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sábado, 15 de junho de 2024

A comitiva

No sistema K-Rarr, um portal hiperespecial se abriu e por ele passou uma nave customizada de Agufalgav, pilotada por Ricardo Dévero. Após pedir permissão para pousar em Phællans, a nave se preparou para a entrada na atmosfera do planeta, pousando em um hangar flutuante. Uma escolta os levou até o palácio da soberania phællansi. Assim que Skill Hawkesley, H-Kik, Sw Fitt, Sth Nnie, Ronald Howard e Ricardo Dévero adentraram no palácio, viram a comitiva de Li Kkan, Aryannin, Marcelle Menken e Kotharyn:

- Sejam bem-vindos a Phællans, Guerreiros Alados. – Saudou Li Kkan. Sw Fitt e Sth Nnie tomaram a frente do grupo e foram abraçar seus pais:

- Agradecemos por ter nos aguardado, Ubukhosi Li Kkan. – Respondeu Skill. – Estamos prontos para partir, se assim desejarem.

- Não temos motivo para pressa, major Skill Hawkesley. – Disse Elizabeth. – Ainda temos tempo de sobra. Partiremos em dois Arrs, com tempo o suficiente.

- Como bem sabe, Ubukhosi Elizabeth, o tempo passa mais corrido na Terra. – Respondeu Skill, conseguindo colocar um sorriso no rosto de Elizabeth. – Se não fosse... como Corr Sairy chama mesmo?... Ah sim, “Soro da eternidade”, eu hoje seria pó. – Marcelle não entendera a referência de Skill e não encontrou nada no Anima Mundi chamado “Soro da eternidade”. Percebendo o olhar distante da jovem, Pum Riss, que ainda estava ao seu lado, lhe disse:

- Procure Amo-Kken I-Serum[1]. – E Marcelle procurou:

“O Amo-Kken I-Serum é assim chamado, pois foi criado pelo usosayensi omkhulu phællansi Amo-Kken. O soro foi criado para ampliar o tempo de vida de seu usuário, retardando o metabolismo. A melhor forma de usar o Amo-Kken I-Serum é, após sua aplicação, manter-se em estado de inércia para um efeito mais efetivo, de preferência submetido ao processo de hibernação induzida. As dosagens devem ser periódicas, podendo diminuir com o passar do tempo. A eficiência do soro foi logo percebida nos habitantes da Nova Phællans, pois o novo planeta localizado no Sistema K-Rarr tem uma translação mais lenta do que na Antiga Phællans, destruída por Domminon. Com a adoção da contagem de tempo dos phællansis pela Confederação Galaxial, planetas-membros que precisaram se adaptar a isso, usaram o Amo-Kken I-Serum. O soro também foi fornecido para viajantes espaciais dos planetas-membros, além dos confederados que precisassem. O único planeta-membro a não adotar o uso do Amo-Kken I-Serum é a Terra do Sistema Estelar Sol, sendo fornecido somente ao seu Confederado e aos viajantes do planeta. A Corporação Dévero ainda adquiriu o soro para ser usado para fins científicos e de proteção do planeta Terra”.

- Eu nunca precisei disso. – Disse Marcelle, bem baixinho, para Pum Riss, que lhe sorriu e disse, no mesmo tom:

- Ainda bem.

- Agora é momento de nos prepararmos para a viagem. – Disse Lyn Xus. – Ti Kkrus, recomendo que pegue a nave dos nossos companheiros e a coloque dentro de nosso umkhumbi. Ubukhosi, vou preparar alguns equipamentos e lhes encontro em dois Arrs. – Li Kkan viu seu usosayensi omkhulu saindo e seu Injiniyela omkhulu, também:

- Major Skill Hawkesley, peço que fique comigo para conversarmos sobre esta viagem. Se possível, como representante de Agufalgav neste momento, peço o mesmo a princesa H-Kik. – Com isso os demais saíram para se arrumarem para a viagem. Sw Fitt e Sth Nnie seguiram com sua mãe para conversarem. Ronald e Ricardo seguiram Ti Kkrus. Aryannin, Kotharyn e Marcelle, acompanhada de Pum Riss, foram para seus aposentos, enquanto os demais phællansis foram fazer os preparos para a viagem.

Em Thrittan, Sharan voltou a visitar Corr Sairy em sua cela:

- Eu verifiquei a confiabilidade dos arquivos. E sinto muito por aquilo. Ele dará o que falar, pois pode fazer cair não somente a Terra...

- Sei que, neste caso, é necessário avisar a Confederação Galaxial, mas o arquivo é pessoal, então peço que guarde para o dia.

- Mas Corr Sairy, isso pode repercutir de forma muito séria em toda a Confederação Galaxial.

- Chefdiplomat Sharan, se decidirem abrir um processo depois da apresentação desta prova, será com a Confederação Galaxial, mas como é de uso pessoal, tenho direito de uso exclusivo ao meu caso. Lembre-se, ainda tenho a Lei da Confederação armazenadas no meu chip neural. – Corr Sairy sorriu e bateu na têmpora.

- Está certo, você está no seu direito. Mas ainda falta uma coisa. O assassinato do Maghnussy. Corr Sairy, se você não matou, quem o fez?

- Chefdiplomat Sharan, não posso falar nada sobre isso, pois prometi que isso seria algo terminado quando sai de Maghnessy. Teremos que trabalhar o benefício da dúvida, com as provas que temos a meu favor.

- Isso dificulta tudo. – Sharan estava em negação. – Mas vamos tentar do seu jeito. Eu não entendo que código de honra é esse que você segue.

- Os Kodovi na voini, também chamados de Códigos dos Guerreiros. – Sharan se espantou com aquilo.

- Mas, Corr Sairy, os Kodovi na voini são arcaicos. Todos os planetas que seguiam este código o deixaram de lado para criarem suas próprias leis...

- Que tem base nos Kodovi na voini, que faz com que respeitem não somente nosso semelhante, mas nossos inimigos. E se fiz essa promessa com base nele, devo cumpri-la.

- Você não para de me surpreender. Bem, estamos a 12 arrs de seu julgamento. Fiquei sabendo que uma comitiva de Phællans está chegando e, vindo com eles, um grupo de pessoas que vivem na Terra, Aryannin, Kotharyn e Marcelle Menken. Permitirei que possam vir visita-lo.

- Muito obrigado. Isso aqui está monótono demais... e obedecer a seu pedido tem sido bem complicado. – Soltou um sorriso enquanto a Thrittanis saía de sua cela.

Não demorou muito e o umkhumbi phællansi aportava no hangar subterrâneo de Thrittan, permitindo que os Guerreiros Alados retirassem sua belonave agufalgaviana. Recepcionados pelo próprio Confederado-mor e seu suplente, Li Kkan foi bem direto:

- Confederado-mor Stahirr, preciso deixar claro que acho um grande erro vocês acusarem Corr Sairy dos crimes que insinuam que ele cometera. Tanto que me acompanha a Megami Aryannin – a pequena Megami volosi se colocou ao lado da Ubukhosi Elizabeth – que poderá esclarecer sobre a acusação inexata de sequestro.

- Ela estava em Phællans este tempo todo, Ubukhosi Li Kkan? – Questionou Stahirr, olhando para Aryannin, mas a resposta veio dela:

- Sim, Confederado-mor Stahirr, eu estava lá. Como bem disse o Ubukhosi Li Kkan, Corr Sairy não me sequestrou, ele foi convocado pelo Migoto Akonyionn para me resgatar (se assim posso dizer) de ter isso levada de Volos VI pelo krarrashin Kotharyn – e apontou para trás, onde se localizava Kotharyn – que me retirou do planeta para não ser sacrificada indevidamente.

- Megami Aryannin... – Stahirr ia falar, mas foi interrompido por Aryannin:

- Não, não me venha dizer que são as leis de Volos VI e que vocês precisam respeita-las. As leis de Volos VI são estabelecidas por mim. Qualquer outro que vier a estabelecer leis no meu sistema estelar, está ferindo a lei Mater do planeta. Precisei antecipar meu amadurecimento por causa disso tudo. Exijo que retire a acusação de sequestro de Corr Sairy, se ainda desejam que Volos VI permaneça como planeta-membro da Confederação Galaxial. – A ameaça não soou de forma positiva ao momento e, sem muito movimento, Stahirr disse:

- Considere feito, Megami Aryannin. Vamos instalá-los em aposentos condizentes. – Neste momento, Skill levantou o braço e colocou-se ao lado de Li Kkan:

- Desculpe a intromissão, Confederado-mor Stahirr, sou o major Skill Hawkesley, da Terra. Gostaria de permissão para visitar Corr Sairy.

- Sim, a defensora de Corr Sairy, a Chefdiplomat Sharan de Thrittan, requisitou que permitíssemos a todos que chegaram o direito de visita-lo, mas com parcimônia. Poderá ser o primeiro, major Skill Hawkesley da Terra. – Disse Stahirr.

- Confederado-mor Stahirr, sou a princesa H-Kik de Agufalgav e gostaria de saber se minha família chegou?

- Princesa, sinto em dizer, mas sua família não achou relevante vir ao julgamento de Corr Sairy. Mas o príncipe H-Glorr está com o grupo de representantes de Agufalgav, no andar destinado a eles. Podemos avisá-lo que está aqui.

- Ficaria muito agradecida, Confederado-mor Stahirr.

Ao mesmo tempo que este encontro ocorria no hangar, Sharan se reportava a uma convocação do Confederado Antares:

- Confederado Antares, Chefdiplomat Sharan de Thrittan se reportando. O que deseja?

- Chefdiplomat Sharan de Thrittan, como está ciente em breve estaremos em lados conflitantes do julgamento do acusado Corr Sairy. Gostaria de lhe esclarecer que minha acusação já está pronta para o julgamento e acredito que Corr Sairy será enviado ao Satélite-Prisão, onde cumprirá muito tempo de sentença, talvez nunca mais saia.

- Admiro vossa confiança, Confederado Antares, principalmente porque existem acusações infundadas neste julgamento, como o sequestro da Megami Aryannin de Volos VI. De acordo com a própria, Corr Sairy foi contratado pelo Migoto Akonyionn para leva-la de volta a Volos VI, pois o krarrashin Kotharyn a retirara do planeta para não ser sacrificada.

- Está dizendo que um líder de um planeta-membro mentiu à Confederação Galaxial para conseguir uma condenação a um criminoso?

- Bem, Confederado Antares, eu falei com a própria Megami Aryannin a respeito disso e... – Neste momento, um comunicado chega a Sharan e Antares que a acusação do sequestro da Megami havia sido retirada da acusação. – Aparentemente não precisará se preocupar mais com isso, Confederado Antares.

- Independente disso, ainda existem acusações muito sérias contra o acusado, principalmente do assassinato.

- Convenhamos, aquela projeção não favorece muito a acusação. Temos Corr Sairy entrando na Seoladh Maghnussy e saindo. Ele entra sem arma alguma e sai sem arma alguma. Muito superficial. E as outras acusações, acredite, eu surpreenderei quando apresentar a defesa. Se não tem mais nada para acrescentar, preciso visitar o acusado. – E Antares a viu saindo, sem nem argumentar.

No zellsektor as luzes se acendiam, novamente e, em frente à cela de Corr Sairy aparecia a figura de Skill Hawkesley:

- Que encrenca você se meteu, hein?

- Nada, sou inocente até que provem o contrário... – brincou Corr Sairy ao ver Skill – como está meu amigo?

- Melhor do que você, aparentemente. Como você se meteu nessa situação, Corr Sairy?

- Você quer desde o começo? Bem, tudo começou quando eu e você falamos...

- Ah, para de zoeira. Estou questionando como você conseguiu ser incriminado de assassinato?

- Você acha que eu sou culpado?

- Sério que você está me perguntando isso? Lógico que não, mas como isso aconteceu.

- Promessas feitas levaram a isso.

- Sei que nem adianta eu lhe perguntar que promessas são essas, então vamos as outras acusações, como transporte ilegal de suprimentos, armas e pessoas... eu sempre te falei que isso era encrenca.

- E, mesmo que não parecesse, eu estava te ouvindo, mas só não dava atenção. – Skill soltou um sorriso irônico. – Mas eu me preparei para isso. O bom de manter arquivos em caixas blindadas é que elas ficam seguras até mesmo a ataques espaciais.

- Você manteve todos os arquivos?

- Se pensar bem, não são muitos. Nós é que estamos velhos para dois terranos... ou melhor, para um terrano e um crisyeno. – Corr Sairy disse apontando para Skill e para ele, respectivamente.

- Eu estou mais para um agufalgaviano do que terrano...

- Por quê? Por causa dessas asas metálicas nas costas. Eu também tenho, se esqueceu?

- Mas não está nas suas costas. A verdade eu me considero assim porque sou casado com uma princesa agufalgaviana.

- Grande coisa. Eu era casado com a criadora do Anima Mundi, mas não sou dono dele...

- Você tem acesso a ele aqui embaixo, não?

- Sim, ele tem, mas não deve acessar. – Disse Sharan, interrompendo aos dois.

- Skill Hawkesley, meu melhor amigo, Chefdiplomat Sharan de Thrittan, minha defensora. – Corr Sairy os apresentou. – Acredite, Sharan, não estávamos falando nada demais. Somente colocando a conversa em dia.

- Bem, vou nessa. – Disse Skill. – Poderei visita-lo novamente, Chefdiplomat Sharan de Thrittan?

- Fique à vontade. Deixei as visitas liberadas para amigos de Corr Sairy. – Respondeu Sharan.

- Então pode começar a distribuir a senha. – Ironizou Corr Sairy. Skill se retirou e Sharan adentrou na cela:

- O Confederado Antares me pediu para comparecer até sua sala. Ele disse que prepara um caso que o manterá preso de forma infindável no Satélite-prisão.

- Eu espero poder decepcioná-lo.

- Corr Sairy volto a insistir para que diga algo para provar sua inocência do assassinato do Maghnussy. Posso conseguir te livrar dos crimes de transportes ilegais e mercenarismo, mas o pior de todos é o assassinato. Não sei conseguiremos lhe livrar tão facilmente disso.

- Ainda aposto no benefício da dúvida. Eu não carrego armas, não tinha armas comigo. Quando me escanearam no elevador (sim, S.E. identificou o escaneamento quando fui encaminhado para cá), não encontraram nenhuma arma comigo, pois não as suporto.

- Como você serviu as Forças Armadas do seu planeta?

- Eu era obrigado a carregar uma arma, mas não a usá-la. Eu também tinha preferência pelo serviço burocrático, sem contar que eu e Skill fizemos prova para oficiais. Consegui me credenciar mais do que ele, mas porque Skill preferia o campo de batalha e, por isso, preferiu dois postos a menos que o meu. Quando larguei o Corpo de Fuzileiros para servir como nanoengenheiro no Iniciativa Terra do Amanhã, entrei para a reserva. Depois do falecimento de minha esposa e minha filha, restabeleci meu posto. Mas, nunca usei uma arma, mesmo sabendo como usá-la (só não tenho certeza se é como bicicleta).

- Sinceramente, nunca vou entender essas referências. Mesmo com o benefício da dúvida, devemos supor que seja arriscado...

- Arriscado ou não, Chefdiplomat Sharan, não posso quebrar uma promessa feita. Os Códigos dos Guerreiros são muito importantes para mim, como acredito que as leis de Thrittan são para você ou mesmo como a Lei da Confederação Galaxial seja importante para manter a ordem. Você concordaria em quebrar alguma dessas leis para algo que a beneficiasse? – Sharan sentiu a cutucada. Se existia uma coisa que ela presava, principalmente depois do que ocorrera com Stahokk e seus renegados, era o respeito pelas leis da Confederação Galaxial:

- Está bem. Eu entendi seu ponto. Vamos ver se o que eu mostrar para inocentá-lo nas outras acusações, aliviem o suficiente para acreditarem neste benefício da dúvida que tanto fala. Sabe que não existe procedente para isso na Lei da Confederação Galaxial, não é?

- Sim, mas nunca se pode dizer que não podemos abrir um.

- Bem, nada é impossível. Eu não tenho mais motivos para retornar aqui até o dia do seu julgamento, mas acredito que não ficará sozinho tão facilmente. Na verdade, acabo de ser avisada que os Ababusi Li Kkan e Elizabeth desejam visita-lo. Acho que tem razão, é melhor começar a distribuir as senhas. – Brincou Sharan ao sair da cela de Corr Sairy e se dirigir ao elevador.

No andar dos visitantes, Aryannin recebe uma visita inesperada do Confederado Antares:

- Megami Aryannin, posso entrar em seu alojamento?

- Logicamente. A que devo esta visita, Confederado Antares?

- Soube que pediu a retirada das acusações de sequestro de sua pessoa, por conta de Corr Sairy e os parceiros dele, o krarrashin e a jovem mulher que o acompanhava.

- Há um erro na sua avaliação, Confederado Antares, Kotharyn, o krarrashin a quem se refere, que faz parte da linhagem nobre deste povo que foi extremamente escravizado pelos meus filhos, e a jovem, que se chama Marcelle Menken, não são parceiros de Corr Sairy. Na verdade, a ligação de Corr Sairy com Marcelle Menken, pelo que pude entender, é de afetividade, pois a jovem é magomusume dele. Pelas suas palavras, você deve estar acreditando que estou sendo manipulada de alguma forma, não é?

- Eu quero que saiba estar segura para falar o que desejar comigo. Não há ninguém para dissuadi-la ao contrário neste momento.

- E nunca houve, Confederado Antares. Como já disse ao Confederado-mor Stahirr, precisei adiantar meu amadurecimento por causa das ações e atitudes que meu povo vem tomando comigo. Me lembro de quando ingressamos na Confederação Galaxial, onde você e o (então) Confederado-mor Pan Rrar e seu suplente, o Confederado Stahirr, foram até Volos VI para saber como meu planeta poderia colaborar com a Confederação Galaxial. Você estava desta mesma forma e postura, sem demonstrar emoções, inerte, impassível. Fico pensando o que passava pelas suas ideias naquela época, Confederado Antares, pois sei o que passa neste exato momento. Comete um erro em pensar que alguém, qualquer um, poderia ser ameaça a minha pessoa, a Megami de Volos.

- Adiantaste seu amadurecimento? Por que motivo, se posso lhe perguntar?

- Para não ser enviada ao meu planeta e sacrificada, sem minha autorização.

- Mas as leis do seu planeta...

- As leis de Volos VI têm de ser determinadas por mim, por isso se chama Megami no hōsoku. Conhece nossa lei Mater, Confederado Antares. Esta diz que, a Megami no hōsoku só podem ser criadas e autorizadas com minha autorização. Sem mais nada. Qualquer lei que foi criada sem meu consentimento, não é uma lei volosi. Meu Gisei, acredite, nunca foi autorizado por mim. Um momento que precisei defender meu sistema estelar contra Domminon e, por isso, me sacrificar vem sendo usado desde então. Meu Gisei imposto não salva e nem mantem meu sistema estelar salvo, somente mantem quem está no poder ainda no poder. E tomarei atitudes para que isso mude, pode ter certeza. Agora, se não tem mais nenhum argumento para que as acusações infundadas contra Corr Sairy retornem, peço que se retire. Aguardo o Confederado Akhyddon de Volos VI, pois precisamos organizar algumas coisas, principalmente a liberdade dos krarrashins que ganharão um planeta no sistema K-Rarr e nunca mais serão escravizados novamente. – Antares nem argumentou de forma contrária ao que fora dito por Aryannin. Se dirigiu ao elevador, indo até o zellsektor. Lá chegando, se colocou à frente de onde Corr Sairy estava:

- Não esperava vê-lo mais. Pelo menos, não até o dia do julgamento.

- Como você conseguiu?

- Do que você está falando?

- Como você conseguiu manipular a Megami Aryannin a seu favor? – Corr Sairy olhou, incrédulo e deu uma gargalhada. – Por que está rindo? Você sequestrou a Megami Aryannin. Eu cheguei no momento em que você saía de Volos VI com a Megami dentro de sua espaçonave. Me ludibriou com aquela história irrelevante de um passado que não tem lógica e desapareceu com ela. Depois surge sozinho aqui e, mais tarde, ela vem na comitiva de Phællans, inocentando-o e dizendo que adiantou o próprio amadurecimento. Isso é incompreensível. – Corr Sairy encerrou o riso e olhou para Antares:

- Você acabou de prestar atenção e tudo que falou? Se tivesse como gravar uma projeção aqui, eu pediria agora para Sharan lhe apresentar uma gravação que tem comigo conversando com o Migoto Akonyionn a respeito de resgatar a Megami de um “sequestro”. Você está confiando demais em um governante de um planeta-membro da Confederação Galaxial, tanto que não vê o que está na sua frente. Você acredita mesmo que eu, preso nesta cela, distante de Aryannin, que é uma Megami, cuja capacidade de fazer o que desejar fica nos limites dela mesma, manipulei-a. Isso é tão ilógico quanto você ser um cara que viajou em um buraco de minhoca, causado por uma tempestade estelar de Antares, para o passado, e se tornou quem é agora. Não sei em que mundo vive este seu cérebro, Antares... ou melhor, Confederado Antares, com o devido respeito, mas você acha mesmo que eu sou capaz de manipular uma Megami? Não sei se me sinto ofendido ou lisonjeado.

- Agora eu entendo a raiva que o Confederado Victor Cambasi tem de você.

- Não, você não entende, pois você não é um terrano... ou talvez seja?... Bem, Victor Cambasi, ou melhor, o Confederado Victor Cambasi é um incompetente, um irrelevante, que sobe no poder as custas dos outros. Ele não foi capaz de nenhuma realização verdadeira. Vocês, aqui, acreditam que ele foi responsável pelo Iniciativa Terra do Amanhã, quando ele somente foi escolhido como administrador do Projeto, que foi criado pela Ubukhosi Elizabeth. Vocês não se importam em pesquisar isso. Vocês acham que ele é o responsável pelo chip neural, quando nem se tem certeza quem criou, já que não consta seu nome (e não foi ele quem o apagou!). O que o Confederado Victor Cambasi tem, contra mim, é inveja. Mas você não está preparado para entender isso. Agora, se está com raiva de mim, Confederado Antares, porque eu estou sendo verdadeiro, não vou me desculpar. Uma das coisas que sempre trabalhei em mim mesmo foi ser verdadeiro e coerente, se você não acreditar, é contigo, não tenho nada a ver com isso. Como fez Pôncio Pilatos, lavo minhas mãos.

- O que isso quer dizer? – Corr Sairy sorriu:

- Estou me eximindo da responsabilidade do seu achismo quanto a minha pessoa, Confederado Antares. Acredite no que desejar acreditar. – Antares continuou não entendendo o que Corr Sairy estava dizendo.

Toda sua vida ligada a Confederação Galaxial, uma coisa ele tinha certeza, se alguma acusação fora feita contra determinada pessoa, deveria ser verdadeira. Foi assim todas as vezes que teve de intervir pela Confederação Galaxial, principalmente no caso dos renegados que desejavam derrubar a Confederação. Alguns achavam que ele tomara a atitude correta na destruição de Ikken Bergg, outros acharam que foi extrema demais. Ele obedeceu ao que os confederados lhe pediram, e o Confederado Bavan Sheys de Callyns foi a destruição de Ikken Bergg, pois era uma grande ameaça a Callyns. Os outros foram capturados, pois foi o que os outros confederados pediram, principalmente a Confederada B’trixx Tvokk de Dharkyens, pois a Mitir[2] K’roll Swiss não acreditava que K’rynn Swiss, sua plátto[3], fosse culpada. Ele sabia que todos eram e, por isso, intermediou no crime deles. Todos receberam as punições corretas. K’rynn Swiss foi para o Satélite-prisão, pois confessou apoiar as ideias de Stahokk. Davith Hitarr foi encaminhado para Bhlokyonss, pois seu destino estava nas mãos do Kokonga[4]. Já Stahokk, que parecia ser o cabeça daqueles renegados foi enviado para a cadeia de meteoros, onde deveria permanecer até desaparecer. Foi justo e o acertado, pois eles eram culpados de tentar destruir a Confederação Galaxial e tudo o que Antares acreditava.

Assim que chegou ao elevador, cruzou com Marcelle saindo dele. Ela reconheceu Antares da projeção em S.E.:

- O que faz aqui? – Antares a questionou.

- Vim para falar com Corr Sairy. A defensora dele permitiu.

- É só seguir em frente. – E Antares tomou o elevador para cima. Marcelle fez o que ele pediu e se deparou com Corr Sairy, como se a esperasse:

- Caramba, que susto eu tomei com ele. Era o tal Confederado-guerreiro Antares, não?

- Exatamente. – Respondeu Corr Sairy, olhando de forma intrigada para Marcelle. – Pensei que H-Kik que viria agora, ou Li Kkan... mas fico feliz que seja você.

- Eles virão depois. Como você está se sentindo?

- Sozinho. Até a pouco tempo atrás eu conversava com S.E., mas minha defensora me proibiu.

- Sério? Isso não foi muito legal, da parte dela.

- Pode ser, mas é minha defensora. Então vou apoiá-la, até onde for necessário.

- Eu não entendo de nada disso...

- Nem eu, mas vamos ver no que vai dar. – Corr Sairy sorriu para a jovem do outro lado e reparou bem em Marcelle:

- Você cortou o cabelo? E o que é isso sobre o seu olho? Uma tatuagem?

- Sim. Rissie disse que eu fiquei bonita assim. Gostou? – Corr Sairy sorriu ao ouvir o apelido:

- Sinceramente... gostei! Só me deixou surpreso. Está diferente. Você criou tatuagem?

- Mais ou menos. Rissie a desenhou para mim. Eu pensei em como você me chamou, “Estrelinha”, e me lembrei de uma música que meu pai me cantava quando eu ia dormir...

- “Brilha, Brilha, Estrelinha”.

- Sim, daí descobri que era uma música de ninar inglesa (parece uma língua antiga da Terra), de muito tempo atrás, “Twinkle, Twinkle, Little Star”. Por isso, deixei assim.

- Inteligente. Fez uma pesquisa para entender a própria tatuagem. E por que sobre o olho esquerdo?

- Não queria tatuar sobre o mesmo olho que você perdeu, seja lá como aconteceu. Então decidi fazer sobre o outro olho... foi demais? – Marcelle falou, temendo a resposta, mas Corr Sairy deu um sorriso e disse:

- Não, não foi demais. Sente-se comigo, Marcelle. – E Corr Sairy sentou no chão e Marcelle fez o mesmo. – Sabe por que não falo do meu olho? – Marcelle sacudiu a cabeça em negação. – E nem porque não existe arquivo disso! Bem, porque já me basta essa lembrança. Em breve, todos saberão o que ocorreu comigo, então acho melhor você saber antes.

“Eu prestava certos serviços à Terra, como piloto da Força Terra-Espaço, ou somente F.T.E. Meu codinome era Corsário... sim, tem semelhança com meu atual nome, mas supreendentemente é coincidência. Escolhi o codinome por causa do tipo de serviços que prestaria, aqueles fora das leis estabelecidas, principalmente pela Confederação Galaxial. Cada serviço era no mercado negro da Confederação, ou seja, por fora de tudo. Então eu fiz transporte de armas ilegais, que a Terra não poderia negociar com outros planetas. Até mesmo mercadorias que não poderíamos adquirir, eu transportei. Além disso, Sempre que algum planeta-membro precisava de transportar uma pessoa ilegalmente ou mesmo um assassino para fazer um serviço, eu aceitava. Para mim não era um problema, era somente mais um dia de serviço. A única pessoa que tinha ciência do que fazia, além dos meus contratantes, era Skill Hawkesley, em quem eu sempre confiei, como um irmão.

“Até um dia que pediram que eu fizesse um serviço ao qual eu nunca aceitaria fazer, assassinar alguém. Lógico que não foi de cara que me pediram. Antes eles desejavam que eu me infiltrasse no grupo de rebeldes de Maghnessy e descobrisse quem era o líder. Quando descobri que era o filho do Maghnussy, Maghnuss (como eu preferia chamar, já que ele tinha o mesmo nome do pai), mandaram eu mata-lo e, lógico, não aceitei e fui embora do planeta, depois de avisar a Maghnuss o que seu pai desejava. Ele aceitou que eu saísse numa boa, mas a Terra não aceitou bem, então pediu que uma esquadra darkyani me cercasse, distante do Sistema Vertus, e me eliminasse. Eles quase conseguiram, mas eu havia melhorado bastante S.E., naquela época, e a blindagem dele resistiu bem. Eu terminei sendo encontrado por uma patrulha phællansi, que retornava para o Sistema K-Rarr, liderados por Sw Fitt e Sth Nnie, os gêmeos de Li Kkan e Elizabeth. Setenta por cento do meu lado direito foi estilhaçado pelos disparos das naves darkyanis. Eles conseguiram reconstruir tudo, mas Lyn Xus disse que, como um suspiro eu disse ‘o rosto não’, então eles deixaram a cicatriz facial e sem meu olho direito.

“Foram Rarrs de recuperação. E ainda passei um longo tempo por lá. Minhas cordas vocais não eram mais as mesmas. Eu passava muito tempo na indlu yezincwadi, a biblioteca deles, aprendendo ao máximo, e outra metade passava na oficina, reconstruindo S.E. da melhor forma que podia. Neste meio tempo, eu e Sth Nnie começamos um... relacionamento. Quando eu estava quase recuperado, surgiu um convite para o casamento de Skill Hawkesley e H-Kik. Foi quando Skill soube que eu estava vivo ainda. Fomos para Agufalgav e lá eu cometi meu primeiro erro, trai Sth Nnie com uma Asa parda chamada K-Ranna. Sth Nnie e Sw Fitt partiram com Skill e H-Kik para a Terra e eu voltei para Phællans.

“Quando a Guerra de Crisyen estava no seu ápice, Li Kkan encaminhou suprimentos para ajudar os crisyenos. Eu fui como piloto de uma das naves. Não sei o que me deu, mas ouvindo os estratagemas deles, terminei me metendo e eles me ouviram. Me tornei o estrategista da vitória, tendo como principal apoiadora a Mitir Archistrátigos[5] dharkyensi, K’rynn Swiss, que estava fornecendo mão-de-obra nas batalhas, e sua adelfí[6], K’thryn Swiss. Durante este período, eu e K’rynn tivemos uma relação rápida. Ao final da Guerra, com a derrota de Brann Dawh, o Usurbildarra[7], que dizem ter sido minha responsabilidade, a Erregina do planeta, Thyth Annis, me deu um nome, Corr Sairy e me incumbiu de uma missão, descobrir quem forneceu a possibilidade do Usurbildarra lhe tomar o trono, pois sabíamos que os darkyanis poderiam ser belicosos, mas não muito inteligentes a este ponto. Eles também obedeciam a alguém. Eu também prometi que ajudaria a estabelecer a economia das Hiri Mugikorrak, pois eles haviam perdido muito com a guerra. Voltei a Phællans para lhes agradecer por tudo que haviam feito para mim e apagar todo meu passado, pois eu tinha tudo que queria no meu rosto, na minha cicatriz, embaixo do meu tapa-olho.

“Quando estava vagando pelo espaço, me deparei com uma Arca espacial, de uma das raças antigas, os dommæns. Eu os chamo de Gêmeos. Eles me forneceram o suficiente para eu transformar S.E. no que vocês conhecem hoje, pois na época, eu somente conseguia a Inteligência Artificial nível 3, mas queria um amigo de viagens. Então eles me deram o suficiente para ele se tornar nível 5, sem ser uma grande ameaça. Além do que me possibilitaram reforçar sua estrutura, me dizendo onde encontrar o metal que usaria.

“Depois fomos chamados à Kelkzerr, onde ajudei com o restabelecimento do poder em Desharr, o outro lado da estrela KellDesh. A Illuminus Hannia havia vencido uma guerra de eras contra o outro lado da estrela, o líder deles havia sido morto pela sua irmã, Luannia, após descobrir ter sido usada para matar o próprio pai... mas isso é uma outra história e tem de ser contada pelas pessoas certas, não por mim”.

- Uau. Você vivenciou muitas coisas. Eu não fazia ideia.

 - Acho que pouco fazem.

- Mas este caso do assassinato do Maghnussy? Você disse que não matou o filho dele, pois nunca mataria. Então por que o acusam de matar o pai?

- Porque eles se sustentam com uma projeção d’eu entrando e saindo da Seoladh Maghnussy, sem ter ideia do que ocorreu lá dentro.

- E o que ocorreu?

- Bem, é história o suficiente para agora. Acho melhor você subir e dar oportunidade para outros. – Corr Sairy disse, sorrindo e recebendo outro de volta:

- Queria poder abraça-lo.

- Sinta-se abraçada, Estrelinha. – E Marcelle se dirigiu ao elevador.

Em sua sala, o Confederado-mor Stahirr e seu suplente, Goliath Hitarr, aguardam o Ubukhosi Li Kkan, que marcou uma reunião. Quando este chega, ele está ladeado por Kotharyn:

- Confederado-mor Stahirr. Confederado Goliath Hitarr.

- Ubukhosi Li Kkan, seja bem-vindo. – Disse Stahirr. – Vejo que o krarrashin que faz parte de sua comitiva o acompanha.

- Sim. Quer lhes apresentar Kotharyn, membro da nobreza krarrashin. – Li Kkan o apresentou. – Sei que o momento é o mais complexo, pois dentro de 10 arrs teremos o julgamento de Corr Sairy e vocês precisam se preparar para isso, mas acho justa uma Assembleia Extraordinária para a inclusão de mais uma cadeira na Confederação Galaxial. Neste exato momento, enviei arcas para resgatar os krarrashins de seu cativeiro e leva-los para um planeta do sistema K-Rarr.

- Mas Ubukhosi Li Kkan, com que autorização fará isso?

- Ora, Confederado Goliath Hitarr, da própria Megami Aryannin. Se desejar questioná-la, poderemos chama-la à reunião.

- Não acho que será necessário, Ubukhosi Li Kkan. Prepararei uma Assembleia para o mais breve possível e definiremos se Krarrash poderá ser ou não um planeta-membro. Precisaremos de alguém que possa ser o Confederado, Nobre Kotharyn – Disse Stahirr.

- Na nobreza do meu povo, Confederado-mor Stahirr, o líder é chamado de Görkemli. Mas não é meu desejo sê-lo. Seria natural que, devido eu ser o ilk doğan, recebe-se o título, mas não o desejo, então deixarei para meu akraba, Kyrharin. Meu povo assim preferirá, também, acredito eu.

- Que assim seja, então. – Ponderou Stahirr. – Se possível, peço ao Ubukhosi Li Kkan que presida esta Assembleia Extraordinária. E, lógico, convidamos a Megami Aryannin, também. Acredito que sua participação será de suma importância.

- Falarei com ela, com certeza. – Disse Kotharyn.

- Bem, resolvido isso, agora me retiro, pois minha unkosikazi e eu visitaremos Corr Sairy. – Concluiu Li Kkan.

- Enviarei comandos para assentos aonde vossa soberania poderá ficar mais confortável...

- Não há assentos para quem o visita? – Disse Li Kkan, interrompe Stahirr, de forma inconformada.

- Nosso andar de celas nunca precisou de assentos, Ubukhosi Li Kkan. – Tentou justificar Stahirr. – E, sinceramente, nunca esperávamos que um criminoso fosse tão bem quisto.

-  Confederado-mor Stahirr, bem como Confederado Goliath Hitarr, - iniciou Li Kkan, de forma exacerbada – no momento que souberam que pessoas visitariam Corr Sairy, independente do achismo que têm do crisyeno, deveriam ter providenciado assentos para as pessoas. Mesmo que creiam Corr Sairy ser um criminoso, muitos não o veem assim. Espero que o tratamento que me darão e a minha unkosikazi não seja único e, acreditem, questionarei os próximos visitantes. – Li Kkan e Kotharyn nem esperaram uma resposta e saíram, deixando Stahirr e Goliath Hitarr.

No zellsektor, Li Kkan chegava com Elizabeth par visitar Corr Sairy:

- Parece que a soberania tem tratamento especial. – Brincou Corr Sairy ao vê-los se sentando em assentos flutuantes.

- Li Kkan se exaltou no momento de visitar o Confederado-mor com Kotharyn. – Disse Elizabeth.

- Eu não me exaltei. Somente acho um absurdo manter as pessoas que vêm visitar Corr Sairy em pé.

- Se você usou este tom de voz, com certeza eles devem ter visto como exaltação, também. – Brincou Corr Sairy. – Estava presente no momento da exaltação, Elizabeth?

- Não, Kotharyn que nos contou... e você, como está aqui?

- Antes estava totalmente entediado. Tem sido uma experiência interessante, desde que chegaram. Sharan não me permite que me comunique com S.E., então vocês têm sido bons para manter minha sanidade. Penso quando é outro tipo de criminoso.

- Você não é um criminoso, Corr Sairy. – Pontuou Li Kkan.

- Eu sei, Li Kkan, mas eles me veem assim. Tem sido difícil, principalmente porque ainda tem o caso do assassinato.

- Você sabe o que aconteceu, não é? – Questionou Elizabeth e Corr Sairy somente abanou a cabeça em afirmação. – Mas não pretende contar, pois, no mínimo, prometeu que não o faria, seguindo os Códigos dos Guerreiros.

- Eu já havia me metido naquela briga anteriormente, então fiz uma promessa e cumpri e, mesmo que isso custe minha inocência, irei até o fim.

- Maldito momento que eu lhe falei dos Códigos dos Guerreiros. – Disse Li Kkan.

- Mesmo se você tivesse falado, Li Kkan, eu teria encontrado, de tanto que fucei aquela indlu yezincwadi. Boa parte dos meus arquivos pessoais no chip neural veio de lá, inclusive a Lei da Confederação Galaxial. Todos podem ignorar os Códigos dos Guerreiros, mas não vejo forma melhor para manter aquilo que acredito.

- Mesmo que isso lhe prejudique? – Inquiriu Li Kkan.

- Não é no meu prejuízo que estou pensando, Li Kkan, mas de todo um sistema de soberania planetário. – Li Kkan não tinha mais o que argumentar, pois sabia que Corr Sairy havia falado algo verdadeiro.

Faltando nove arrs para o julgamento de Corr Sairy, o Confederado-mor Stahirr cumpriu com o prometido e iniciou uma Assembleia Extraordinária para tornar Kotharyn planeta-membro da Confederação, transmitido a Assembleia para Volos VI e a arca que levaria os krarrashins para a liberdade. Enquanto esta acontecia, Corr Sairy recebia a visita da Illuminus Hannia de Kelkzerr:

- Assentos em frente à sua cela? Que luxo!

- Illuminus Hannia, que prazer revê-la.

- Deixe de formalidades. O que aconteceu? Não acredito em nada do que eles disseram.

- Que bom ter seu apoio, Hannia. Acredite, faz uma grande diferença. Mas por que veio me ver ao invés de participar seja lá o que Li Kkan organizou lá em cima.

- Não é do meu interesse. Aparentemente os krarrashins ganharão um planeta no sistema K-Rarr, graças a benevolência de Li Kkan. Enquanto isso você permanece aqui.

- E onde está Luannia? Ficou em Kelkzerr ou foi para Desharr?

- Desapareceu, novamente. Queria ter lhe pedido ajuda, novamente, nisso, mas você havia sido encarcerado aqui. Quando vai sair?

- Não sei se sairei, minha illuminus. Não perdi minhas esperanças, mas terei de trabalhar algo que inexiste na Lei da Confederação Galaxial que é o benefício da dúvida.

- E o que seria isso?

- Seria que eles acreditariam no que eu digo, baseado nas provas que serão apresentadas a meu favor, mesmo que tenham o vídeo onde entro e saio da Seoladh do Maghnussy, que é algo circunstancial.

- Eu poderia soltá-lo daqui e então iríamos atrás de minha irmã. Sabe que não ligamos para a Confederação Galaxial.

- Este tipo de rebeldia eu esperaria de Luannia, não de você.

- Desde que nos completamos, algumas coisas dela eu sinto e vice-versa. E ela concordaria comigo. – Hannia deu um sorriso travesso. – Eu lhe disse que seria um problema para você se envolver com aquele sistema patriarcal e sexista.

- Eu havia feito uma promessa, não poderia quebra-la.

- Maldito foi o momento que Li Kkan lhe apresentou os Códigos dos Guerreiros. – Agora foi a vez de Corr Sairy sorrir da fala de Hannia:

- Eu não deveria ter lhe contado isso.

- O que conversamos em nossos momentos íntimos ficaram sempre entre nós. – Corr Sairy se sentiu constrangido:

- Hannia, eu...

- Corr Sairy, você ficou constrangido? – Questionou Hannia e depois soltou um riso gostoso. – Sabe que eu não ligo para isso. O que vivemos foi bom, mas cada um seguiu com sua vida. E, agora, eu tento conquistar o Capitano da minha Guardia que continua me evitando.

- Hommir ainda está te evitando?

- Eu não sei mais o que fazer para que Hommir perceba o que está perdendo. Sei que ele é um kelkzerrin ambicioso. Sempre desejou se tornar Capitano della guardia illuminus. Se ele aceitar meu amor, se tornará um illuminus.

- Ele não precisa somente aceitar seu amor, ele precisa se entregar ao que sente.

- Então ele me ama, também?

- Se ele te ama? Hannia, ele é louco de amor por você. Se roía de ciúmes por minha causa. Tivemos uma briga séria, uma vez, pois ele achava que eu não a honrava como você merecia ser honrada.

- Ah, mas isso é devoção à sua illuminus.

- Não. No caso de Hommir, vai além. Quando disse que nós dois estávamos vivendo um momento, como o que vivi com ele, ficou aliviado. Isso depois de uma troca de socos e ficarmos exauridos.

- Então ele me ama... mas que kelkzerrin ridículo! E fica me evitando.

- Chame-o para um combate, mas não o chame para se declarar a você. – Corr Sairy riu e, logo em seguida Hannia riu junto:

- Sinto sua falta, meu lindo guerriero[8]. Estou na torcida por sua liberdade, pois preciso de sua ajuda para encontrar Luannia.

- Vamos ver o que acontece. Se quiser, manda Hommir aqui que falo umas verdades para ele. – Hannia se levantou sorrindo.

- Deixe para quando você sair livre. Vem cá... – Hannia brilhou de uma forma que conseguiu ultrapassar a barreira energética que separava ela de Corr Sairy. Puxou o rosto dele e o beijou. – Que falta que sinto de você! Adeus, meu guerriero!

Corr Sairy amava a espontaneidade de Hannia. E então ele ouviu a voz de S.E. falando com ele:

- “Sei que você não pode falar comigo, mas Sharan não me proibiu de falar contigo. darkyanis acabaram de chegar. Redíl está aqui!” – Corr Sairy não podia responder, mas sentiu suas orelhas esquentarem e uma raiva tomar conta dele.

Dois arrs se passaram sem novidades, até que a comitiva de Dharkyens chegou para o julgamento e, antes de cumprir qualquer outro protocolo, a Mitir K’Roll Swiss se dirigiu ao zellsektor:

- Como estão lhe tratando aqui? – K’Roll logo perguntou, de forma enfática, assustando Corr Sairy que não estava esperando visitar.

- Mitir K’Roll Swiss. Quando chegou?

- Acabei de chegar e vim logo aqui. Que absurdo é esse de mantê-lo prisioneiro aqui? Quando B’trixx Tvokk me contou sobre isso, eu achei a coisa mais desonrosa que eles poderiam fazer. Eles não sabem quem você é? O que você fez? A Confederação Galaxial não pode trata-lo desta forma.

- Dentro de seis rarrs, a Chefdiplomat Sharan terá a oportunidade de provar que não sou culpado das acusações.

- E o que você fazia naquele planeta patriarcal e sexista?

- Eu tinha uma missão. Fiz uma promessa e tive que cumpri-la.

- E, por isso, acham que você é culpado? Corr Sairy, os maghnessys são seres que não valorizam outras vidas que não sejam às deles...

- Não Maghnuss, K’roll. Ele é bem diferente do pai e, até onde percebi, de todos os outros.

- Não se iluda, Corr Sairy. Não é porque ele viu valor em você ajuda-lo que ele é diferente. Se tiver oportunidade, o questione como ele vê as maghnessys, que descobrirá que ele tem a mesma cabeça de qualquer outro do planeta dele. – Corr Sairy sabia que K’roll deveria estar certa, pois não viu mulheres como colegas de combate de Maghnuss, e preferiu mudar de assunto:

- Tem notícias de K’rynn Swiss? – Aquilo desarmou K’roll:

- Não. A Confederação não permite que a visitemos no Satélite-prisão. K’thryn Swiss, então, tenta se ocupar com missões. Recentemente foi sozinha em uma missão de reconhecimento de um sistema de asteroides que retiramos matéria bruta, nas proximidades de Volstash. Ela foi verificar se a colônia não sofreu ataques dos darkyanis. Ainda não deu notícias e isso me preocupa.

- Ela chegou à colônia?

- Não. E isso é o mais estranho. Nosso monitoramento identificou naves darkyanis nas proximidades.

- K’thryn é uma excelente polemistí, K’roll. Se algo de ruim tivesse ocorrido, você já teria notícias.

- Espero que você esteja certo. Quanto a você, espero que esteja pronto para sair daqui. A Illuminus Hannia e eu conversamos sobre isso, não é certo eles o aprisionarem por causa daquele planeta. – Corr Sairy deu um sorriso e K’roll entendeu. – Bem, vou agora voltar aos protocolos da Confederação Galaxial. Até mais, meu amigo.

- Até mais, Mitir K’roll Swiss.



[1] Amo-Kken I-Serum = Soro Amo-Kken

[2] Mitir (Μήτηρ) = Mater

[3] Plátto (πλάττω) = cria

[4] Kokonga = Pilar

[6] Adelfí (αδελφή) = irmã

[7] Usurbildarra = Usurpador

[8] Guerriero = guerreiro

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