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quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Os Gêmeos

Em Thrittan, o Confederado-mor Stahirr recebe um chamado de Antares:

- Confederado-mor Stahirr, Confederado Antares se reportando, referente a captura do mercenário Corr Sairy...

- Continue, Confederado Antares.

- Confederado-mor Stahirr, Corr Sairy escapou e não sei aonde ele pode estar. Ele me ludibriou e fui capturado em um campo que ele chamou de Campo de Contenção. Ele desapareceu em uma Fenda Hipertemporal que eu não consegui rastrear.

- O mesmo ocorreu com a alakaʻi dos representantes de Vulcallo, Risan Cloniech, e sua tropa. Eles foram contidos em um Campo de contenção no quadrante nove da Estrela-anã Mokhitra. De acordo com Risan Cloniech, Corr Sairy estava com três passageiros, pelo escaneamento térmico que fez antes de ser contida. Confirma a informação.

- Sim. Fui até Volos VI e falei com o Migoto Akonyionn. Aparentemente, Corr Sairy e uma outra passageira ajudaram um krarrashin a sequestrar a Megami Aryannin. O Migoto pediu-nos para registrar mais este crime de Corr Sairy, sequestro da Megami Aryannin que é uma clara quebra do artigo 5 da Lei da Confederação Galaxial, já que Aryannin é o ponto máximo a governança do planeta e necessitava ser sacrificada, de acordo com a tradição.

- Incluirei este crime, também, aos demais. O acusado Corr Sairy lhe disse mais alguma coisa, Confederado Antares? – Antares pensou em informar ao Confederado-mor Stahirr sobre o que Corr Sairy o havia contado, a respeito de sua história, mas achou irrelevante:

- Somente disse que, após fazer algumas coisas que necessitava, me encontraria em Thrittan. Deseja que eu tente rastreá-lo?

- Não acho que seja possível. Com certeza ele deve estar se mantendo distante de qualquer local que possamos identifica-lo e, se possui Fendas Hipertemporais irrastreáveis, não será tão fácil sabermos dele. Volte para Thrittan, Confederado Antares. Com certeza, em breve, teremos notícias dele.

Assim que a transmissão foi encerrada. Stahirr convocou o Confederado da Terra, Victor Cambasi, e seu suplente no cargo de Confederado-mor, o Confederado Goliath Hitarr, de Bhlokyonss. Assim que Victor Cambasi chegou, Stahirr apontou-lhe a cadeira na frente de sua mesa, enquanto Goliath Hitarr se sentava ao seu lado:

- Bem-vindo, Confederado Victor Cambasi. Me fale mais deste Corr Sairy. – Cambasi deu um sorriso lateral de deboche:

- Bem, Corsário era um cientista no planeta Terra, mas assim que sua esposa e filha morreram em um acidente automobilístico, ele voltou à ativa como coronel das Forças Armadas da Terra. A patente ele adquiriu quando serviu ao Corpo de Fuzileiros da Terra. Se graduou em nanotecnologia e era um dos melhores pilotos. Quando adquiriu a patente de coronel, decidiu se dedicar a nanoengenharia ao invés do Corpo de Fuzileiros. Após o falecimento de sua família, ele se reinscreveu e a Força Terra-Espaço o contratou para fazer os serviços de transporte entre a Terra e os planetas da Confederação Galaxial.

- Então a Terra tinha ciência de que... este Corr Sairy fazia os transportes ilegais? – Questionou Goliath Hitarr.

- Não, Confederado Goliath Hitarr. – Respondeu Cambasi, com a testa brilhando devido ao questionamento pertinente. – Enquanto o buscávamos para julgamento pelos seus crimes, descobrimos que sua nave terminou abordada por alguns de seus clientes, creio eu. Ele desapareceu e pensávamos que ele tinha morrido, quando ressurgiu em Phællans. Aparentemente, ele auxiliou os phællansis no transporte de mercadorias para os crisyenos. Não sei como conseguiu que os crisyenos aceitassem ele e lhes dessem este nome, então ele começou a usá-lo. Soube que ele também andou fazendo serviços em Kelkzerr, Agufalgav, Maghnessy (aonde ele praticou o regicídio) e, agora, em Volos VI, que não sei o que fazia lá.

- De acordo com informações, Corr Sairy, junto com uma jovem e um krarrashin sequestraram a Megami Aryannin, de Volos VI, interrompendo seu Gisei. O Migoto Akonyionn pediu-nos para registrar mais esta queixa contra ele. – Informou Stahirr. – Obrigado pelas...

- Ah sim, - cortou Cambasi – existem suspeitas que aquele grupo de renegados e terroristas pensaram em Corsário para integra-los, mas ele estava ajudando os kelkzerrins no estabelecimento de um governo em Desharr.

- Ele se envolve muito nos problemas dos outros, não? – Argumentou Goliath Hitarr. – Mas antes que Cambasi viesse a responder, Stahirr falou:

- Bem, agradeço pela informações, Confederado Victor Cambasi. Se precisarmos de mais informações, o chamaremos. – E Victor Cambasi saiu da sala do Confederado-mor, percebendo que incitara ainda mais a aversão da Confederação Galaxial com Corr Sairy.

Bem distante dali, Corr Sairy despertava, pois eles se aproximavam do sistema Pokaar. Em uma pequena esfera rochosa, percebia-se uma iluminação pulsante e, na medida que S.E. se aproximava do local, quase dava para sentir o calor que vinha daquela iluminação:

- Os Gêmeos capricharam desta vez. – Disse S.E. – Queriam mesmo atrair pessoas para cá.

Como se fosse o centro daquela diminuta esfera que pairava no espaço, estava uma arca espacial. Com quase 4 mil metros, a arca tinha uma aparência incomum, que mais lembrava um ovo. O metal que a revestia era totalmente reluzente e Corr Sairy já comprovara sua resistência, tanto que os Gêmeos lhe indicaram aonde consegui-lo e Corr Sairy o usou para construir S.E.

Assim que pousaram, cabos se conectaram a S.E.:

- Eu amo os Gêmeos. – E uma projeção feminina humana surgiu na frente de Corr Sairy:

- Bem-vindo de volta Corr Sairy. Como bem sabe, para chegar até o ithaveni[1] é necessário que vista seu traje de sobrevivência. Lá dentro, após a harmonização atmosférica que lhe será proporcionada, poderá retirar o traje. Blulb e Glulg estão esperando por você! – Então, Corr Sairy colocou dois braceletes e apertou-os, simultaneamente, fazendo surgiu sobre seu traje formal, um traje de sobrevivência espacial. O traje se conectou as botas de Corr Sairy e selou-o hermeticamente. Ele colocou seu capacete e o traje se acoplou a ele:

- Você ficará bem? – Corr Sairy perguntou, com a voz abafada, dentro do traje.

- Eu já estou bem. – Respondeu S.E., suspirando, como se relaxasse. Corr Sairy então se dirigiu à arca dos Gêmeos. Ao chegar na porta, um minúsculo dispositivo flutuou sobre ele e informou ao seu traje que o ambiente a sua volta estava respirável: “78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e 1% de outros gases necessários para sua sobrevivência. Pode desligar o traje”. Ao entrar, retirou o capacete e reparou que o local era iluminado por uma luz dourada e bem viva, não permitindo que as pessoas se escondessem em cantos escuros. Alguns rostos Corr Sairy já conhecia, pois encontrara em outras visitas, já outros eram novos:

- Ora, ora, ora, se não temos Corr Sairy adentrando no bar. – Disse uma voz metalizada, vinda de um homem com a pele arroxeada e que tinha dez olhos azulados. – Fiquei sabendo que estão te caçando, Corr Sairy. De quanto seria a recompensa?

- Acredito que não seja pra você está recompensa, Gottakk. – Respondeu Corr Sairy. – Ainda mais com sua ficha de crimes maior do que a minha... Ah, e como está o Vizir de Thrarkus? Vivo? Lembre-se, aqui é Zona Neutra. Se não quiser aborrecer os Gêmeos é melhor parar com esta ameaça idiota. – E Corr Sairy apontou na direção de uma nano câmera que se aproximava.

Corr Sairy continuou seu caminho até chegar a um balcão extenso, que tinham duas massas acinzentadas e disformes atrás dele. Eles preparavam drinques e este eram teletransportados para as mesas que haviam pedido:

- Corr Sairy, que bom vê-lo – Disse o ser mais próximo do balcão. O outro também se aproximou:

- É, bom vê-lo. O que veio fazer aqui? – Questionou o que se aproximava.

- É, fazer aqui? Veio saber mais do Galaxya?

- É, do Galaxya?

- Vocês sabem o que eu vim fazer aqui. – Corr Sairy disse às duas massas disformes.

- Não podemos atende-lo agora, temos muitas bebidas para servir.

- É, para servir. Espere até o final que o atenderemos.

- É, o atenderemos. Por que não aproveita e bebe algo?

- É, bebe algo. Podemos servir aquele drinque que você ama e diz ter gostinho de casa.

- É, de casa. – Corr Sairy conseguia entende-los, já se acostumara com o jeito de Blulb e Glulg falarem. Como era Dommæns, eram seres que não precisavam se comunicar verbalmente. Eles eram como massas encefálicas ambulantes. Sua comunicação era toda telepática, então quando falavam, pareciam ser ecos, um do outro:

- Eu não tenho tempo para isso. A Confederação Galaxial vai me colocar em uma cela, me julgar e, com certeza, me mandarão para exílio. Eu preciso disso agora. – Blulb e Glulg pararam por um instante se entreolharam. Então Glulg falou:

- Se você será exilado, não cumprirá o nosso acordo.

- É, nosso acordo. Você não estará apto para encontrar o Galaxya.

- É, o Galaxya. Quanto tempo ficará exilado?

- É, ficará exilado?

- Eu não pretendo ficar exilado. – Corr Sairy os respondeu. – Eu pretendo ser inocentado e ir atrás do Galaxya.

- Então, entregaremos a você quando for inocentado. – Disse Blulb.

- É, for inocentado. Até lá, o artefato ficará conosco.

- É, ficará conosco. Quando sair de lá, nos procure novamente.

- É, procure novamente. – Aquilo deixou Corr Sairy frustrado. Ele só tinha ido até ali para pegar o artefato, mas não ia rolar e ele sabia disso. O problema era aonde eles estariam quando ele saísse de lá, pois os Dommæns são nômades. Poucos deles haviam sobrevivido ao tempo. De acordo com as histórias de ambos, eles viram o Universo surgir, ao lado dos Suppærs, uma raça de seres feitos de luz. Enquanto os Dommæns catalogavam as espécies que surgiam no Cosmo, os Suppærs observavam o desenvolvimento de cada uma. Às vezes, eles mesmo criavam as raças que surgiam no Universo. Na história que Corr Sairy ouvira dos Gêmeos, os Dommæns foram responsáveis pela criação dos carbonados, enquanto os Suppærs se envolveram no surgimento dos elementais. Com sua capacidade de reprodução unicelular, eles tinham facilidade de se gerar, mas a constante reprodução os enfraquecia, então, com o tempo, tanto os Dommæns quanto os Suppærs começaram a desaparecer do Cosmo. Mas antes de desaparecerem, os Dommæns haviam criado o Galaxya, um tecnoplaneta vivo, que Corr Sairy ambicionava conhecer.

Saindo da arca dos Gêmeos sem nada, Corr Sairy regressou para S.E.:

- “Vamos embora”. – Ele disse, com uma voz frustrada.

- “Mas eu estava começando a relaxar”. – S.E. respondera, quando percebeu que Corr Sairy foi seguido. – “Tem alguém no seu encalço”. – E um disparo atingiu um campo de energia que S.E. ergueu rapidamente, enquanto Corr Sairy entrava:

-Mas quem pode ser? – E quando uma projeção surgiu a sua frente, ele reconheceu Gottakk. Enviou um comando para que S.E. erguesse um campo de êxtase em volta do assassino. Mesmo que o planeta de Gottakk não fizesse parte da Confederação Galaxial, ele usava um tradutor auricular, que comprou com os Gêmeos, então Corr Sairy projetou uma mensagem para ele. – Então, Gottakk, foi assim que tentou matar o Vizir de Thrarkus? Pelas costas? Bem, eu poderia deixa-lo sem transporte, mas sei que S.E. não é muito a favor de destruição de naves. Sendo assim, deixarei você nas mãos dos Gêmeos, eles decidirão o que fazer com você, pois mesmo que não estejamos no bar, ainda estamos no local que eles escolheram, então você descumpriu a lei dos Gêmeos. Até nunca mais, Gottakk! – E S.E. começou a erguer voo, enquanto pequenos dispositivos vinham da arca dos Gêmeos para carregar o assassino, totalmente congelado, para dentro.

Quando S.E. já ganhava distância, Corr Sairy percebeu um enorme Portal Hiperespacial se abrindo:

- Isso não está certo. – Ele disse para S.E. – Imagine o que uma fenda deste tamanho pode causar ao espaço-tempo?

A fenda não parecia se fechar então ele pediu a S.E. que atingisse uma velocidade maior. Quando chegou perto da tropa phællansi, iniciou contato com Ja Kris:

- Por que uma fenda deste tamanho? – Disse, com a voz sobressaltada. – Não estava com pressa para ir. Esperaria tranquilamente vocês chegarem. Uma coisa deste tamanho pode ser muito prejudicial.


[1] Ithaveni = taberna

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