Em Thrittan, o Confederado-mor Stahirr recebe um chamado de Antares:
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Confederado-mor Stahirr, Confederado Antares se reportando, referente a captura
do mercenário Corr Sairy...
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Continue, Confederado Antares.
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Confederado-mor Stahirr, Corr Sairy escapou e não sei aonde ele pode estar. Ele
me ludibriou e fui capturado em um campo que ele chamou de Campo de Contenção.
Ele desapareceu em uma Fenda Hipertemporal que eu não consegui rastrear.
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O mesmo ocorreu com a alakaʻi dos representantes de Vulcallo, Risan Cloniech, e
sua tropa. Eles foram contidos em um Campo de contenção no quadrante nove da
Estrela-anã Mokhitra. De acordo com Risan Cloniech, Corr Sairy estava com três
passageiros, pelo escaneamento térmico que fez antes de ser contida. Confirma a
informação.
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Sim. Fui até Volos VI e falei com o Migoto Akonyionn. Aparentemente, Corr Sairy
e uma outra passageira ajudaram um krarrashin a sequestrar a Megami Aryannin. O
Migoto pediu-nos para registrar mais este crime de Corr Sairy, sequestro da Megami
Aryannin que é uma clara quebra do artigo 5 da Lei da Confederação Galaxial, já
que Aryannin é o ponto máximo a governança do planeta e necessitava ser
sacrificada, de acordo com a tradição.
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Incluirei este crime, também, aos demais. O acusado Corr Sairy lhe disse mais
alguma coisa, Confederado Antares? – Antares pensou em informar ao
Confederado-mor Stahirr sobre o que Corr Sairy o havia contado, a respeito de
sua história, mas achou irrelevante:
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Somente disse que, após fazer algumas coisas que necessitava, me encontraria em
Thrittan. Deseja que eu tente rastreá-lo?
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Não acho que seja possível. Com certeza ele deve estar se mantendo distante de
qualquer local que possamos identifica-lo e, se possui Fendas Hipertemporais irrastreáveis,
não será tão fácil sabermos dele. Volte para Thrittan, Confederado Antares. Com
certeza, em breve, teremos notícias dele.
Assim
que a transmissão foi encerrada. Stahirr convocou o Confederado da Terra,
Victor Cambasi, e seu suplente no cargo de Confederado-mor, o Confederado
Goliath Hitarr, de Bhlokyonss. Assim que Victor Cambasi chegou, Stahirr
apontou-lhe a cadeira na frente de sua mesa, enquanto Goliath Hitarr se sentava
ao seu lado:
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Bem-vindo, Confederado Victor Cambasi. Me fale mais deste Corr Sairy. – Cambasi
deu um sorriso lateral de deboche:
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Bem, Corsário era um cientista no planeta Terra, mas assim que sua esposa e
filha morreram em um acidente automobilístico, ele voltou à ativa como coronel
das Forças Armadas da Terra. A patente ele adquiriu quando serviu ao Corpo de
Fuzileiros da Terra. Se graduou em nanotecnologia e era um dos melhores
pilotos. Quando adquiriu a patente de coronel, decidiu se dedicar a
nanoengenharia ao invés do Corpo de Fuzileiros. Após o falecimento de sua
família, ele se reinscreveu e a Força Terra-Espaço o contratou para fazer os
serviços de transporte entre a Terra e os planetas da Confederação Galaxial.
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Então a Terra tinha ciência de que... este Corr Sairy fazia os transportes
ilegais? – Questionou Goliath Hitarr.
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Não, Confederado Goliath Hitarr. – Respondeu Cambasi, com a testa brilhando
devido ao questionamento pertinente. – Enquanto o buscávamos para julgamento
pelos seus crimes, descobrimos que sua nave terminou abordada por alguns de
seus clientes, creio eu. Ele desapareceu e pensávamos que ele tinha morrido,
quando ressurgiu em Phællans. Aparentemente, ele auxiliou os phællansis no
transporte de mercadorias para os crisyenos. Não sei como conseguiu que os
crisyenos aceitassem ele e lhes dessem este nome, então ele começou a usá-lo.
Soube que ele também andou fazendo serviços em Kelkzerr, Agufalgav, Maghnessy (aonde
ele praticou o regicídio) e, agora, em Volos VI, que não sei o que fazia lá.
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De acordo com informações, Corr Sairy, junto com uma jovem e um krarrashin
sequestraram a Megami Aryannin, de Volos VI, interrompendo seu Gisei. O Migoto
Akonyionn pediu-nos para registrar mais esta queixa contra ele. – Informou
Stahirr. – Obrigado pelas...
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Ah sim, - cortou Cambasi – existem suspeitas que aquele grupo de renegados e
terroristas pensaram em Corsário para integra-los, mas ele estava ajudando os kelkzerrins
no estabelecimento de um governo em Desharr.
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Ele se envolve muito nos problemas dos outros, não? – Argumentou Goliath
Hitarr. – Mas antes que Cambasi viesse a responder, Stahirr falou:
-
Bem, agradeço pela informações, Confederado Victor Cambasi. Se precisarmos de
mais informações, o chamaremos. – E Victor Cambasi saiu da sala do
Confederado-mor, percebendo que incitara ainda mais a aversão da Confederação
Galaxial com Corr Sairy.
Bem
distante dali, Corr Sairy despertava, pois eles se aproximavam do sistema
Pokaar. Em uma pequena esfera rochosa, percebia-se uma iluminação pulsante e,
na medida que S.E. se aproximava do local, quase dava para sentir o calor que
vinha daquela iluminação:
-
Os Gêmeos capricharam desta vez. – Disse S.E. – Queriam mesmo atrair pessoas
para cá.
Como
se fosse o centro daquela diminuta esfera que pairava no espaço, estava uma
arca espacial. Com quase 4 mil metros, a arca tinha uma aparência incomum, que
mais lembrava um ovo. O metal que a revestia era totalmente reluzente e Corr
Sairy já comprovara sua resistência, tanto que os Gêmeos lhe indicaram aonde
consegui-lo e Corr Sairy o usou para construir S.E.
Assim
que pousaram, cabos se conectaram a S.E.:
-
Eu amo os Gêmeos. – E uma projeção feminina humana surgiu na frente de Corr
Sairy:
-
Bem-vindo de volta Corr Sairy. Como bem sabe, para chegar até o ithaveni[1]
é necessário que vista seu traje de sobrevivência. Lá dentro, após a
harmonização atmosférica que lhe será proporcionada, poderá retirar o traje.
Blulb e Glulg estão esperando por você! – Então, Corr Sairy colocou dois
braceletes e apertou-os, simultaneamente, fazendo surgiu sobre seu traje
formal, um traje de sobrevivência espacial. O traje se conectou as botas de
Corr Sairy e selou-o hermeticamente. Ele colocou seu capacete e o traje se
acoplou a ele:
-
Você ficará bem? – Corr Sairy perguntou, com a voz abafada, dentro do traje.
-
Eu já estou bem. – Respondeu S.E., suspirando, como se relaxasse. Corr Sairy
então se dirigiu à arca dos Gêmeos. Ao chegar na porta, um minúsculo
dispositivo flutuou sobre ele e informou ao seu traje que o ambiente a sua
volta estava respirável: “78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e 1% de outros
gases necessários para sua sobrevivência. Pode desligar o traje”. Ao entrar, retirou
o capacete e reparou que o local era iluminado por uma luz dourada e bem viva,
não permitindo que as pessoas se escondessem em cantos escuros. Alguns rostos
Corr Sairy já conhecia, pois encontrara em outras visitas, já outros eram
novos:
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Ora, ora, ora, se não temos Corr Sairy adentrando no bar. – Disse uma voz
metalizada, vinda de um homem com a pele arroxeada e que tinha dez olhos
azulados. – Fiquei sabendo que estão te caçando, Corr Sairy. De quanto seria a
recompensa?
-
Acredito que não seja pra você está recompensa, Gottakk. – Respondeu Corr
Sairy. – Ainda mais com sua ficha de crimes maior do que a minha... Ah, e como
está o Vizir de Thrarkus? Vivo? Lembre-se, aqui é Zona Neutra. Se não quiser
aborrecer os Gêmeos é melhor parar com esta ameaça idiota. – E Corr Sairy
apontou na direção de uma nano câmera que se aproximava.
Corr
Sairy continuou seu caminho até chegar a um balcão extenso, que tinham duas
massas acinzentadas e disformes atrás dele. Eles preparavam drinques e este
eram teletransportados para as mesas que haviam pedido:
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Corr Sairy, que bom vê-lo – Disse o ser mais próximo do balcão. O outro também
se aproximou:
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É, bom vê-lo. O que veio fazer aqui? – Questionou o que se aproximava.
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É, fazer aqui? Veio saber mais do Galaxya?
-
É, do Galaxya?
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Vocês sabem o que eu vim fazer aqui. – Corr Sairy disse às duas massas disformes.
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Não podemos atende-lo agora, temos muitas bebidas para servir.
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É, para servir. Espere até o final que o atenderemos.
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É, o atenderemos. Por que não aproveita e bebe algo?
-
É, bebe algo. Podemos servir aquele drinque que você ama e diz ter gostinho de
casa.
-
É, de casa. – Corr Sairy conseguia entende-los, já se acostumara com o jeito de
Blulb e Glulg falarem. Como era Dommæns, eram seres que não precisavam se
comunicar verbalmente. Eles eram como massas encefálicas ambulantes. Sua
comunicação era toda telepática, então quando falavam, pareciam ser ecos, um do
outro:
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Eu não tenho tempo para isso. A Confederação Galaxial vai me colocar em uma
cela, me julgar e, com certeza, me mandarão para exílio. Eu preciso disso
agora. – Blulb e Glulg pararam por um instante se entreolharam. Então Glulg
falou:
-
Se você será exilado, não cumprirá o nosso acordo.
-
É, nosso acordo. Você não estará apto para encontrar o Galaxya.
-
É, o Galaxya. Quanto tempo ficará exilado?
-
É, ficará exilado?
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Eu não pretendo ficar exilado. – Corr Sairy os respondeu. – Eu pretendo ser
inocentado e ir atrás do Galaxya.
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Então, entregaremos a você quando for inocentado. – Disse Blulb.
-
É, for inocentado. Até lá, o artefato ficará conosco.
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É, ficará conosco. Quando sair de lá, nos procure novamente.
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É, procure novamente. – Aquilo deixou Corr Sairy frustrado. Ele só tinha ido
até ali para pegar o artefato, mas não ia rolar e ele sabia disso. O problema
era aonde eles estariam quando ele saísse de lá, pois os Dommæns são nômades.
Poucos deles haviam sobrevivido ao tempo. De acordo com as histórias de ambos,
eles viram o Universo surgir, ao lado dos Suppærs, uma raça de seres feitos de
luz. Enquanto os Dommæns catalogavam as espécies que surgiam no Cosmo, os
Suppærs observavam o desenvolvimento de cada uma. Às vezes, eles mesmo criavam
as raças que surgiam no Universo. Na história que Corr Sairy ouvira dos Gêmeos,
os Dommæns foram responsáveis pela criação dos carbonados, enquanto os Suppærs
se envolveram no surgimento dos elementais. Com sua capacidade de reprodução
unicelular, eles tinham facilidade de se gerar, mas a constante reprodução os
enfraquecia, então, com o tempo, tanto os Dommæns quanto os Suppærs começaram a
desaparecer do Cosmo. Mas antes de desaparecerem, os Dommæns haviam criado o
Galaxya, um tecnoplaneta vivo, que Corr Sairy ambicionava conhecer.
Saindo
da arca dos Gêmeos sem nada, Corr Sairy regressou para S.E.:
-
“Vamos embora”. – Ele disse, com uma voz frustrada.
-
“Mas eu estava começando a relaxar”. – S.E. respondera, quando percebeu que
Corr Sairy foi seguido. – “Tem alguém no seu encalço”. – E um disparo atingiu
um campo de energia que S.E. ergueu rapidamente, enquanto Corr Sairy entrava:
-Mas
quem pode ser? – E quando uma projeção surgiu a sua frente, ele reconheceu
Gottakk. Enviou um comando para que S.E. erguesse um campo de êxtase em volta
do assassino. Mesmo que o planeta de Gottakk não fizesse parte da Confederação
Galaxial, ele usava um tradutor auricular, que comprou com os Gêmeos, então
Corr Sairy projetou uma mensagem para ele. – Então, Gottakk, foi assim que tentou
matar o Vizir de Thrarkus? Pelas costas? Bem, eu poderia deixa-lo sem
transporte, mas sei que S.E. não é muito a favor de destruição de naves. Sendo
assim, deixarei você nas mãos dos Gêmeos, eles decidirão o que fazer com você,
pois mesmo que não estejamos no bar, ainda estamos no local que eles
escolheram, então você descumpriu a lei dos Gêmeos. Até nunca mais, Gottakk! –
E S.E. começou a erguer voo, enquanto pequenos dispositivos vinham da arca dos
Gêmeos para carregar o assassino, totalmente congelado, para dentro.
Quando
S.E. já ganhava distância, Corr Sairy percebeu um enorme Portal Hiperespacial
se abrindo:
-
Isso não está certo. – Ele disse para S.E. – Imagine o que uma fenda deste
tamanho pode causar ao espaço-tempo?
A
fenda não parecia se fechar então ele pediu a S.E. que atingisse uma velocidade
maior. Quando chegou perto da tropa phællansi, iniciou contato com Ja Kris:
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