Blulb.
-
É, ser hostil. E talvez maior do que quando o construímos.
-
É, o construímos.
-
Antes preciso encontra-lo e este detector me ajudará. Ele fica visível?
-
Raramente, pois como vageia pelos sistemas estelares e alguns são habitados,
ele precisa passar imperceptível. – Começou Glulg.
-
É, passar imperceptível. Descobrimos, recentemente que ele consegue ficar
etéreo, possivelmente por causa das naus que trafegam pelo incomensurável.
-
É, pelo incomensurável.
-
Mas se existem seres como Aryannin, Marcelle e Antares para vê-lo...
-
Você não compreendeu, Corr Sairy. Quando falamos de Galaxya, falamos do objeto
que o acompanhará. – Começou Blulb.
-
É, o acompanhará. O Galaxya mesmo nem nós e nem estes que você nomeia o
enxergariam. A não ser que ele quisesse.
-
É, ele quisesse.
-
Então, quando falam Galaxya, estão falando deste detector? Por que não
explicaram antes. Por isso as pessoas não acreditam em vocês e acham dois
dommæns com histórias mirabolantes.
-
O que você chama de detector foi feito somente para nós, pois poderíamos
enxergá-lo e o brilho do espectro demonstraria a proximidade, quando
desejássemos. – Disse Glulg.
-
É, quando desejássemos. O que acontece com seus companheiros é que eles têm uma
ligação mais forte com o lado dommæn deles.
-
É, dommæn deles. Com exceção do ser vermelho. Acreditamos que existe algo com
os suppærs.
-
É, os suppærs. Você já tentou verificar isso?
-
É, verificar isso?
-
Sobre Antares? – Pensou Corr Sairy em voz alta. – Na verdade pensei que ele
tivesse ligação com terrano no passado, nunca pensei de um suppær. Mas os
suppærs são seres de luz, como poderiam ter uma forma física como a de Antares?
E será que ele é o renegado?
-
Não podemos dar certeza sobre nada disso. – Iniciou Blulb.
-
É, nada disso. O que podemos ver são as auras de seus amigos e a dele tem uma
forte concepção suppær.
-
É, concepção suppær. Se ele é o renegado, somente o tempo dirá.
-
É, tempo dirá. Mas garanto que não vimos nada hostil nele, somente curioso.
-
É, somente curioso. Quando aos suppærs terem forma humanoides, eles são como
nós, podem se metamorfosear, se desejarem.
-
É, se desejarem. Mas eles têm uma vantagem, não precisam de um geminae.
-
É, um geminae. – Após essa conversa, Corr Sairy estava com mais perguntas na
cabeça do que quando chegou, mas teria de se preocupar com isso depois. Eles
desceram ao andar e quando o elevador chegou ao bar, a fragrância extasiante
tomou as narinas de Corr Sairy. Ele olhou para seu ombro direito e o brilho
débil e esférico estava lá. Começou a caminhar na direção de seus companheiros
que pareciam descontraídos e conversando entre si. Marcelle o viu e correu em
sua direção:
-
Vocês demoraram. – Ela olhou para o ombro direito de Corr Sairy e viu a esfera
opaca lá. – O que é isso?
-
É o Galaxya. – Ele disse e depois se corrigiu. – Na verdade é o que nos ajudará
a detectar o Galaxya. – Antares e Aryannin pareciam enxergar, mas Kotharyn não
entendia o que ocorria:
-
Mas do que ela está a falar? Nada está ao teu lado.
-
Não consegue ver, Kotharyn? – questionou Aryannin. Ele olhou para a pequena Megami
e chacoalhou a cabeça em negação. Corr Sairy se aproximou dele e estendeu o
estojo grande:
-
Calma grandão. Dentro deste estojo está a possibilidade de ver o que somente
eles três veem.
-
Mas você não vê? – Questionou Antares. Kotharyn pegou o estojo e abriu, vendo
dois diminutos pontos escuros dentro:
-
O que devo fazer? – Perguntou à Corr Sairy:
-
Posicione dois dedos sobre os pontos e coloque sobre seus olhos abertos. – Ele
fez o que Corr Sairy pedira e, quando olhou sobre o ombro direito de Corr Sairy
viu o globo brilhando de forma tímida. – Sim, eu consigo vê-lo, como Kotharyn
também, agora. Este detector tem um espectro que não pode ser visto a olho nu,
a não ser que seja uma Megami ou dois seres irradiados por estrelas.
-
Agora sou um ser irradiado por uma estrela? – Argumentou Antares.
-
Antares (não vou mais chama-lo de Confederado, pois estamos longe da
Confederação), sinceramente, eu não sei o que ou quem você é, mas você consegue
ver o detector do Galaxya, então presumo que tenha a ver com isso. – Corr Sairy
não queria abrir totalmente o jogo naquele momento, então deixou o suspense no
ar, omitindo algumas coisas. Então se sentou no balcão e pediu um drinque ao
androide que servia.
Após
alguns momentos de pura descontração e conversa alheia na arca dos Gêmeos, Corr
Sairy e seus companheiros se dirigiram ao S.E. e saíram de lá. Ao entrarem em
S.E., este foi logo dizendo:
-
Então conseguiram o rastreador? – Corr Sairy olhou para seu ombro e o objeto
ainda estava ali:
-
Sim, consegue enxerga-lo?
-
Consigo de forma quase apagada, por que isso?
-
Porque ele deve estar bem distante. Consegue presumir a distância pela
intensidade do brilho.
-
Acredito que sim. Pela intensidade do brilho, creio que esteja fora desta
galáxia. Mesmo com o salto hiperespecial, levaríamos um k-rarr para chegar a
ele e, sinceramente, você sabe que nunca tentamos usar a Fenda Hipertemporal para
ir além desta galáxia. Nem sei se seria possível.
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