Quando S.E. entrou no sistema Volos, logo os sistemas identificaram a nave e correram para informar o Migoto Akonyionn:
-
Migoto, uma nave sem identificação adentrou em nosso sistema estelar. Creio que
seja o Corr Sairy. – Uma luz piscou no pulso do vigia. – Ele está querendo
fazer contato.
-
Transfira a chamada para cá. Enquanto isso, se comunique com a Confederação
Galaxial e peça para o Confederado Antares vir imediatamente. – O vigia então
transferiu a chamada e a forma holográfica de Corr Sairy surgiu a frente do Migoto
Akonyionn:
-
Migoto Akonyionn, como prometido, volto com o que requereu.
-
Preciso saber se cumpriu com o que combinamos. Preciso ver a Megami e o
krarrashin. – Requereu o Migoto, e a projeção de Corr Sairy parecia caminhar
dentro da nave até o fundo, onde estavam paralisados como pedras Aryannin e
Kotharyn:
-
Eu sempre cumpro o combinado e não gosto muito de mentiras. Antes de pousarmos,
peço que faça a transferência dos 50 créditos restantes, pois não pretendo
ficar muito tempo. Parece que a Confederação Galaxial deseja minha presença e
eu preciso fazer mais duas coisas antes de me entregar. – As palavras de Corr
Sairy surpreenderam o Migoto que pensou em ele sabia, mas ele providenciou a
resposta. – Quando estávamos a caminho, fui abordado pelos representantes de
Vulcallo. Acredito que eles não sejam os únicos desejando me prender, antes de
eu me entregar. Então faça a transferência, senão iremos embora. – O Migoto
ficou sem reação, mas pensou que, após Corr Sairy ser preso e encarcerado pela
Confederação, ele poderia requerer a devolução dos valores. Dessa forma,
transferiu o valor que restava:
-
Transferência efetuada.
-
Espere. – Corr Sairy parecia conferir a transferência e, algum tempo depois,
respondeu. – Está tudo certo. Esteja à espera de sua Megami e o krarrashin no
campo de recepção. Temos pressa! – Assim que a comunicação se encerrou, o Migoto
viu o vigia na porta de sua sala:
-
Então? Conseguiu se comunicar com a Confederação Galaxial?
-
Sim, Migoto. – Disse o vigia. – Eles disseram que já estavam comunicando com o
Confederado Antares. Ele deve chegar dentro em breve.
-
Então teremos que segurar Corr Sairy por mais tempo por aqui. Preciso de uma
tropa armada para intercepta-lo no campo de recepção. – E o Migoto saiu para ir
de encontro com Corr Sairy. O que ele não esperava é que Corr Sairy tinha
outros planos.
Antes
de chegarem ao espaço de detecção do sistema Volos, Corr Sairy tinha feito seus
próprios planos:
-
Bem, é hora de planejarmos. – S.E. e Marcelle não entenderam nada. – Como eu
tinha dito, tudo ao seu tempo. Como você me disse, S.E., Migoto Akonyionn está
me aguardando para se comunicar com o Confederado-guerreiro Antares. Assim ele
deve tentar me segurar no planeta para que o Confederado chegue e me leve.
Então, o que farei será pedir que faça a transferência dos créditos...
-
Mas isso não adiantará. Pelo que eu te conheço, você cumprirá com sua palavra e
levará Aryannin e Kotharyn até Volos VI, para a entrega. – Replicou S.E.
-
Sim, levarei para a entrega. – Corr Sairy repetiu. – Mas existe um atenuante
nisso tudo, que, no momento certo será revelado. S.E., quero que você monitore,
novamente, as comunicações de Volos VI, pois assim teremos certeza do tempo que
teremos até a chegada de Antares.
Então,
após entrarem no espaço de detecção, o plano se iniciou. Enquanto Corr Sairy
negociava a transferência, S.E. monitorava as comunicações e recepcionou a
conversa entre o vigia de Volos e a Confederação:
-
“Estou falando em nome do Migoto Akonyionn. Ele pediu para entrarmos em
contato, pois o assassino Corr Sairy de Crisyen entrou em nosso espaço e está a
caminho de nosso planeta. Ele sequestrou nossa Megami, com a ajuda de um
krarrashin, e veio negociar o resgate”.
-
“Informaremos de imediato ao Confederado Antares. Ele deverá chegar em breve,
pois está bem próximo de vocês. Segure-o o quanto puder”. – Quando S.E. ouviu
Corr Sairy falar “Espere”, logo transmitiu a comunicação para seu companheiro
e, através do chip neural, Corr Sairy lhe disse:
-
“Transfira o valor para Crisyen e liberte Aryannin e Kotharyn do Campo de
Êxtase”. – Ele sabia que era o momento chave do plano.
Quando
iniciaram o pouso, Corr Sairy, S.E., Marcelle, Aryannin e Kotharyn notaram as
tropas volosis esperando-os:
-
O que faremos? – Questionou Kotharyn.
-
Vocês? Nada. – Disse Corr Sairy. – Megami, preciso que você finja. – Aryannin
olhou para ele descrente. – Sei que você não sabe ainda quem é ou mesmo tem
conhecimento de toda a extensão de suas vidas passadas, mas, neste momento eles
precisam acreditar nisso. E, se eles acreditarem, temerão você.
Aryannin
teve dificuldades para compreender o que aquele homem de tapa-olho desejava:
-
Você quer que eu tente ludibriar àqueles que me adoram, fingindo já ser quem eu
não sou? – Aryannin questionou. – Sendo que, eu nem sei quem sou?!
-
Olha, enquanto você está tentando descobrir quem é, a maioria de nós tem um
conhecimento parcial. Se, nesta fase você conseguiu se transformar em luz e
detonar uma nave mãe do Domminon, possivelmente existe a possibilidade de ter
um conhecimento disso. Então, tudo que eu peço é que fale as palavras que S.E.
enviará para seu chip neural e o resto deixe com ele. – Mesmo incrédula,
Aryannin balançou a cabeça em confirmação.
Assim
que S.E. abriu sua porta lateral, uma tropa da guarda volosi os esperavam,
armados. Atrás deles pode-se ouvir a voz do Migoto Akonyionn:
-
Corr Sairy de Crisyen, em nome da Confederação Galaxial, o planeta Volos VI o
detém até a chegada com Confederado Antares, que lhe levará a Thrittan para ser
encarcerado e julgado pelos crimes de transporte ilegal, mercenarismo e
assassinato do Maghnussy de Maghnessy. Renda-se de forma pacífica.
-
“É hora do show!” – Comunicou Corr Sairy à S.E. Então, este circundou Aryannin
com um campo antigravitacional que a retirou da nave, flutuando e enviou ao
chip neural dela palavras que ela pronunciou de forma gutural:
-
Déspota! Ousas provir ameaças e desejas meu mal. Tentas obter-me para o Gisei!
Ameaças àqueles que jurei proteger e dar-lhes Morada! Não mereces o cargo que
ocupa e pagará por isso! – S.E. mapeou uma falha no solo, próximo a plataforma
de pouso que se encontrava e disparou um campo de energia, expandindo-o para
que causasse leves tremores, assustando o Migoto e a tropa volosi, que achavam
ser Aryannin a responsável por aquilo. Então, com a voz trêmula, Akonyionn
disse:
-
Seinaru Megami, entendeste mal. Só a queremos para a segurança de nosso
planeta! – A farsa continuou e S.E. enviou a seguinte frase para Aryannin, que
a pronunciou:
-
Ousas me questionar? Tu não pensas na segurança de nosso povo ou planeta, mas
sim no teu cargo que tua família tomaste e administra sem minha autorização.
Deveria eu destruir a ti e a todos pelos erros que cometeram comigo e refazer
tudo, novamente. – Os volosis largaram as armas que portavam, se ajoelhando e
curvando diante da Megami, enquanto Akonyionn se ajoelhava diante de Aryannin e
seus olhos enchiam de lágrimas. – Tua família tirou dos krarrashins aquilo que
eu lhes dera. Tua família tomou fortuna e poder que pertencem a todos. Por que
devo poupa-los, principalmente você? Responda-me! – Akonyionn temia a resposta,
mas tentou:
-
Perdoai-nos, louvada Aryannin. Poupai-nos por nossos atos. Meus ascendentes
erraram ao subjuga-la e aos krarrashins. – E curvou a cabeça, como os soldados
volosis. Aryannin sentia pena daquelas pessoas, mas continuou a pronunciar as
palavras que S.E. lhe enviava:
-
Ir-me-ei com meu captor e retornarei com aqueles que darão valor aos
krarrashins, possibilitando-lhes real justiça... me perdoem! – As últimas
palavras de Aryannin não haviam sido enviadas por S.E., pois ela falava do
próprio coração e, então, Akonyionn percebeu o ardil a olhar nos olhos enormes
e escuros da Megami e perceber lágrimas se formando:
-
É um embuste! – Ele gritou aos soldados que tomavam conhecimento que haviam
sido enganados. – Tomem suas armas. Não podemos permitir que eles fujam. – Mas antes
de qualquer ação, S.E. recolheu Aryannin e disparou um campo de êxtase em volta
dos senshi[1]
volosis e do Migoto Akonyionn:
-
Sabe o que é pior do que uma mentira, Migoto? – Uma projeção holográfica de
Corr Sairy surgia à frente de Akonyionn e seus homens, totalmente inertes e
impossibilitados de resposta ou ação. – Uma traição. Vocês me pediram um
serviço e pretendiam me entregar de bandeja à Confederação Galaxial, sendo que,
nem têm certeza se meus atos foram os que me acusam. Não sou muito fã de
traições. – Disse, apontando para seu tapa-olho. – E, como não cumpriu a sua
parte no trato, não tenho que cumprir a minha. Desta forma, tô indo e levando a
Megami e o grandão comigo. Espero nunca mais nos esbarrarmos. – S.E., então,
levantou voo e logo alcançou o espaço:
-
Ele já está aqui! – S.E. disse para todos dentro dele. Uma nave de um vermelho
brilhante surgiu diante deles. Ela não parecia tão ameaçadora, mas eles sabiam
que em seu interior estava uma grande ameaça. – Ele quer falar conosco.
-
Projete. – Pediu Corr Sairy à S.E. E a imagem de um enorme homem de vermelho
cintilante, trajando o uniforme de um confederado, é projetado na nave:
-
Corr Sairy de Crisyen, por ordens da Confederação Galaxial eu o detenho pelos
crimes de transportes ilegais, mercenarismo e assassinato do Maghnussy de
Maghnessy. Coloque sua nave emparelhada à minha e eu o levarei até Thrittan,
aonde será julgado e condenado pelos seus crimes.
-
Peraí. – Disse Corr Sairy. – Já serei condenado? Não terei direito a uma
defesa, pelo menos? – Antares, em pé no interior de sua nave olhava a projeção
daquele terrano de estatura média, com a cor de pele de um bronze escurecido, que
o olhava com um olho somente, não compreendendo seu questionamento:
-
Todos têm direito à defesa. – Respondeu Antares.
-
Ah tá. – Disse Corr Sairy. – Pensei que iriam tirar este direito de mim. Pois
eu tenho provas contra todas as acusações. – Antares não acreditou nas palavras
de Corr Sairy, mas mesmo assim disse:
-
Se têm provas, poderá apresenta-las. Estas serão submetidas a verificações e,
se forem verdadeiras, serão aceitas em sua defesa.
-
Sério. – Disse Corr Sairy em um tom de deboche que Antares não percebeu. – Que
bom que a Confederação Galaxial leva à justiça a sério. – Em contato com Corr
Sairy, S.E. falou-lhe:
-
“Só temos o problema do assassinato do Maghnussy”. – Corr Sairy não lhe
respondeu de volta (e nem precisava, ele sabia que era verdade) e então a
projeção de Antares voltou a dizer:
-
Emparelhe sua nave à minha e eu o levarei a Thrittan para ser julgado.
-
Antares. – Corr Sairy disse, como se ignorasse as ordens do confederado. –
Confederado-guerreiro Antares. O terror da Confederação Galaxial. O executor de
Ikken Bergg, de Callyns. O salvador da democracia galáctica. Você é bom, sabia?
– S.E. sabia que Corr Sairy estava enrolando, mas os outros que estavam no seu
interior não tinham a mínima ideia do que o caolho estava fazendo. – Então, fiz
uma breve pesquisa sobre você. “O asteroide onde ele foi encontrado era os
restos mortais de um possível planeta cujo nome seria Mæsttra”. Sabe o que é
mais estranho quanto a esse nome? Ele se assemelha a outro nome, Maestro, mas
não era um planeta. Você já ouviu o nome Julius Asimov? Se quiser, te dou um
tempo para uma pesquisa. – O semblante sorumbático de Antares não aparentou
mudar. – Não? Está bem, então eu lhe falo. Julius Asimov era um pioneiro. Eu
era fã dele! Quando ele tomou a decisão que a Terra precisava cruzar a
fronteira do seu sistema estelar, todos achavam que ele havia enlouquecido, mas
ele apresentou o projeto Odisseu. Então com apoio de várias corporações
mundiais que desejavam ir além dos planetas do sistema estelar Sol, explorando
outros sistemas próximos, ele iniciou a construção da nave Maestro. Lógico, até
chegar à nave que ele viajaria, foram feitos vários testes. Mas, em outubro de
3510, Ano da Terra, Maestro V partiu da Estação Espacial Hermes I, que orbitava
Saturno. Só que, depois disso, ele desapareceu. Tempos depois – pouco tempo
para a contagem de tempo da Confederação Galaxial, mas muito tempo para a Terra
– foram localizados os restos de Maestro V em um asteroide que circundava a Estrela
Antares. A expedição para localizar estes restos foram coordenadas por Lyn Xus,
usosayensi omkhulu[2]
de Phællans (um tipo de médico e cientista-chefe deles) – acho que você já
ouviu falar –, e eu tive o prazer de participar da expedição. O mais intrigante
é que não localizamos os restos mortais de Julius Asimov. Lyn Xus presumiu que
ele tinha virado pó estelar, pois existiam rastros de radioatividade estelar no
metal da nave, mas tinha um outro problema, o tempo que a nave estava naquele
asteroide parecia mais antigo do que o tempo que deveria estar, como se os
restos da nave tivessem sofrido um lapso temporal, ou seja, viajado no tempo.
-
“De onde você tirou essas informações? Eu não te passei isso!” – Questionou
S.E. a Corr Sairy.
-
“Eu me lembrei”. – respondeu Corr Sairy. – “Só precisava do gatilho para me
lembrar disso. E o gatilho foram as informações sobre Julius Asimov no Anima
Mundi”.
O
semblante de Antares parecia imutável, como se nenhuma daquelas informações o
afetassem, mas Corr Sairy continuou:
-
Então, Antares, pense comigo. Você veio de um asteroide que a Confederação
Galaxial acreditou ser os restos de um planeta chamado Mæsttra, pois era uma
das poucas palavras que você pronunciava. Do sistema estelar Sol, em meados do
século XXXVI, contagem da Terra, saiu uma nave com o nome Maestro V, com
destino ao sistema estelar Antares. Possivelmente, isso é hipotético, a nave de
Julius Asimov pode ter sido tragada por um miniburaco negro, causado por uma
tempestade estelar de Antares, lançando-o em um lapso temporal. Sem mais
delongas, você seria Julius Asimov... ou algo semelhante a isso. – Corr Sairy
olhava para os olhos rubros de seu provável carcereiro e percebeu uma pequena,
uma micro-mudança no brilho daquele olhar impassível, “ele entendeu”, Corr
Sairy pensou.
Enquanto
Corr Sairy falava, Antares usava ao máximo seu chip neural, examinando cada
detalhe que o crisyeno falava. Ele encontrou a semelhanças entre os nomes que a
Confederação criou para seu planeta com a nave de Julius Asimov. Ele verificou
que em K-Rarr 13, ele fora localizado com amnésia naquele asteroide durante o
Primeiro Período Exploratório da Confederação Galaxial e, em K-Rarr 833
Phællans enviou uma expedição para localizar restos da nave Maestro V e, quem
sabe, localizar os restos mortais de Julius Asimov. Ele localizou os registros
de Lyn Xus a respeito da possível causa mortis de Julius Asimov. E, quando
Corr Sairy lhe disse que ele poderia ser o cosmonauta terrano, algo acendeu
dentro de si.
Antares,
quando fora encontrado por Stahirr, Mas Htims, Dav Annon, Bavan Sheys e Goliath
Hitarr, no Primeiro Período Exploratório da Confederação,
tentou por vezes se lembrar de quem era e o que lhe acontecera. Mas passou-se o
tempo, e ele desistiu de tentar se concentrando em seus afazeres como membro
daquela associação que o recebeu. Até aquele exato momento, não lhe importava
nenhuma informação a respeito do seu passado... “Como Corr Sairy acendeu isso
novamente em mim?”, ele se questionou. De repente, uma luz brilhante tomava sua
nave. Ele se distraíra e Corr Sairy aproveitou-se disso:
-
O que está fazendo? – Antares questionou. – Mentiu para mim e agora tentas me
deter?
-
Olha. – Retrucou Corr Sairy. – Eu posso ser um mercenário (como vocês afirmam),
ter feito transportes ilegais de armas, suprimentos e pessoas (como a Terra
deve estar alegando), mas têm duas coisas que não sou e nunca serei, assassino
e mentiroso. Sei que consultou o Anima Mundi para conciliar minhas informações
e viu que tudo casa, então não lhe contei mentiras. Mas, eu não posso ir agora
para a Confederação Galaxial. Tenho umas coisas para fazer antes e, depois (eu
prometo), comparecei para ser inquerido e julgado. O campo em volta de sua nave
é um campo de contenção. Este campo tem o costume de ser bem resistente e
expansivo a qualquer disparo na intenção de dispersá-lo. O tempo que ficará em
volta de você será o suficiente para nos mandarmos daqui. Então, até daqui a
pouco, Antares. Nos veremos em Thrittan, dentro em breve.
Com
esta despedida, Corr Sairy pede que S.E. abra uma Fenda Hipertemporal e se
encaminham para um local distante do sistema Volos. Com a fenda se fechando
assim que S.E. passa, Antares se encontra impossibilitado de os localizar.
Instantes
depois, S.E. saía a uma pequena distância do quinto planeta daquele sistema
estelar de uma estrela laranja:
-
Odeio isso, - disse Corr Sairy – mas foi necessário. Bem-vindos ao sistema K-Rarr.
Marcelle
Menken pensou no nome que Corr Sairy falava e uma quantidade de informações
foi-lhe passada:
“K-Rarr
é um sistema estelar com uma estrela de grandiosidade 4 na Escala Menken, K-Rarr.
O sistema é composto de oito planetas, sendo o quinto, Phællans, habitado pelos
phællansis. Devido às viagens estelares dos phællansis, a Confederação Galaxial
– antes Confederação Vertusi – pode ampliar seus negócios. Sendo assim, a
contagem de tempo dos phællansis foi considerada como a ideal para a
Confederação Galaxial”, e Marcelle continuou:
“Phællans
é o quinto planeta do Sistema K-Rarr. O planeta tem um ambiente rico de fauna e
flora e a composição da atmosfera planetária se assemelha a de planetas como
Agufalgav, Crisyen, Kelkzerr, Maghnessy, Prismus, Terra e Thrarkus. Seus
habitantes vivem sobre um regime político de soberania parlamentarista, cuja
figura do Ubukhosi[3]
é a superior. Ele governa e determina aos seus parlamentares, que são
escolhidos nas cidades-estados do planeta, que as leis sejam cumpridas pelos
ministros que cada cidade-estado possuí”.
“Além
de um sistema estelar e o nome de uma estrela de grandiosidade 4 da Escala
Menken, K-Rarr também é a contagem de tempo oficial da Confederação Galaxial.
Um K-Rarr corresponde a uma translação do planeta Phællans em torno da estrela.
Cada K-Rarr é dividido em cinco rarrs, e cada Rarr é divido em 73 arrs. O
sistema foi adaptado para cada planeta da Confederação Galaxial, mesmo que se
diferencie. Por exemplo, em comparação com o planeta Terra, um K-Rarr corresponde
a, aproximadamente, dez anos terranos (buscada a semelhança ao seu planeta
natal). Muito viajantes, para não causar confusão aos planetas da Confederação
que visitam preferem não usar contagem de tempo, mas a própria Confederação
Galaxial, no planeta que se localiza, usa K-Rarr como sistema de contagem”.
-
Está surpresa? – Corr Sairy perguntou a Marcelle, como percebesse a pesquisa
que fizera.
-
Nunca poderia imaginar algo assim. – Disse Marcelle. – Qual o ano que a Terra
está agora?
-
Se formos contar no tempo da Terra, seria o ano de 5720 D.C. Mas, se colocarmos
a Terra na contagem da Confederação, ela está em 1026 k-rarrs...
-
1026? – Questionou Marcelle, em dúvida. – Mas não seria 572 k-rarrs?
-
Antes da conversão ao calendário gregoriano, já existia a Terra. As primeiras
civilizações datavam de mais de quatro mil anos antes. Mas, no calendário de
K-Rarr estamos em k-rarr 1070.96 – Marcelle não demorou muito para entender.
Mas nem Aryannin e Kotharyn entenderam do que eles falavam. De repente, sem
falar nada, a projeção de um ser que lembrava um felídeo surge no interior de
S.E.:
-
Corr Sairy, Lyn Xus o saúda e pede que pouse Águia de Aço na plataforma 15. Ele
avisará o Ababusi[4]
Li Kkan e Elizabeth da sua chegada. Ele pede que, como é procurado, mantenha o
sistema de comunicação nesta sintonia para não ser interceptada. – E a projeção
sumiu, S.E. disse:
-
Acho que você vai levar um esporro. – Todos se sentaram e prepararam para a
reentrada. Logo depois a nave pousava em uma plataforma flutuante em meio a um
ambiente próspero. Ao saírem de S.E., viram uma comitiva vindo em sua direção,
liderada por um enorme homem felídeo, de cabelos longos e cor de bronze. Ao seu
lado, uma mulher que não aparentava ter mais que cinquenta anos terranos. De
cabelos castanhos-prateados. A voz forte do líder da comitiva pode ser ouvida:
-
O que está fazendo por aqui? – Questionou Li Kkan. Seu semblante não era o mais
amigável. Já a mulher ao seu lado parecia complacente e amistosa. – Sabes o que
problema que pode nos causar se descobrirem que veio em busca de asilo?
-
Aí que se engana, Ubukhosi Li Kkan, não vim em busca de asilo. Vim deixar estes
três que me acompanham. – Respondeu Corr Sairy, o que deixou Marcelle, Aryannin
e Kotharyn perplexos. – E para que toda essa guarda? Pretende me manter em
cárcere?
Li
Kkan olhou com surpresa com as falas de Corr Sairy:
-
Logicamente que não. Lyn Xus que me encheria a paciência se não sair com este
acumulo nas minhas costas. – E a expressão taciturna se tornou leve e Li Kkan
soltou um riso estridente. – Seja bem-vindo, meu bom amigo. Vamos, temos muito
o que conversar. – E, com a tropa se pondo a frente deles, Corr Sairy seguiu ao
lado de Elizabeth e Li Kkan:
-
Olá, Ubukhosi Elizabeth, como estás? – Corr Sairy a perguntou e, somente obteve
um sorriso de retorno.
Depois
de uma caminhada naquele lugar extremamente rico, eles chegaram a uma
cidade-estado esplendorosa e pulsante, com pessoas nas ruas que passavam e
cumprimentavam com um sorriso seu líder. No centro da cidade tinha um palacete
tão deslumbrante quanto a cidade, com uma escadaria que parecia leva-los aos
céus do planeta. No final da escada, estava um homem que parecia idoso,
esperando por eles:
-
Então o bom filho a casa retorna. – Disse Lyn Xus. O que mais surpreendeu
Marcelle, Aryannin e Kotharyn é que os olhos do homem eram turvos, as írises
eram da cor da esclerótica. – Os jovens que o acompanham devem estar pensando
como eu enxergo. Bem, eu não enxergo. – E deu um longo sorriso.
Todos
adentraram no palacete, que cintilava como uma estrela amarela. Um extenso hall
de entrada se alongava na frente deles, mas eles adentraram em uma porta
localizada à esquerda, aonde se depararam com uma mesa grandiosa, cheia de
cadeiras à sua volta:
-
Sentem-se – Convidou Elizabeth. – Traremos algo para degustarem. – E saiu.
Todos se sentaram, tendo na ponta próxima deles, Li Kkan e, a sua direita, Lyn
Xus:
-
Então, - questionou Li Kkan – o que te traz aqui? Está sendo procurado por
crimes que são difíceis de acreditar que cometera, principalmente assassinato.
– De repente o ambiente se encheu de outros phællansis que cumprimentavam Corr
Sairy, como se vissem um velho amigo. Eles se sentaram em locais que estavam
vazios na grande mesa. Elizabeth e um grupo de outros phællansis, trouxeram
vários pratos de comida, algo que Marcelle, principalmente, nunca
experimentara:
-
Vai se acostumando, Estrelinha. – Disse Corr Sairy à jovem, com um sorriso. –
Aqui eles te tratam com toda a pompa. – Então, Corr Sairy continuou falando
direto para Li Kkan, que agora tinha Elizabeth ao seu lado. – Não quero lhes
causar problemas. Só vim deixá-los aqui, pois sei que dariam salvaguarda a
eles. Esta é a Megami Aryannin... – e antes de continuar, Li Kkan o bloqueou:
-
Espere. Você trouxe para cá a Megami dos volosis? Corr Sairy sabe o problema
que pode ter arranjado com isso? Qual ciclo de vida ela está?
-
Estou próxima dos meus dezesseis ciclos, Ubukhosi Li Kkan – Respondeu Aryannin,
se levantando do seu lugar. – Estou ciente que, neste momento deveria estar
sendo preparada para o Gisei no hi, mas acredito que não era para ser bem
assim.
-
Megami Aryannin – retrucou Li Kkan –, eu não tenho como entender o que ocorre
no planeta-base de seu povo, mas devemos respeitar as leis em vigência dos
planetas-membros da Confederação Galaxial, sem interferir. Somente assim para
manter a ordem na Confederação...
-
E se a lei em vigência, não for a lei correta, Ubukhosi Li Kkan? – Questionou
Aryannin. – Só tem um ser vivo que pode estabelecer leis no meu planeta e esta
sou eu. – Li Kkan ficou sem reação, então Elizabeth interveio:
-
Megami Aryannin, nos perdoe. Como meu umyeni[5]
disse, não temos como entender o que ocorre no planeta-base de seu povo. Sendo
assim, és bem-vinda a Phællans... e quanto a este que lhe acompanha?
-
Me chamo Kotharyn, Ubukhosi Elizabeth, sou um krarrashin. Eu retirei a Megami
Aryannin de seu planeta para conseguir sua liberdade e a do meu povo. – Então
foi a vez de Lyn Xus falar:
-
Os krarrashins eram um povo que viviam no planeta Volos III, não é? – Kotharyn
concordou com a cabeça. – Eles foram tornados escravos após estabelecerem o Gisei
no hi da Megami Aryannin.
-
Mas foi uma lei que eu não estabeleci. – Disse Aryannin. – Ubukhosi Li Kkan,
entendo que não desejas se meter nas políticas e leis de outros planetas. Na
verdade, não sabíamos que Corr Sairy nos traria até aqui. Então, caso não
deseje nos dar o asilo que ele pede que nos dê, pedimos uma nave para seguirmos
por um caminho que não precisemos retornar para Volos VI, pelo menos até eu
completar meus dezesseis ciclos, quando terei total consciência de quem sou.
Daí então retornarei ao meu sistema estelar e reestabelecerei as leis como
devem ser. – Corr Sairy sabia que, mesmo não gostando de se envolver em
políticas de outros planetas, Li Kkan era intolerante a qualquer injustiça,
principalmente por ser uma pessoa que conhecia bem a própria história de seu
povo. Ele sabia que Li Kkan ponderava cada uma das palavras de Aryannin, mas
não falaria naquele momento, sendo assim, Corr Sairy interveio:
-
Ubukhosi Li Kkan, somente peço que eles fiquem aqui até tomar a decisão correta
e acertada. Caso não os queira, faça o que a Megami Aryannin lhe pede. Sabe que
é o mais certo. – Li Kkan olhou para Corr Sairy e um breve sorriso surgiu em
seu rosto:
-
Megami Aryannin, eu não sou um tirano e, acredite, entendo que leis devem ser
cumpridas por aqueles que as estabelecem. Aqui estabelecemos em Conselho,
reunindo cada um dos meus conselheiros e os ministros das Cidade-Estado de
Phællans para ver o que é melhor para o planeta. Como Lyn Xus disse, os que
governam seu planeta aparentam descumprir o que criaste. Pensando nisso,
concordo com minha unkosikazi e manteremos você aqui, em asilo, bem como o
krarrashin. E, Corr Sairy, para com as formalidades, sabe que odeio isso,
principalmente quando estamos entre nossos pares. E quanto a esta jovem... como
se chama?
-
Me chamo Marcelle Menken, Ubukhosi Li Kkan... – Os olhos de todos se
arregalaram e foi a vez de Elizabeth, com a voz quase embargada, falar:
-
Filha de Thiago e Marcela? Corr Sairy, você encontrou a filha de Thiago e
Marcela? – Percebendo que Elizabeth estava comovida, Corr Sairy explicou tudo
para eles. Ainda com lágrimas aos olhos, Elizabeth falou ao final da
explicação. – Minha jovem, seus pais eram pessoas únicas. Fico feliz de voltar
a vê-la. Quando lhe conheci era um bebê. Todos choramos a perda de sua mãe.
Quando soube do falecimento de seu pai, pensei que teria um destino como cobaia
da Terra. Ainda bem que Corr Sairy não permitiu isso. Uma pena que demorou
tanto para ser encontrada, mas a tecnologia da Terra era primitiva. Parece que
o universo não é tão grande quanto pensamos, não é Corr Sairy? – E o caolho
sorriu para Elizabeth.
A
conversa permaneceu descontraída no local, até que Corr Sairy se levantou:
-
Bem, está na hora de eu ir. – Marcelle ia se levantar para acompanha-lo, quando
ele a interrompeu. – Você ficará aqui. – Ela ficou surpresa:
-
Por quê? Não me quer como companhia?
-
Não é isso. – Ele disse. – Eu preciso fazer mais uma coisa e depois me
entregarei a Confederação Galaxial. Você estará muito bem aqui. Não existe
local melhor para ficar. – Lágrimas surgiam nos olhos de Marcelle. Li Kkan
olhava para o amigo com profusão, enquanto Elizabeth o olhava com encanto. Os
demais conselheiros de Li Kkan admiravam Corr Sairy com respeito. Aryannin e
Kotharyn o observavam com agradecimento nos olhos. Então, Lyn Xus levantou e
falou:
-
Te acompanharei até a pista de pouso. – E os dois saíram. Durante o caminho não
trocaram palavras, foi um silêncio respeitoso. Ao chegarem até S.E., Lyn Xus
acariciou a nave como se pousasse a mão no ombro de um amigo:
-
“O que será de você, Águia de Aço?” – Questionou Lyn Xus através do chip
neural:
-
“Não sei, Lyn Xus. Talvez eu volte e fique aqui, aos seus cuidados”. –
Respondeu a nave. Corr Sairy então falou com o velho usosayensi omkhulu:
-
Lyn Xus, peço que avise a Ja Kris que me encontre com seus representantes na
região 14 do sistema Pokaar.
-
E o que você vai fazer naquele sistema desabitado? – Questionou Lyn Xus. – Não
tem nada lá.
-
Vou encontrar os Gêmeos. – Respondeu Corr Sairy. – S.E. recebeu a última
localização deles há pouco tempo atrás. Aqueles nômades decidiram colocar o bar
deles lá. Nunca se sabe quanto tempo permanecerão até a próxima jornada deles.
Preciso vê-los.
-
Vai novamente atrás de um mito? – Questionou Lyn Xus.
-
Eles me fazem acreditar que é mais que um mito. – Disse Corr Sairy. – E
prometeram me provar que é mais que um mito.
Lyn
Xus abraçou o amigo e Corr Sairy embarcou em S.E., que desenhou as coordenadas
e colocou Corr Sairy em sono hibernário.
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