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sábado, 15 de junho de 2024

Aprisionado

Assim que saiu do elevador, no andar da Confederação, Stahirr se dirigiu a sua sala e lá convocou Sharan. Quando ela chegou, pediu que se sentasse a sua frente e ela o fez e ele iniciou:

- Chefdiplomat Sharan de Thrittan, o criminoso Corr Sairy a convocou para que sejas defensora dele. – Sharan, jogou a cabeça para o lado. Como Stahirr, seu traje de isolamento não permitia demonstrações de emoções, mas sua voz soou com incredulidade:

- Corr Sairy? O acusado de assassinato do Maghnussy de Maghnessy? Por que ele me escolheria? Nem o conheço.

- Mas ele lhe conhece. Quando serviu de intermediadora na guerra de Crisyen. Ele estava na cidade-satélite que ocorreu a negociação e viu sua forma de interagir com os rivais.

- Sim, foi uma intermediação pública. Eram muitos rostos. Juro que não me lembro dele, Confederado-mor.

- Eu acredito em você. Mas você é a escolha dele e, para escolher se continuará ou não, precisará conhecer ambos os lados. Não pode agir de forma parcial. Se achar que ele merece sua defesa, nos avise, pois preciso determinar quando ocorrera o julgamento. – Sharan se levantou e saiu. Ela não acreditava que aquilo estava ocorrendo, pois a primeira vez que ouvira o nome de Corr Sairy foi quando a Confederação determinou a todos os representantes dos planetas-membros caçarem o assassino do Maghnussy. Ela soube o que ocorreu com Risan Cloniech e com Antares e não queria ter que defender este tipo. Como a decisão somente poderia ser tomada depois de conhecer e conversar com o acusado, Sharan se dirigiu ao elevador e foi ao andar das celas. Quando chegou, ao se colocar de frente a cela de Corr Sairy, se deparou com um homem sentado no chão, em posição de meditação:

- O que está fazendo? – ela questionou ao vê-lo sentado no chão.

- Nada. – Corr Sairy disse. – Lá na Terra as pessoas têm o costume de sentar assim e meditar. No meu caso eu somente queria sentar. – E deu um sorriso de lado, ressaltando a cicatriz que passava pela lateral do rosto, cortando o olho, abaixo do tapa-olho.

- Por que não fez uma reconstrução, eliminando esta cicatriz e recolocando um olho no lugar deste... troço.

- Ah, isso é para me lembrar de que quando confiamos demais, sempre acaba no pior para a gente. – Corr Sairy então levantou de onde estava e ficou de frente para Sharan, percebendo que ela era mais alta do que ele lembrava. – Pelo jeito o Confederado-mor já lhe avisou que eu a escolhi como minha defensora.

- Agora eu me lembro de tê-lo visto em Crisyen. Fica difícil não se lembrar disso que usa sobre o olho. Ninguém usa. Mas você era somente um ajudante dos phællansis. Como conseguiu se tornar o herói da Guerra de Crisyen. – Corr Sairy pareceu incomodado com o comentário de Sharan.

- Não sou um herói. O que aconteceu é que eu tive uma ideia e eles concordaram. Heróis foram os que enfrentaram o Usurbildarra e pereceram em combate. Eu somente lancei a estratégia...

- Que te tornou a responsável pela queda de Brann Dawh. Eu senti que seria impossível ele largar o trono de forma natural...

- E foi por isso que eu escolhi você. Quando você saiu de Crisyen, naquele dia da negociação, me falaram que escolheram os Thrittanis, pois vocês têm a sensibilidade para reconhecer a índole de cada um. Que vocês são os melhores negociadores de acordos da Confederação Galaxial, por reconhecer o caráter, desde que não seja um Thrittanis. Ou seja, eu entendi que vocês são excelentes detectores de mentira.

- E o que isso tem a ver com você?

- Você saberá se eu estou mentindo ou não, quando eu digo que sou inocente de todas as acusações. – Sharan olhou profusamente para Corr Sairy e não percebeu nenhuma mudança de energia em volta do acusado quando ele disse que era inocente:

- Nem do assassinato do Maghnussy?

- Não. – A energia dele se mantinha estável. Mas ela sabia que aquilo não seria suficiente:

- Está bem, eu aceitarei o seu caso. Mas minha percepção não serve para inocentá-lo, principalmente pelas acusações virem de confederados e do líder do planeta Volos VI.

- Eu tenho como provar que tudo o que eles dizem não é verdade, principalmente o sequestro da Megami Aryannin. Eu fui contratado pelo Migoto Akonyionn para resgatá-la de um sequestro que ocorreu por parte do krarrashin Kotharyn...

- Está bem. – Sharan o bloqueou. – Antes de continuarmos esta conversa, preciso avisar ao Confederado-mor Stahirr que aceitarei seu caso. – Sharan então se retirou e voltou pelo caminho que veio. Quando as luzes se apagaram fora da cela, Corr Sairy voltou para a posição que estava e entrou em contato com S.E.:

- “Preciso que você entre em contato com Aryannin e a avise que pedirei a Sharan para entrar em contato com ela. Contarei que eles estão em Phællans”.

- “Mas você não acha melhor avisar a Li Kkan sobre isso?”

- “Não. Eu não quero que eles desconfiem que tenho uma comunicação com você. Só avise. Outra coisa, separe todos aqueles arquivos que guardei. Eu sabia que isso serviria para alguma coisa um dia”.

- “E como ficamos com o caso do assassinato? Ele poderia mudar tudo, se você quiser eu falo com ele”.

- “S.E., não vamos incomodá-lo com isso. Eu fiz um acordo com ele e vou mantê-lo. Não contarei a ninguém a verdade e nem pedirei que ele faça isso. Teremos que torcer pelo benefício da dúvida, pois a projeção não mostra muito”.

- “Está bem, vou fazer o que pediu”. – E cessou a transmissão, deixando Corr Sairy sozinho novamente.

Aryannin caminhava nos jardins do Palácio de Li Kkan. Ela preferiu isso do que ficar presa dentro do seu alojamento. Marcelle foi conhecer a cidade com Pum Riss, irmã de Ti Kkrus. Já Kotharyn preferiu ir conhecer a academia de luta dos phællansis.

Enquanto caminhava entre tantas plantas e via animais correndo ou saltando nos arboríferos, aquilo tudo lhe parecia ao mesmo tempo semelhante e inédito, como algo ainda difuso em suas mais antigas lembranças de uma vida passada, ela ouviu uma voz em sua cabeça, era S.E.:

- “Desculpe atrapalhar sua tranquilidade, Megami Aryannin, mas Corr Sairy pediu para lhe avisar que deverá, em breve, receber uma chamada. Infelizmente ele não permitiu que falasse mais do que isso, mas creio que seja a respeito de seu sequestro”.

- “Onde você está S.E.?” – Ela o questionou, olhando para o espaço aberto sobre sua cabeça, tentando localizá-lo, pois havia aprendido a controlar um de seus dons, a capacidade de ver a longa distância. – “Não consigo localizá-lo”.

- “Você consegue ver o espaço?” – S.E. soou espantado. – “Uau, essa foi boa. Bem, eu ainda estou no hangar da Confederação Galaxial, em Thrittan. Como Corr Sairy é a pessoa responsável pela criação dos chips neurais, ele tem como configurar que as chamadas passem pelo Anima Mundi, assim podemos alcançar qualquer pessoa que o Anima Mundi tem alcance. Legal, né?” – Aryannin pensou que S.E. parecia um jovem descobrindo o mundo com seu jeito de falar, e ele lhe disse. – “Obrigado por me ver desta forma. Bem, recado dado, vou nessa”. – E cessou a comunicação. Aryannin queria correr para contar a Kotharyn o que S.E. havia lhe dito, mas preferiu não o fazer. Ela poderia ser a única forma de inocentar Corr Sairy de uma das acusações e não pretendia envolver mais ninguém com isso.

De volta a Thrittan, Sharan voltava a sala do Confederado-mor Stahirr:

- Confederado-mor Stahirr, desculpa interrompe-lo, mas decidi aceitar o caso do acusado Corr Sairy de Crisyen. – Stahirr olhou para ela, descentre e questionou por que aceitou. – Ele não me pareceu culpado de nada que o incriminam, mas sei que isso não serve, então o ajudarei a ser inocentado.

- Se é assim que vê, prepare seu caso. O acusador será o Confederado Antares e, na contagem de tempo da Confederação, marcarei o julgamento para 14 arrs. Mandarei o comunicado para os planetas-membros da Confederação. Isso será o suficiente para preparar seu caso?

- Acredito que sim. Conversarei novamente com Corr Sairy, pois ele já começou a me revelar a possibilidade de ter provas que o inocentam. Obrigada, Confederado-mor Stahirr. – E Sharan saiu da sala do Confederado-mor. Assim que ela se retirou, Stahirr chamou novamente Goliath Hitarr e pediu que Victor Cambasi comparecesse à sua sala. Assim que o Confederado da Terra chegou à sala do Confederado-mor, o viu sentado ao lado de seu suplente. A cadeira que lhe servira outras vezes o esperava, mas antes de sentar o Confederado-mor já lhe questionou:

- Confederado Victor Cambasi, você pode nos garantir a culpabilidade dos crimes que o acusado Corr Sairy de Crisyen cometeu? – Cambasi não aparentou entender o questionamento do Confederado-mor. – Lhe pergunto, pois a Chefdiplomat Sharan de Thrittan aceitou defende-lo, e me disse que o acusado tem provas da inocência dele.

- Isso seria impossível. – Cambasi balbuciou.

- Por que seria impossível, Confederado Victor Cambasi. – Questionou Goliath Hitarr. Cambasi se sentiu incomodado com o questionamento, mas tentou manter a compostura:

- Porque ele deve ter forjado tais provas. Tenho total certeza que nossas provas são o suficiente para incrimina-lo por cada crime que Corsário cometeu.

- Espero que sim, Confederado Victor Cambasi. – Disse o Confederado-mor Stahirr. – Agora pode se retirar. Prepare suas provas e passe para o Confederado Antares. O julgamento acontecerá dentro de 14 arrs.

Cambasi não estava feliz com tudo que foi dito na sala do Confederado-mor, então não demorou muito e foi direto ao elevador para chegar ao andar das celas. Lá chegando se colocou em frente à cela de Corr Sairy:

- Você se acha muito esperto, não é? – Ele falou de certa esbaforida. Corr Sairy estava deitado. Levantou-se e olhou para Cambasi a sua frente:

- Você até demorou em me visitar, hein? – Ele disse de forma zombeteira. – Depois de tanto tempo sem nos falarmos pensei que você tinha me esquecido, Cambasi.

- É Confederado Victor Cambasi para você. – Cambasi disse de forma aborrecida. – O que acha que fará? Acha que sairá daqui andando e continuará passeando pelo espaço em sua nave? Eu garantirei que você apodrecerá em uma cela do Satélite-prisão.

- Nossa. Palavras fortes vindo de você! Quando começou a ser uma pessoa tão... determinada? – Corr Sairy continuou debochando de Cambasi. – Será que é por que eu estou atrás desta cela. E se eu pudesse sair, como seria? Você sabe, Cambasi, eu sou um excelente engenheiro. E estamos dizendo que agora sou um assassino... será? – Corr Sairy faz que vai sair da cela e Cambasi recua, o que é o suficiente para que o crisyeno dê boas gargalhadas:

- Você se acha melhor do que eu, não é? – Cambasi parecia que ia perder a cabeça. Seu rosto ficou vermelho. – Quando você for enviado para o Satélite-prisão, eu que rirei. – E saiu em passos largos, deixando Corr Sairy gargalhando dele.

Em Phællans, Aryannin, Marcelle e Kotharyn são chamados para um escritório de acesso à sala do trono. Quando chegam lá, além de Li Kkan e Elizabeth, estão Lyn Xus, Ti Kkrus, Le Pann, Pum Riss, Si Berk e Chee Trys:

- Ah, que bom que chegaram. – Disse Li Kkan, com os três olhando de forma espantada. – Por favor, entrem e se sentem. Quero lhes apresentar os membros mais próximos da corte. Vocês já os conheceram quando chegaram, mas somente lhes apresentei nosso usosayensi omkhulu Lyn Xus, e nosso Injiniyela omkhulu[1] Ti Kkrus demonstrou sua eficiência. Marcelle você conheceu Pum Riss, ela é nossa uthisha[2], isazi-mlando[3] e umtapo wolwazi[4]. Esta é Le Pann, nossa Inhloko yesiko[5] e Si Berk é nosso isazi sezomthetho[6]. Já Chee Trys é a induna yonogada[7], irmã de Ja Kris, que é nossa Umholi omkhulu[8] e serve como umholi[9] dos representantes phællansis na Confederação. O nosso Confederado é Pan Rrar, umyeni de Ja Kris.

- Por que nos chamou aqui, Ubukhosi? – Questionou Aryannin.

- Perdoem a empolgação de meu umyeni. – Disse Elizabeth. – Chamamos vocês aqui, pois foi-nos comunicado que dentro de 14 arrs ocorrerá o julgamento de Corr Sairy e juntamos a todos para um aviso formal.

- Exato. – Confirmou Li Kkan. – Ti Kkrus estabeleça contato com os Guerreiros Alados, na Terra. Prometemos que os chamaríamos, também. – E o Injiniyela omkhulu de Phællans acionou um bracelete que está usando, gerando uma comunicação que logo é respondida, aparecendo a frente deles o jovem Ricardo Dévero:

- Ubukhosi Li Kkan? A que devemos a honra? – Ele perguntou.

- Olá, jovem Ricardo Dévero. O major Skill Hawkesley encontra-se? – Questionou Li Kkan.

- Vou chama-lo. – E saiu, voltando momentos depois com Skill e H-Kik:

- Ubukhosi Li Kkan, deseja falar comigo? – Skill interpelou. Logo atrás dele, surgiram Sth Nnie e Sw Fitt.

- Como havíamos combinado, e mantendo minha palavra. Vim avisá-los que o julgamento ocorrerá em 14 arrs, que na contagem terrana corresponderá, mais ou menos, a quatro meses e meio. Conseguirão chegar aqui antes disso?

- Partiremos agora. Caso seja, usaremos uma Fenda Hipertemporal para chegarmos antes. Agradeço por nos chamarem para acompanharmos sua comitiva, Ubukhosi. – E encerrou a comunicação:

- Bem, é isso! – Concluiu Li Kkan. – Vamos espera-los chegar. Ademais, aproveitem seu tempo livre para se organizarem. Pum Riss me disse que tiveste interesse em nosso indlu yasezulwini, Marcelle Menken?

- Sim, Ubukhosi Li Kkan. – Respondeu Marcelle. – É interessantíssimo, pois abre uma possibilidade de termos acesso a locais da galáxia ou mesmo do universo que demoraríamos muito a alcançar. Gostaria de passar mais tempo lá, até nossa saída, se me permitir.

- Lógico. – Disse Li Kkan. – Pum Riss, dê acesso total a Marcelle Menken para que possas “viajar” para onde desejares.

- Com certeza, Ubukhosi. – Respondeu Pum Riss, com um sorriso no rosto. – Acompanhe-me, Marcelle Menken. – Enquanto caminhavam para o indlu yasezulwini, Pum Riss comentou algo com Marcelle. – Vocês terranos são extremamente interessantes. Quando Corr Sairy estava aqui conosco, se recuperando, ele não saía da indlu yezincwadi de Phællans, local que estiveste anteriormente. Mesmo com todo o acesso ao Anima Mundi, que a esposa dele desenvolvera, ele preferia a indlu yezincwadi. Vocês não é indodakazi[10] dele? – Marcelle não compreendeu, então Pum Riss tentou explicar. – Tens uma ligação próxima a ele. – Então Marcelle sorriu de volta com aquele comentário, mas logo perguntou:

- O que aconteceu com Corr Sairy? Ele não dá detalhes a respeito da cicatriz no rosto e do tapa-olho. – Pum Riss olhou para Marcelle com certo desconcertamento:

- Infelizmente não me permito falar, pois não é minha história. Nós geralmente não contamos às histórias dos outros, deixamos para que eles as contem. Se Corr Sairy ainda não lhe contou, é porque ainda não vira o momento adequado para tal.

- Mas por que ela não está no Anima Mundi? – Questionou Marcelle, que sentiu sua curiosidade atiçada. Pum Riss voltou a sorrir, de forma divertida:

- Porque é uma história como a sua ou a minha, ou seja, é algo comum. Se procurarmos sobre Aryannin, encontraremos a história dela, pois ela é uma Megami, mas se procurarmos sobre o amigo de vocês, Kotharyn, não teremos nada, pois mesmo que ele faça parte da nobreza krarrashin, a história deles terminou sendo interrompida quando o Migoto Akytiorr lhes tirou a liberdade. Todos os registros no Anima Mundi são alimentados pelos planetas-membros da Confederação Galaxial. Talvez você consiga identificar o nome de Corr Sairy na Guerra de Crisyen ou na Crise de KellDesh e, agora como assassino do Maghnussy (que espero conseguirmos mudar isso), mas só.

- Ele nem menciona o nome dele da Terra, para saber mais sobre ele. – Falou Marcelle com certa aflição. – Parece que ele desapareceu.

- Ele fez isso! – Pontuou Pum Riss. – Corr Sairy conhece bem os algoritmos mestres, então ele conseguiu “se apagar” do Anima Mundi. Se procurar sobre o chip neural, encontrará que um engenheiro de nanotecnologia o desenvolveu, mas sem referência ao seu nome. – Marcelle decidiu fazer o teste:

“Os chips neurais começaram a ser desenvolvidos durante a Iniciativa Terra do Amanhã, no ano terrano de 3555 (K-Rarr 844.99). Um engenheiro de nanotecnologia o criou para suporte ao Anima Mundi, criado pela analista de sistemas, Dra. Josiane Curtis, e pode ser ligado ao córtex cerebral sem necessidade de cirurgia, com uma micro-incisão no lóbulo temporal esquerdo, sem causar danos aos tecidos cerebrais ou qualquer efeito colateral. O primeiro chip neural produzido tinha somente 10 terabytes de capacidade e foi usado durante a viagem experimental da nave Prometheus IV. A capacidade de armazenamento foi ampliada para 100 geobytes, mas nunca ultrapassa o limite de 2 petabytes. O chip neural tem um sistema omniversal de idiomas, podendo identificar e traduzir um idioma em 0,215 nanosegundos, além de permitir uma comunicação neural, sem necessidade de artefatos sonoros ou auriculares”.

- Você procurou, não foi? – Questionou Pum Riss ao ver o olhar distraído de Marcelle. – Percebeu o que falei?

- Sim. É estranho, pois fala somente que “um engenheiro de nanotecnologia o criou para suporte ao Anima Mundi, criado pela analista de sistemas, Dra. Josiane Curtis”, mas o nome dele nem é mencionado.

- Lyn Xus questionou Corr Sairy, k-rarrs atrás, o motivo dele ter feito isso, e ele disse que não importava o passado dele, mas sim o que ele realizaria dali para frente.

- Bem, importa para mim, e eu descobrirei isso, com certeza.

- Boa sorte. – Elas chegaram ao observatório. – Aqui estamos. Uthisha Pum Riss dando acesso total as informações à Marcelle Menken. Escanear! – Uma luz surgiu e passou por toda a extensão do corpo de Marcelle. – Pronto, o universo está a tua disposição! Preciso ir ao Sikhungo Semfundvo e deixar tudo acertado, antes de nossa viagem. Boa pesquisa! – E se retirou, deixando Marcelle sozinha com seus questionamentos sobre seu padrinho.

Corr Sairy ainda permanecia em sua cela, quando Sharan chega para vê-lo e adentra em seu cubículo:

- Peraí, isso está aberto e eu posso entrar e sair? – Questionou Corr Sairy espantado porque a jovem de traje alvo entrou tão facilmente:

- Sim, se você tivesse o mesmo padrão energético que um Thrittanis. – Sharan respondeu de forma sarcástica. – Bem, precisamos resolver algumas coisas, pois o Confederado Victor Cambasi levantou a suspeita que todo e qualquer arquivo que você tenha pode ser uma falsificação. Preciso saber o que você tem e agora.

- Está bem. Vá até S.E. que ele permitirá que tenha acesso a todos os arquivos, pois já deve estar ciente que você é minha defensora.

- Farei isso. Uma pergunta, você recebeu alguma visita além da minha e do Confederado-mor Stahirr?

- Se está me questionando se outro Confederado, como Victor Cambasi, da Terra, me fez alguma visita neste meio tempo? Bem, não gosto de mentiras... então, sim!

- Ele fez isso? Bom saber, pois isso fere...

- O Artigo 64 da Confederação Galaxial? Sim, eu também sei disso, mas preferi não contar a ele. Achei que não se importaria.

- Você conhece a Lei da Confederação Galaxial?

- Algumas. Guardei elas para acessar quando quisesse em meu chip neural. Sabia que isso era possível? – Sharan jogou a cabeça de lado e olhou com curiosidade para Corr Sairy e o questionou:

- Como você sabe disso?

- Porque eu o criei. Lógico que retirei meu nome de lá, mas eu que criei o chip neural. Sei que Victor Cambasi termina levando a fama, mas nem ligo mais. Isso foi no século XXXVI da Terra e hoje ela deve estar no século LV. O que foi, não importa mais. – Sharan ainda estava intrigada:

- Você desenvolveu um dispositivo que toda a Confederação Galaxial usa, e para você não é nada demais?

- Não achei que vocês Thrittanis se importassem com isso?

- Não, mas me impressiona um ex-terrano não ligar para isso. Sei que temos pouco conhecimento dos terranos, pois nosso único contato na Confederação Galaxial é com o Confederado Victor Cambasi e, mesmo com todas as reuniões ordinárias, extraordinárias, nunca temos outros que vêm aqui. E Cambasi parece tão pomposo, senhor de si... nos faz crer que todos os terranos são assim.

- Bem, começamos que não sou mais terrano. – Sharan deu um sorriso sob a máscara. – Tá, eu nasci na Terra, mas mesmo tendo vivido lá durante 45 anos nela, estou tanto tempo longe que acredito pertencer mais ao espaço do que àquele planeta. Sem contar que os crisyenos me “adotaram”. Cambasi é um exemplo bem enfadonho dos terranos. Deveria visitar mais a Terra, Chefdiplomat Sharan, ou perguntar ao Confederado-mor Stahirr como é viver lá.

- Antes preciso resolver este problema do Confederado Victor Cambasi. Ele não pode vir aqui e fazer qualquer ameaça ou insinuação de ameaça, - Sharan olhou para Corr Sairy – mesmo que você não se importe. Falarei com o Confederado-mor Stahirr quanto a isso e depois irei à sua nave...

- S.E. Não o chame de nave, ele não gosta muito.

- Está bem. S.E. Deixe-me ir resolver isso. – E Sharan saiu. Assim que ela se foi, Corr Sairy contactou S.E:

- “A respeite, S.E., e forneça tudo o que ela precisar. Cambasi quer desacreditar tudo o que temos, então ele pagará por tudo o que nos causou”.

- “Você quer que forneça tudo? Até mesmo o ataque?”

- “Sim. Pode fornecer isso, também. Tanto a projeção quanto a transmissão da Caixa Preta”.

- “Tá certo. E quanto a comunicação com Aryannin?”

- “Providencie isso também. Não quero aquele miserável do Migoto Akonyionn levando a melhor nisso”. – E a comunicação foi encerrada. Momentos depois, o Confederado-mor convocava Victor Cambasi, novamente, a sua sala. Ao chegar lá, Cambasi se depara não somente com o Confederado-mor e seu suplente sentados atrás da mesa, mas com Sharan, em pé, ao lado dela:

- Entre Confederado Victor Cambasi. – Disse Stahirr e, após Cambasi se sentar, continuou. – Aparentemente a prisão do criminoso Corr Sairy o tornou um constante visitante de nossa sala, e agora por uma denúncia muito séria. A nossa Chefdiplomat, Sharan de Thrittan, disse que você desceu ao andar das celas para dialogar com o prisioneiro.

- E quem contou isso, Confederado-mor? O Corsário? – Questionou Cambasi de forma desdenhosa.

- Na verdade, - disse Sharan – mesmo que o zellsektor[11] não tenha monitoramento, por não vermos necessidade de tal, os elevadores possuem uma cadeia de acesso que nos é informado aonde ele vai e quem o acessou. Além de mim, que preciso visitar ao acusado, as outras pessoas que o visitaram foram o Confederado Antares, que o levou até a cela, o Confederado-mor Stahirr, que foi instrui-lo a respeito da sua prisão e escolha de defensoria, e o Confederado Victor Cambasi, no caso você. O que fazia lá? – Cambasi sentiu-se acuado:

- Confederado-mor Stahirr, permitirá que ela me trate assim?

- Confederado Victor Cambasi, como bem sabe Sharan não é somente a diplomata de Thrittan, mas a Chefdiplomat. – Respondeu Stahirr, de forma ponderada. – Cargo este que já pertenceu a mim antes dela, e sei muito bem que ela tem todo o direito deste interrogatório, já que a Confederação Galaxial está sob cuidados dela, de certa forma, pois lidera os representantes de Thrittan na Confederação Galaxial. E, como bem sabe, o Artigo 2 da Lei da Confederação Galaxial é respeitar as normas, leis e regras dos planetas-membros e da Confederação Galaxial.

- Na Lei da Confederação Galaxial existe, também, Artigo 64 que fala sobre o encarceramento de prisioneiros pré-julgamento, e o seu Inciso 3 diz que o prisioneiro somente pode receber visitas do seu acusador, defensor ou do cargo mais alto da Confederação, no caso, o Confederado-mor. O que não seria o seu caso. – Disse Goliath Hitarr. Cambasi suava frio e sentiu suas pernas fraquejarem. Se estivesse em pé, teria caído, mas seu cérebro agia rápido, não era à toa que tinha sido escolhido como Confederado da Terra, pois conseguiria resolver os problemas com agilidade:

- Eu fui avisá-lo que ele não escapará tão facilmente, principalmente destilando suas mentiras. – Sharan ia falar algo, mas viu a mão do Confederado-mor Stahirr levantar:

- Isso é totalmente inapropriado, Confederado Victor Cambasi. Por causa dessa atitude, ficará confinado ao seu ambiente até o momento do julgamento, dentro de 13 Arrs. – Cambasi ia se pronunciar, quando a mão de Stahirr se ergueu novamente. – Se houver protestos quanto a isso, ficará impossibilitado de participar do julgamento de Corr Sairy. É o que deseja?

- Logicamente que não, Confederado-mor. – Disse Cambasi como tivesse sido derrotado.

- Encaminhe-se então para seu ambiente. Ficará sobre guarda até o dia do julgamento. – Após Stahirr encerrar, Cambasi saiu da sala e, logo depois Sharan saiu, também, sem muitas declarações, se dirigiu ao hangar onde estava S.E. Ao localizá-lo, com as ranhuras douradas em seu casco escuro reluzente, ela se aproximou e a comporta abriu, de forma convidativa. Mesmo achando estranho, ela entrou:

- Corr Sairy não disse que você seria tão receptivo. – Ela falou, já no interior da nave.

- Ele não é tão esperto quanto ele pensa. – Ela ouviu a voz adolescente e metalizada de S.E.

- Você é S.E.?

- Águia de Aço IV, ao seu prazer. Mas pode me chamar de S.E., sem problemas.

- Por que me aceitou no seu interior?

- Porque está em todos os canais da Confederação Galaxial que você será a defensora de Corr Sairy. Uma leve pesquisa de quem você era e... Aqui está você!

- Vou precisar de todos os arquivos de missões de Corr Sairy. Você os tem?

- Lógico. Do período antes do ataque e depois do ataque...

- Ataque? O que o deixou com aquele objeto sobre o olho?

- O tapa-olho? Sim. Este foi o pior dia para nós. Ele usa o tapa-olho para não esquecer e eu guardo o arquivo...

- Você tem o arquivo disso, também?

- Lógico. Tenho todos os arquivos de mensagens da Caixa Preta que eu capturei na época. Eu não era nem metade do que sou hoje, mas mesmo assim estão comigo.

- Eu poderia usa-los, também. Se me permitir. – S.E. fez uma pausa dramática, como se pensasse no caso:

- Está bem. Anexarei aos outros arquivos. – Um tempo depois, ele ejeta um pequeno chip. – Aí está tudo. Agora preciso entrar em contato com Marcelle, Kotharyn e Aryannin, para saber se viram à Thrittan...

- Eu preciso falar com Aryannin, você já deve saber.

- Lógico, Corr Sairy foi acusado de seu sequestro. Mas isso não ocorreu, preciso saber se ela virá para testemunhar a favor de Corr Sairy.

- Eu poderia falar com ela. É essencial para o caso e me poupará um tempo precioso.

- Será um prazer. – E S.E. iniciou uma transmissão para Phællans, pedindo para falar com Aryannin e, rapidamente, a transmissão foi transferida para onde ela estava. – Transmitindo.

- S.E... quem é você? – Disse a projeção de Aryannin.

- Megami Aryannin, eu sou a defensora de Corr Sairy, Chefdiplomat Sharan de Thrittan. Posso lhe falar?

- Ele não é culpado do que lhe acusam! – Aryannin já foi dizendo. – Ele não me sequestrou.

- Entendo. Então você testemunharia isso, caso seja necessário?

- Logicamente. Tudo o que for preciso para ajudar Corr Sairy. O Ubukhosi Li Kkan de Phællans estará indo com uma comitiva na qual farei parte, pois pretendo ajudar na liberação de Corr Sairy.

- Sou muito agradecida por isso, Megami Aryannin. – E a ligação foi encerrada:

- Bem, foi bem rápida essa. – Disse S.E. – Depois ligo novamente para saber se Kotharyn e Marcelle virão. – Um sorriso brotou no rosto de Sharan. – Espero que tudo que lhe forneci seja de grande ajuda.

- Será. Muito obrigada por tudo, S.E. Percebi que ficou com umas ranhuras em seu casco. Ficará bem?

- Ah, cicatrizes de guerra. Obrigado pela preocupação. – E Sharan saiu do interior de S.E., mas ao invés de ir para sua sala, ver o que tinha em mãos, desceu, novamente, às celas e lá estava Corr Sairy, sentado na cama, olhando o nada:

- Sabe, quase que conseguiu. – Disse Sharan, entrando na cela e vendo Corr Sairy com um semblante de incompreensão. – S.E. é muito bom. Ele até me convenceu a pedir pelo arquivo do ataque a vocês, mas Aryannin, por mais que seja uma Megami, demonstrou muita ansiedade em falar.

- E você acha que ela está mentindo? Você acha que os arquivos são falsos?

- Não. Eu acredito que os arquivos são verdadeiros, bem como ela disse a verdade, mas eu me pergunto como você se comunicou com eles. Lembre-se você falou que não gosta de mentiras... e que eu identificaria caso mentisse.

- Sim, eu sei disso. Mas eu não falei com Aryannin, em nenhum momento. As tempestades energéticas de Thrittan não permitiriam qualquer comunicação por chip neural...

- Mas se comunicou com S.E., não foi? Sabia que, por causa disso, eu poderia largar seu caso. É totalmente proibido qualquer comunicação de um prisioneiro.

- Não é exatamente isso, aparentemente meu chip neural deveria ter sido bloqueado e não ocorreu.

- Como assim?

- Como lhe disse, eu criei o chip neural, então conhecer o mainframe dele é fácil. Nem precisei tirar de onde estava, ampliei sua capacidade e alterei a configuração de contato, podendo manter-me ligado quando e onde desejar (com exceção de fora daqui, devido ao campo energético). Não estou cometendo crime nenhum, pois não há nada nas Leis da Confederação ou da Terra que fale sobre mudanças na configuração do chip neural. E, além do que, S.E. é um amigo...

- Um cúmplice, você quer dizer. Ele estava com você quando, supostamente, cometeu os crimes que fora acusado.

- Não exatamente. Só comecei a desenvolver S.E. com o tempo. A primeira versão era de uma Inteligência Artificial nível 2, sem muita autonomia. Ela durou até a versão 3, quando fomos atacados e quase mortos. Em Phællans que comecei a desenvolver a versão que você conheceu, uma Inteligência Artificial nível 5, totalmente independente. S.E. é totalmente cognitivo, nem precisaria de mim, mas trabalhamos bem juntos e ele é agradecido por eu tê-lo criado.

- Então seu chip neural não está somente usando o tradutor omniversal?

- Não. Eu mantive o número de série, pois ele está registrado no banco de dados, mas as alterações configurativas me permitem mais, por exemplo, se eu desejasse ficaria invisível para a Confederação Galaxial, eu desapareceria, mas quero um julgamento justo e ser inocentado do que estou sendo acusado. – Sharan sentiu que, em nenhum momento, Corr Sairy lhe mentiu. Então somente falou:

- Nada mais de comunicações com S.E., por favor. Não reportarei a Confederação Galaxial, se prometer. Mas se não, desisto agora do seu caso. – Corr Sairy tentou procurar algo por trás daquela máscara alva, mas ela era pior do que Antares e, muito contragosto ele disse:

- Está bem. Não me comunicarei com S.E. até o encerramento disso tudo. – Sharan parecia impassível, mas disse:

- Então estamos combinados. Irei agora examinar tudo que recebi de S.E. Preciso passar pelo teste de confiabilidade, senão a Confederação Galaxial não aceitará. Voltarei em breve. – E Sharan saiu da cela. A partir daquele momento, Corr Sairy ficou mais sozinho do que já estava.



[1] Injiniyela omkhulu = Engenheiro-mor

[2] Uthisha = professora

[3] Isazi-mlando = historiadora

[4] Umtapo wolwazi = bibliotecária

[5] Inhloko yesiko = Chefe da Cultura

[6] Isazi sezomthetho = Perito legal

[7] Induna yonogada = Chefe de segurança

[8] Umholi omkhulu = Grande líder

[9] Umholi = líder

[10] Indodakazi = filha

[11] Zellsektor = Setor de celas

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