- Acorda pra cuspir, moleza! – S.E. gritava, acordando a todo do sono induzido e sem sonhos que eles passavam. Corr Sairy sentia seu corpo dolorido e atrofiado:
-
Quanto tempo ficamos hibernando, S.E.?
-
Er... acho que mais tempo do que o planejado. – S.E. disse e sua voa soava
constrangida. Corr Sairy não estava feliz:
-
Mas... você melhor do que ninguém sabe que o corpo precisa de exercício.
Ficarmos em hibernação por muito tempo trava as juntas. Quanto tempo?
-
Possiveis 1.3 k-rarrs. – Ninguém entendia a discussão dos dois. Marcelle também
sentia dores nas juntas, mas Antares, Aryannin e Kotharyn pareceram se
recuperar rapidamente. – Ah, todos estão bem (com exceção de você e Marcelle).
Para de reclamar que nem um velho reclamão. Dá uma olhada no globo cintilante.
A
visão de Corr Sairy ainda estava meio turva, devido o tempo de olhos fechados,
a luz o incomodava, principalmente a que vinha do detector do Galaxya, que
parecia bem intensa:
-
Quão perto estamos dele? – Corr Sairy perguntou, pois o foco estava difícil de
dar uma ideia:
-
Pela intensidade do brilho do espectro, acredito que bem perto. – Disse S.E.
-
Diminua a intensidade da luz. – Corr Sairy pediu. – Minhas vistas ainda não se
recuperaram totalmente. Vou no alojamento para me limpar e já volto. – Todos
olhavam para o globo brilhante (até mesmo Marcelle) e não entendiam o que Corr
Sairy falava. Estalando as juntas adormecidas, Marcelle disse:
-
O que aconteceu com Corr Sairy?
-
O corpo humano não pode ultrapassar mais de um k-rarr de descanso em
hibernação, pois além das juntas enrijecerem um pouco (nada não recuperável),
os olhos ficam sensíveis a luzes intensas, pois ficaram muito tempo fechado.
Lembrando um k-rarr...
-
São quase dez anos terranos. – Completou Marcelle. – É, ele me explicou. Então
ele ainda não está completamente recuperado.
-
Não, por isso foi sentado no assento dele. No alojamento, a um banho fruído,
que energiza as juntas e desembaça as vistas. Se estiverem com fome, temos
suprimentos sobre seus pés.
-
Estamos perto de alguma estrela.
-
Sim, não a identifiquei, mas parece bem cintilante e me recarregou legal.
-
Tem como eu vê-la? – Perguntou Marcelle.
-
Ah é, você se alimenta dessa forma. ‘Pera aí! – E S.E. desofuscou à frente do
cockpit, mostrando a enorme estrela azul que estava do lado de fora. Todos
olharam para ela, sem se importar. – Isso é muito legal, pois Corr Sairy, como
humano, nunca pode olhar direto para uma estrela, poderia cegá-lo.
-
Quando ele chegar você ofusca novamente, mas por enquanto eu me alimento.
-
E vocês? Ninguém mais precisa de comida?
-
Eu nunca me lembrei de precisar me alimentar. – Disse Antares no seu tom
monotônico.
-
Eu aceitaria algo para comer. E você, Kotharyn? – Disse Aryannin.
-
Não me importaria de comer algo. – Respondeu o gigante krarrashin.
Quando
Corr Sairy voltou (havia trocado o traje que usava ainda da câmara hibernária),
viu S.E. ofuscando à frente da nave:
-
Marcelle se alimentou? – Ele questionou S.E., mas foi a jovem que respondeu:
-
Sim, ele me permitiu ver a estrela que estava lá fora. Pena que você não pode
vê-la. – Disse Marcelle.
-
Nem todos nascemos com capacidades maravilhosas, Estrelinha. – Brincou Corr
Sairy, reparando que uma mesa estava posta no cockpit e pegando uma espécie de
fruta de espinho moles e mordendo-a. – Vamos lá, cadê nosso aparato detector? –
Corr Sairy olhou para a esfera e ela brilhava de como se fosse uma estrela sem
núcleo. – Parece que estamos bem perto mesmo. Aonde estamos, S.E.?
-
Não reconheço o setor espacial que estamos. Nunca chegamos tão distantes do
setor espacial que sempre estivemos.
-
Mapeie os sistemas estelares mais próximos e vamos tentar nos localizar. –
Então S.E. projetou a Via Láctea na frente de todos e foi ampliando até sua
localização exata. – Estamos em um setor espacial que eu chamo de “setor
virgem”, ou seja, que nunca chegamos antes. Tem planetas habitados?
-
Localizei 415 sistemas estelares próximos. Destes 349 tem planetas com formas
de vida. A estrela que estamos próximo não tem nenhum planeta habitado. –
Respondeu S.E.
-
Você ainda está navegando?
-
Sim, buscando cercear a distância de nós para ele.
-
Faça o seguinte, pare! – Disse Corr Sairy, sem ninguém entender o que ele
queria:
-
Mas parar, por quê? Estamos tão perto! – Disse S.E.
-
Somente pare. Acredito que estamos sendo analisados neste exato momento. –
Pontuou Corr Sairy:
-
Mas por que dizes isso, Corr Sairy? – Inquiriu Antares.
-
Porque ele sabe que o procuramos. Este detector não somente nos mostra aonde
Galaxya está, mas o avisa que quem o possui está perto dele.
-
Os dommæns lhe falaram isso? – Questionou Aryannin.
-
Nem precisaram. Eles são essa esfera de Galaxya, ou seja, é ele e não é.
-
Tá, fiquei confuso. Logo eu que convivo contigo há tanto tempo. – Retrucou S.E.
-
Você parou? – Perguntou Corr Sairy.
-
Sim, estamos parados. Mas continuo sem entender... – Antes que S.E. pudesse
concluir suas palavras, uma colossal esfera reluzente apareceu diante deles e,
dentro da nave, a esfera também se tornava visível e dela saiu uma voz:
-
Por que me procuram?
-
Porque quero viajar com você! – Corr Sairy disse rapidamente, pois esperava
falar aquilo desde que soube sobre o Galaxya. Sem lhe responder, uma pequena
comporta se abriu diante de S.E. – Vá naquela direção, S.E. – E S.E. fez o que
Corr Sairy lhe pediu. Quando entraram, o ambiente parecia lívido e
esterilizado, sem uma viva alma ou algo que se assemelhasse a isto.
Rapidamente, sobre S.E. surgiu um plano, onde ela pousou:
-
Sejam bem-vindos. – Disse a esfera. – Podem desembarcar. – Corr Sairy então
falou com S.E. pelo chip neural:
-
“Está muito fácil!” – Mas foi a voz da esfera que ele ouviu:
-
“E por que não estaria?” – Aquilo foi assustador de várias formas, pois ele não
poderia mais ter conversas privadas com S.E.:
-
Está bem, com quem estamos falando? – Questionou Corr Sairy e sua voz soava
injuriada. Ninguém entendeu nada:
-
Você disse que queria viajar comigo. Agora está desconfiado de mim e das minhas
intenções, tentando contato com este que você está no interior. Pois bem, eu
sou o Galaxya e agora vocês estão no meu interior, Corr Sairy, S.E., Marcelle
Menken, Antares, Aryannin e Kotharyn. Eu não os conheço e vocês não me
conhecem, mas o dispositivo que vocês possuem... Obrigado Corr Sairy, o chip
neural, me permite que eu saiba quem são. Não sei o que falaram de mim para
vocês, mas acreditem, longe de mim fazer mal a seres que viajaram até aqui para
me conhecer. Não posso força-los a saírem do interior do S.E., mas gostaria que
o fizessem, assim vocês teriam mais espaço, até mesmo para vocês. – Ninguém
disse nada, então, tomando a iniciativa, S.E. abriu sua comporta e estendeu a
passarela para quem desejasse descer:
-
Ah, Corr Sairy, tem eras que procuramos pelo Galaxya e agora você está
temeroso? Isso tem a ver com não confiar em ninguém?
-
Você lembra o que aconteceu conosco, não? – Disse Corr Sairy.
-
Nunca teria como esquecer. Mas nós procuramos por ele. Desce logo, medrosão. –
Corr Sairy sentiu o tom de implicância e desafio de S.E. e, antes dele decidir
se desceria ou não, os outros fizeram. Corr Sairy os seguiu:
-
Que bom que desceram. – Disse Galaxya. O piso perdia-se de vista e, por
incrível que fosse, Corr Sairy não precisava de um traje para ficar ali:
-
Eu nunca imaginei que você fosse cavo em seu interior.
-
Minha condição, seja interna ou externa, fica ao meu bel prazer. Quando disse
que desejava viajar comigo, acreditei que não seria no meu exterior, pois não
tenho atmosfera compatível com suas necessidades. Terranos ou terrestres ou
terráqueos precisam de ambientes como este que estão agora. Os demais se
adaptam ao ambiente que estão, então precisei me preocupar mais contigo.
-
Não sou mais terrano. – Disse Corr Sairy.
-
Sim, mas nasceste na Terra. Seus registros mostram que, para a Terra, estais
morto, mas para Crisyen é um novo membro. Então o tratarei como crisyeno. Já a
jovem terrana, que condição impressionante, emanas uma radiação de ti que é
fascinante. Os krarrashins já são seres adaptados por si só. E temos a Megami
Aryannin, em seu décimo-quinto keshin. Já Antares de Mæsttra (não sei que
planeta é este, pois a Estrela Antares nunca teve planetas habitáveis), é uma
incógnita. Sejam bem-vindos. – Analisou Galaxya, cada um de seus novos
habitantes. – Se repararem sob suas cabeças estou criando um novo piso que
poderão subir pelo tuboelevador do seu lado direito, não tão distante para não
precisarem andar demais. – Todos começaram a caminhar para o tuboelevador que
surgiu, com exceção de Corr Sairy:
-
Por que você não vem? – Questionou Marcelle.
-
Prefiro fazer companhia a S.E. Vai lá, visite o próximo piso. – E Marcelle
seguiu com os outros. Quando chegaram ao andar acima de onde estavam, o centro
do piso foi ocupado por uma parede e, nestas paredes surgiram aberturas, como
portas:
-
Atrás de cada uma dessas comportas, existem ambientes que poderão ser
automatizados com o que desejarem, ou seja, serão criados ambientes virtuais
que serão seus dormitórios. – Disse Galaxya e cada um deles adentrou em um
espaço completamente vazio e Galaxya disse a cada um. – Deixe sua mente
vislumbrar o que deseja. – Todos cerraram os olhos e quando abriram o ambiente
estava como seus quartos e alojamentos. Enquanto isso ocorria, Galaxya também
conversava com Corr Sairy:
-
Por que não deseja um quarto?
-
Não sei o que é isso há muito tempo. Vivo eu e S.E., sozinhos.
-
Então ficará aqui com ele?
-
Se não for problema.
-
Logicamente que não. Não é nenhum problema. Fique à vontade. – Quando a
conversa parecia encerrada, Corr Sairy perguntou:
-
Por que dois dommæns que eu conheço disseram que você poderia ser hostil. –
Galaxya logo disse:
-
Eles disseram? Bem, possivelmente porque eu fora hostil com dois dommæns que me
procuraram há tempos atrás. Os dois queriam me transformar em um ithaveni ou
coisa parecida deles. Os enxotei daqui imediatamente. Sou um explorador, um ser
que deseja conhecer tudo e todos. Se quiser vir nessa viagem comigo, és
bem-vindo. Mas se desejas algo mais, não serei tão receptivo. Sou tão vivo
quanto qualquer outro, e mais velho, também. Quando os pressenti, graças a
esfera que carregas, escaneei-os. Vocês estavam hibernando, com exceção de
S.E., que me procurava com afinco. Percebi uma ligação entre vocês assim que
acordaste. Você parecia aborrecido com S.E., mas vi o quanto estava feliz e
contente dele ter me encontrado.
-
Não tem ninguém em quem eu mais confie do S.E. – Disse Corr Sairy.
-
Percebesse. E se o respeita, creio que me respeitará, também.
-
Sim, é o que pretendo fazer.
-
Percebi que S.E. possui avarias.
-
Sim, os arranhados foram quando entramos e ele saiu de Thrittan, conhece? (que
pergunta estupida eu fiz!)
-
Sim, conheço. Bem, precisas de ajuda para o reparo?
-
No momento, não. Mas pedirei se precisar. Obrigado Galaxya.
-
Não tem do quê.
Enquanto
isso, em um dos alojamentos projetados, Antares buscava tentar contato, quando
Galaxya percebeu:
-
Desejas algo? – Galaxya questionou Antares.
-
Preciso estabelecer contato com a Confederação Galaxial.
-
Sim, és o Confederado Antares de um planeta que não existe. Conhecido como
Confederado-guerreiro. Temido por todos os planetas-membros da Confederação
Galaxial por ter exterminado o gigante callyns Ikken Bergg. A Confederação
Galaxial o procura desde que desaparecera, Confederado Antares. – Disse
Galaxya.
-
Como posso estabelecer contato com o Confederado-mor Stahirr?
-
Tens certeza que desejas isso?
-
Logicamente. Preciso falar com ele com urgência.
-
Se é o que deseja. – Repentinamente, uma projeção surge diante de Antares:
-
Confederado-mor Stahirr! – Disse Antares à projeção:
-
Confederado Antares? Aonde você está? Parece sua sala, mas tenho certeza que
não está nela. – Disse Stahirr, sua voz soava assustada.
-
Não. Estou no interior do Galaxya.
-
Aonde?
-
No interior do mítico Galaxya, Confederado-mor... – A ligação foi interrompida.
– Por que interrompeu minha ligação com o Confederado-mor Stahirr?
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